Publicado em 18 de março de 2021 às 21:47
- Atualizado há 5 anos
Com a pandemia de Covid-19 no auge e hospitais colapsando por todo o país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou em sua live de quinta-feira (18) ações contrárias às medidas restritivas que prefeitos e governadores estão adotando para tentar frear a disseminação do novo coronavírus.>
Segundo Bolsonaro, um dos instrumentos é uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra decretos de três governadores, que ele não especificou quem são.>
"Bem, entramos com uma ação hoje, ação direta de inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal exatamente buscando conter esses abusos, que inclusive, no decreto, o cara bota ali toque de recolher. Isso é estado de defesa, estado de sítio que só uma pessoa pode decretar: eu", disse o presidente.>
De acordo com o artigo 137 da Constituição, o estado de sítio pode ser decretado quando há "comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa" e "declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira".>
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Já o estado de defesa, que o precede, pode ser instaurado, entre outros casos, quando o país é atingido por "calamidades de grandes proporções da natureza".>
Como o jornal Folha de S.Paulo já mostrou, a comparação feita por Bolsonaro entre estado de sítio e restrições que acontecem, por exemplo, no Distrito Federal, é enganosa.>
"O Supremo vai decidir. Não vou emitir nenhum juízo aqui. Obviamente, se entramos, por intermédio da Advocacia-Geral da União (AGU), a proposta foi supervisionada pelo ministro da Justiça, nós esperamos ter uma resposta no tocante a isso aí", disse o presidente.>
A reportagem procurou a AGU na noite de quinta-feira, mas não houve retorno. A ação também não havia sido protocolada no STF até o horário da live.>
Bolsonaro afirmou também ter encaminhado ao Congresso um projeto de lei que, segundo ele, define o que são atividades essenciais. "Basicamente tudo passa a ser atividade essencial", afirmou o presidente.>
Nesta quinta-feira, o país registrou 2.659 mortes, o terceiro maior valor da pandemia, e, pelo 20º dia consecutivo, bateu o recorde de média móvel de óbitos, que chegou a 2.093 mortes por dia.>
O novo dia de recorde ocorre mesmo com a ausência de dados de Covid-19 do Rio Grande do Norte. Segundo nota da secretaria de estado da saúde, problemas no sistema impediram a atualização.>
Durante a live, Bolsonaro enalteceu as manifestações contra medidas restritivas que ocorreram no fim de semana anterior. Ele afirmou que os atos foram espontâneos, com muita gente apoiando o governo, com bandeiras verde e amarelas, e ponderou que "não estamos em eleições".>
"Um movimento voluntário, do coração do povo, que pede cada vez mais que tenhamos fé no Brasil, que os Poderes, cada vez mais, sejam harmônicos e todos produzam para o Brasil", afirmou.>
"A maior produção que nós podemos ter, uma das mais importantes, nossa liberdade e democracia, que a gente sabe, pelo que a gente vê no Brasil, não estão tão sólidas no Brasil. Devemos nos preocupar com isso.">
Bolsonaro voltou a dizer que "o que o povo quer, a gente faz" e afirmou que "o povo está pedindo é democracia e liberdade".>
"O pessoal fala muito em democracia e ditadura. Mas é do ser humano, uma característica, cada vez mandar mais. E isso começa a ter dentro do próprio lar. E temos que cada um reconhecer a sua importância e também os seus limites, senão o caldo pode entornar, ter uma briga em casa, ter tensões entre os Poderes, e ninguém quer isso aí", disse Bolsonaro.>
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