Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Artigos
  • Uso de IA no período eleitoral representa tanto oportunidade quanto risco
Carlos Augusto Pena da Motta Leal

Artigo de Opinião

É especialista em Direito Digital e sócio do escritório Motta Leal & Advogados Associados. Presidente da Comissão de TI e Direito Digital da OAB-ES
Carlos Augusto Pena da Motta Leal

Uso de IA no período eleitoral representa tanto oportunidade quanto risco

A construção de um ambiente digital mais seguro dependerá de uma combinação equilibrada entre regulação eficaz, responsabilidade das empresas de tecnologia, conscientização da população e compromisso ético de todos os atores envolvidos
Carlos Augusto Pena da Motta Leal
É especialista em Direito Digital e sócio do escritório Motta Leal & Advogados Associados. Presidente da Comissão de TI e Direito Digital da OAB-ES

Publicado em 06 de Março de 2026 às 15:37

Publicado em 

06 mar 2026 às 15:37
O avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA) transformou profundamente a forma como informações são produzidas, distribuídas e consumidas. Em um ano eleitoral como este de 2026, no qual os brasileiros irão às urnas para escolher seus representantes, o uso dessas tecnologias ganha especial relevância e exige reflexão sobre seus limites jurídicos e éticos. O desafio central é equilibrar inovação tecnológica, liberdade de expressão e integridade do processo democrático.
Ferramentas baseadas em IA já são amplamente utilizadas na comunicação política. Elas permitem analisar grandes volumes de dados, segmentar públicos e produzir conteúdos em escala. Do ponto de vista técnico, trata-se de um avanço que pode ampliar a eficiência das campanhas e até contribuir para uma comunicação mais direcionada entre candidatos e eleitores.
Contudo, quando empregadas sem transparência ou critérios éticos claros, essas mesmas tecnologias podem favorecer a disseminação de desinformação, manipulação de narrativas e criação de conteúdos artificiais, como imagens, vídeos ou áudios falsos, chamados deepfakes.
Diante desse cenário, o papel da regulação torna-se essencial. No Brasil, a Justiça Eleitoral tem buscado atualizar normas para lidar com o ambiente digital e suas novas dinâmicas. A preocupação principal é preservar a lisura do processo eleitoral, garantindo que o eleitor tenha acesso a informações confiáveis e que as disputas ocorram em condições equânimes.
A responsabilização por conteúdos ilícitos, a transparência sobre o uso de ferramentas automatizadas e a identificação clara de conteúdos sintéticos são medidas que vêm sendo discutidas e, em alguns casos, já implementadas.
No entanto, a regulação precisa ser construída com cautela. Como o excesso de restrições pode gerar insegurança jurídica e até limitar usos legítimos da tecnologia, o objetivo real deve ser de estabelecer parâmetros que coíbam abusos e promovam previsibilidade. Para o setor privado, que frequentemente desenvolve ou hospeda essas tecnologias, regras claras são fundamentais para orientar investimentos, políticas internas de compliance e estratégias de mitigação de riscos.
Além do aspecto normativo, a dimensão ética também merece destaque. Empresas de tecnologia, agências de comunicação e plataformas digitais desempenham papel decisivo na forma como essas ferramentas são utilizadas no debate público. A adoção de mecanismos de verificação, rotulagem de conteúdos gerados por IA e políticas transparentes de moderação são práticas que contribuem para fortalecer a confiança dos usuários e reduzir impactos negativos no ambiente eleitoral.
Urna eletrônica, Eleições
Urna eletrônica, Eleições Crédito: Divulgação
Outro ponto relevante é a educação digital da sociedade. Em um contexto em que conteúdos sintéticos se tornam cada vez mais sofisticados, a capacidade do cidadão de avaliar criticamente a informação recebida torna-se elemento central para a saúde do debate democrático.
O uso de IA no período eleitoral representa tanto uma oportunidade quanto um risco. A construção de um ambiente digital mais seguro dependerá de uma combinação equilibrada entre regulação eficaz, responsabilidade das empresas que desenvolvem e operam essas tecnologias, iniciativas de conscientização da população e compromisso ético de todos os atores envolvidos no processo eleitoral. Somente assim será possível aproveitar os benefícios da inovação sem comprometer a confiança na democracia.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados