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Não existe país forte sem uma indústria forte

A cada R$ 1 produzido na indústria são gerados R$ 2,43 na economia brasileira. Na agropecuária, esse valor é de R$ 1,75 e, no setor de comércio e serviços, de R$ 1,49

Publicado em 25/05/2022 às 13h00

Neste 25 de maio, comemoramos o Dia da Indústria, uma data importante para reforçarmos o protagonismo da indústria capixaba e nacional na geração de riqueza, de empregos, de oportunidades.

A indústria é um grande motor do crescimento econômico e, portanto, motor do desenvolvimento. Não existe país forte sem uma indústria forte. E os números que cercam o setor provam isso.

A indústria representa 22% do PIB nacional, é responsável pelo recolhimento de 33% dos impostos federais e emprega 9,7 milhões de brasileiros formalmente. Além disso, responde por 71,8% das exportações.

No Espírito Santo, os dados relativos ao setor também são expressivos. Com uma participação no PIB de 26,5%, a indústria tem uma fatia de 85% das exportações do Estado. Emprega quase 220 mil profissionais em mais de 15 mil empresas de diversas áreas como metalurgia, extrativa, siderurgia, papel e celulose, construção civil, moveleira, cerâmica, alimentos e bebidas, confecções, química, entre outras.

Essa cadeia produtiva tem uma capacidade enorme de transbordar benefícios, irradiar oportunidades e impulsionar o crescimento. Tanto é que o poder de alavancagem da indústria é o maior entre os segmentos econômicos.

A cada R$ 1 produzido na indústria são gerados R$ 2,43 na economia brasileira. Na agropecuária, esse valor é de R$ 1,75 e, no setor de comércio e serviços, de R$ 1,49. Ou seja, estamos falando de um setor que é capaz de transformar vidas, de impulsionar negócios, de desenvolver uma nação.

DESINDUSTRIALIZAÇÃO?

Embora os números traduzam a importância da indústria para o crescimento do país, entendemos que o segmento não tem recebido nos últimos anos a atenção que merece do ponto de vista de política de desenvolvimento industrial, de planejamento de curto, médio e longo prazo.

Tanto é que voltamos a trazer para o centro dos debates a palavra desindustrialização, que nada mais é do que a perda de protagonismo da indústria na geração de empregos e na participação do PIB.

Não há no país, entre especialistas, um consenso de que o Brasil vive esse processo. Mas, de qualquer modo, precisamos discutir se estamos caminhando para ele e, mais do que isso, adotar ações que nos afastem de uma possível desindustrialização precoce.

Vale ressaltar aqui que a desindustrialização não é, necessariamente, sinônimo de uma situação negativa. Ela pode ser classificada como positiva se for acompanhada por um aumento da participação de produtos com maior conteúdo tecnológico, maior valor adicionado na pauta de exportações, e crescimento de serviços complexos e especializados com maior conhecimento técnico e tecnológico.

Isso aconteceu em países da Europa e nos Estados Unidos. Mas a perda de participação da indústria na economia brasileira ocorre antes mesmo de o país atingir um nível de renda per capita similar ao dos países mais industrializados e desenvolvidos.

Ainda assim, a indústria segue com a sua relevância e tem muito a contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país. Por isso, me incomoda muito quando ouço pessoas dizendo de maneira simplória que há uma desindustrialização no Brasil.

É preciso lembrar que não se trata de uma paralisia do setor produtivo. Nossas indústrias não estão deixando de investir, de inovar. Não! As indústrias estão investindo em tecnologia. São as principais responsáveis pela inovação, respondendo por 68,6% dos investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento. Elas desejam expandir seus parques fabris, contratar mais mão de obra, qualificar seus profissionais, gerar mais riquezas.

Mas acontece que o investimento que a indústria faz ainda não é suficiente para compensar todo o custo que tem de desvantagem competitiva com outras nações que têm política industrial forte. Nós estamos pedindo apenas para concorrer em pé de igualdade. Porque a nossa parte sabemos que somos capazes de fazer.

Defendemos que alguns caminhos precisam ser construídos. Um deles é o país estimular uma política pública de desenvolvimento da indústria. Falta ao Brasil um projeto com esse foco. Por exemplo, falta ao país uma pasta dedicada ao setor.

Se você fizer um comparativo com o segmento do agronegócio, que tem hoje um Ministério da Agricultura, percebemos o quanto a dedicação ao setor influi no crescimento. O mesmo movimento deveria valer para a indústria. Precisamos de uma atenção forte do governo federal.

Outro ponto determinante é a redução do Custo Brasil. Essa é uma agenda antiga que precisamos destravar. O Custo Brasil retira R$ 1,5 trilhão por ano das empresas instaladas no país, representando 20,5% do PIB. Isto não é nem um pouco razoável.

Temos ainda a agenda clássica como a melhoria da infraestrutura, da segurança jurídica e as reformas estruturantes. A reforma tributária, por exemplo, é urgente e indispensável. Ela é decisiva para um ambiente de negócios saudável, para garantir mais competitividade às empresas e tem a força de tornar tais avanços permanentes para o setor produtivo.

Neste Dia da Indústria temos muito a comemorar, no entanto, mais ainda, muito a fazer para ampliar o dinamismo e a competitividade da indústria e para colocar o país em uma trajetória sólida de crescimento socioeconômico.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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