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José Carlos Buffon Jr.

Artigo de Opinião

É empresário do mercado financeiro e coordenador do Comitê Qualificado de Conteúdo de ESG do Ibef-ES
José Carlos Buffon Jr.

Mercado financeiro: o risco da participação estatal no crédito

Uma economia com crédito baseado em dinheiro público, direcionado sem critérios claros para empresas privilegiadas, cria sérios riscos de ineficiência econômica
José Carlos Buffon Jr.
É empresário do mercado financeiro e coordenador do Comitê Qualificado de Conteúdo de ESG do Ibef-ES

Publicado em 13 de Março de 2024 às 15:20

Publicado em 

13 mar 2024 às 15:20
As instituições financeiras privadas vinham ganhando cada vez mais destaque no cenário econômico nacional, desde 2015. No início do governo Michel Temer, os bancos privados nacionais e estrangeiros vinham gradativamente ganhando participação no total de crédito concedido no Sistema Financeiro Nacional, passando de uma fatia de 44% em 2015 para 57,7% em 2022.
Contudo, observamos no último ano uma modificação nesse cenário, com os bancos públicos ganhado participação no mercado de crédito, com um aumento pequeno de 0,6%. Pode parecer pouco, mas indica a ruptura de uma sequência importante e pode sinalizar uma tendência de crescimento da participação dos bancos estatais na economia brasileira nos próximos anos, o que não é desejável, por várias razões, como veremos.
Nesses últimos oito anos, além do aumento do volume de recursos concedidos, o mercado privado de crédito também teve uma grande evolução no que diz respeito à quantidade e qualidade dos produtos ofertados, tanto para pessoa física como para crédito para as empresas.
A abertura de novas instituições financeiras, com grandes investimentos tecnológicos, e o surgimento de novos produtos, motivados principalmente por novas regulamentações, fez com que o mercado privado ganhasse participação em nichos antes dominados pelo crédito público, como no mercado imobiliário com o CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e com o Fundo Investimentos Imobiliários, e o mercado agrícola com o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e o Fiagro (Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais), que capta recursos de investidores para aplicar em ativos do agro.
Outra característica importante para o setor nesses últimos anos foi a maior democratização de determinados produtos financeiros, que anteriormente eram restritos a grandes empresas, especialmente as de capital aberto. Esses produtos passaram a atingir um maior número de empresas e projetos, possibilitando acesso de empresa com menores faturamentos.
Um mercado financeiro maduro é essencial para o crescimento econômico sustentável, porque promove a alocação eficiente de recursos, leva à profissionalização da governança corporativa, estimula a inovação financeira e a resiliência a choques econômicos.
Isso cria um ambiente propício para o desenvolvimento de empresas sólidas e prósperas, resultando também em maior prosperidade a longo prazo para a economia como um todo.
A cooperativa capixaba deve manter o crescimento dos repasses na carteira de crédito rural acima dos 40% ao ano
A cooperativa capixaba deve manter o crescimento dos repasses na carteira de crédito rural acima dos 40% ao ano Crédito: Governo federal/Andrii Yalanskyi
Já uma economia com crédito baseado em dinheiro público, direcionado sem critérios claros para empresas privilegiadas, cria sérios riscos de ineficiência econômica, gerando distorção da concorrência e desincentivo ao empreendedorismo, sem mencionar o risco de um ambiente mais favorável ao compadrio e à corrupção.
É essencial que o país promova políticas que garantam um ambiente de negócios mais equilibrado, justo e transparente, onde o crédito seja alocado com base no mérito econômico e na competitividade das empresas, em vez de conexões políticas.
Já vimos esse filme recentemente no Brasil e não podemos permitir que os mesmos erros sejam cometidos.
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