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É diretor-geral da Escola Monteiro

Machismo e violência: a escola precisa da família para mudar o rumo das coisas

A escola não ter como assumir sozinha o desafio de formar um indivíduo e um cidadão não deveria lhe dar o “direito” de cruzar os braços

  • Eduardo Costa Gomes É diretor-geral da Escola Monteiro
Publicado em 07/03/2026 às 14h00

A frase que diz que a educação é o caminho para transformar o mundo é quase um mantra em nossa sociedade. Repetida à exaustão, mesmo que nem sempre acompanhada de vivências, investimentos e projetos concretos, ela precisa ser compreendida em sua dimensão mais ampla.

Sim, é pela educação que iremos mais longe e seremos melhores, mas a escola não pode ser vista como o único e principal ente responsável pelo processo de formação do indivíduo.

Não se trata de nos eximir da responsabilidade que temos. É exatamente o contrário: para contribuir de fato, precisamos andar de mãos dadas com as famílias, entendidas como esse primeiro e mais importante lugar de formação, que, num mundo de mudanças cada vez mais velozes e complexas - da geopolítica à inteligência artificial, passando pelos relacionamentos - também precisa de apoio, suporte e parcerias para dar conta de sua missão.

Como alguém que atua diariamente em uma escola, entendo que o que chega às salas de aula ou aos pátios das instituições de ensino do país é reflexo do que vemos do lado de fora, para além dos muros escolares.

Nosso papel, como agentes educacionais, é contribuir com a família — com coragem, responsabilidade e comprometimento — para mudar o rumo das coisas. A partir da reflexão e da desconstrução de paradigmas, criaremos, juntos, terreno fértil para produzir olhares mais humanos, empáticos, justos e respeitosos com o outro, o que, no Dia Internacional da Mulher, significa repensar urgentemente a forma como os homens tratam e se relacionam com as mulheres.

Envolver a família, caminhar lado a lado, criar canais de interação e manter proximidade — por meio, por exemplo, de escolas de pais, grupos de estudo, portas abertas e eventos que envolvam toda a comunidade escolar — é um caminho possível.

Outro é ter clareza de que o fato de a escola não ter como assumir sozinha o desafio de formar um indivíduo e um cidadão não deveria lhe dar o “direito” de cruzar os braços.

O ambiente escolar é um dos primeiros espaços públicos em que crianças e adolescentes convivem com a diversidade, aprendem limites e exercitam o respeito.

É nele que muitos meninos precisam ouvir – e ver - , desde a educação infantil e ao longo de toda a vida estudantil, que meninas têm os mesmos direitos, a mesma autonomia e o mesmo valor.

Chamada escolar, matrícula, escola, estudante, aluno, sala de aula, ensino
Chamada escolar, matrícula, escola, estudante, aluno, sala de aula, ensino. Crédito: iStockphoto

Ninguém nasce pronto. E, nesse sentido, essa é uma reflexão fundamental ao processo educativo, já que igualdade, respeito e empatia também se aprendem — da mesma forma que se aprendem, infelizmente, o preconceito e a violência.

Na escola e na sociedade, as discussões sobre gênero, cultura e convivência não podem ficar restritas a “nichos”. É urgente que questões ligadas à vida, à saúde e aos direitos das mulheres sejam debatidas também pelos meninos, adolescentes e jovens — muitas vezes protagonistas de situações de desrespeito que podem ir do interromper a fala feminina em uma troca de ideias até atrocidades como os inúmeros casos de violência sexual e feminicídio a que assistimos todos os dias, assustados e estarrecidos.

Construir regras de convivência em conjunto, falar sobre a autonomia das mulheres e ajudar os meninos a repensarem ideias culturalmente associadas à masculinidade — como agressividade, força e poder — são movimentos importantes que precisam ser fortalecidos.

Na escola, em casa ou no trabalho, se conseguirmos contribuir para que o menino de hoje entenda que sensibilidade, respeito e igualdade são valores que farão dele verdadeiramente um homem, estaremos plantando algo poderoso e importante.

A escola não muda o mundo sozinha. Mas pode ajudar a mudar quem vai habitá-lo. Assim mesmo, no masculino.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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