A Campanha Janeiro Branco nos lembra que saúde mental precisa ser tratada como prioridade, e isso inclui reconhecer fatores que muitas vezes passam despercebidos no cuidado emocional. E a nutrição ocupa um papel central nessa escala de importância.
Não se trata de simplificar problemas psicológicos a escolhas alimentares, mas de compreender que o cérebro depende de nutrientes específicos para regular humor, foco, memória e disposição.
A ciência já demonstrou que neurotransmissores como serotonina e dopamina, fundamentais para bem-estar emocional e concentração, têm origem metabólica. Cerca de 90% da serotonina, por exemplo, é produzida no intestino, o que ajuda a regular o movimento, a sensibilidade intestinal, influenciando diretamente o humor e o equilíbrio emocional.
Isso significa que uma alimentação pobre em nutrientes essenciais, rica em ultraprocessados e açúcar cria um ambiente inflamatório que afeta diretamente o eixo intestino-cérebro. Isso resulta em maior irritabilidade, variações de humor, fadiga mental e dificuldade de concentração.
Pacientes que apresentam queda de performance no trabalho, lapsos de memória ou sensação constante de cansaço, por exemplo, é comum estarem com deficiências nutricionais silenciosas como baixos níveis de ferro, B12, magnésio, ômega-3 e vitamina D.
Nesses casos, quando há déficit comprovado, a reposição nutricional, inclusive por vias injetáveis, quando indicada pelo médico, pode ser uma alternativa para otimizar a recuperação e corrigir carências de forma mais rápida e eficaz. Trata-se de uma ferramenta salutar utilizada de forma criteriosa e sempre baseada em avaliação clínica e exames.
Outro ponto negligenciado é o papel da inflamação crônica de baixo grau, que pode ser desencadeada por uma dieta rica em frituras, açúcar, álcool e aditivos químicos. Esse processo inflamatório interfere diretamente na capacidade do cérebro de aprender, lembrar e se adaptar. Não é coincidência que muitos pacientes, ao adotarem uma alimentação mais equilibrada, relatam melhora no humor, mais clareza mental e uma produtividade mais sustentável.
Vale destacar o efeito positivo na saúde intestinal. Um intestino saudável influencia diretamente a produção de neurotransmissores e hormônios ligados ao humor. Por isso, estratégias como aumentar a ingestão de fibras, consumir probióticos, reduzir alimentos inflamatórios e a alimentação suplementar (em alguns casos) podem ser decisivas para quem busca mais estabilidade emocional e desempenho cognitivo.
E quando o intestino não consegue desempenhar adequadamente sua função de digestão e absorção de nutrientes, a nutrição endovenosa é uma abordagem indicada para ajudar a suprir as deficiências alimentares.
No entanto, vale reforçar: nutrição é parte de um tratamento amplo que inclui sono adequado, manejo de estresse, atividade física e, em muitos casos, acompanhamento psicológico e médico. Mas ignorar a nutrição é descartar uma peça fundamental desse conjunto.
Reconhecer a nutrição como parte do cuidado emocional amplia o sentido do Janeiro Branco: saúde mental não é abstrata, é prática diária. Quando oferecemos ao corpo os nutrientes certos, criamos condições para que a mente funcione com mais leveza, clareza e estabilidade, um passo essencial para viver com mais presença e bem-estar.
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