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É médica nutróloga e proprietária da Mariana Comério Clínica

Janeiro Branco e o papel da nutrição na saúde mental

Quando oferecemos ao corpo os nutrientes certos, criamos condições para que a mente funcione com mais leveza, clareza e estabilidade, um passo essencial para viver com mais presença e bem-estar.

  • Mariana Comério É médica nutróloga e proprietária da Mariana Comério Clínica
Publicado em 12/01/2026 às 16h00

A Campanha Janeiro Branco nos lembra que saúde mental precisa ser tratada como prioridade, e isso inclui reconhecer fatores que muitas vezes passam despercebidos no cuidado emocional. E a nutrição ocupa um papel central nessa escala de importância.

Não se trata de simplificar problemas psicológicos a escolhas alimentares, mas de compreender que o cérebro depende de nutrientes específicos para regular humor, foco, memória e disposição.

A ciência já demonstrou que neurotransmissores como serotonina e dopamina, fundamentais para bem-estar emocional e concentração, têm origem metabólica. Cerca de 90% da serotonina, por exemplo, é produzida no intestino, o que ajuda a regular o movimento, a sensibilidade intestinal, influenciando diretamente o humor e o equilíbrio emocional.

Isso significa que uma alimentação pobre em nutrientes essenciais, rica em ultraprocessados e açúcar cria um ambiente inflamatório que afeta diretamente o eixo intestino-cérebro. Isso resulta em maior irritabilidade, variações de humor, fadiga mental e dificuldade de concentração.

Pacientes que apresentam queda de performance no trabalho, lapsos de memória ou sensação constante de cansaço, por exemplo, é comum estarem com deficiências nutricionais silenciosas como baixos níveis de ferro, B12, magnésio, ômega-3 e vitamina D.

Nesses casos, quando há déficit comprovado, a reposição nutricional, inclusive por vias injetáveis, quando indicada pelo médico, pode ser uma alternativa para otimizar a recuperação e corrigir carências de forma mais rápida e eficaz. Trata-se de uma ferramenta salutar utilizada de forma criteriosa e sempre baseada em avaliação clínica e exames.

Outro ponto negligenciado é o papel da inflamação crônica de baixo grau, que pode ser desencadeada por uma dieta rica em frituras, açúcar, álcool e aditivos químicos. Esse processo inflamatório interfere diretamente na capacidade do cérebro de aprender, lembrar e se adaptar. Não é coincidência que muitos pacientes, ao adotarem uma alimentação mais equilibrada, relatam melhora no humor, mais clareza mental e uma produtividade mais sustentável.

Vale destacar o efeito positivo na saúde intestinal. Um intestino saudável influencia diretamente a produção de neurotransmissores e hormônios ligados ao humor. Por isso, estratégias como aumentar a ingestão de fibras, consumir probióticos, reduzir alimentos inflamatórios e a alimentação suplementar (em alguns casos) podem ser decisivas para quem busca mais estabilidade emocional e desempenho cognitivo.

A alimentação pode ser uma grande aliada para manter o corpo hidratado (Imagem: monticello | Shutterstock)
Alimentação. Crédito: Imagem: monticello | Shutterstock

E quando o intestino não consegue desempenhar adequadamente sua função de digestão e absorção de nutrientes, a nutrição endovenosa é uma abordagem indicada para ajudar a suprir as deficiências alimentares.

No entanto, vale reforçar: nutrição é parte de um tratamento amplo que inclui sono adequado, manejo de estresse, atividade física e, em muitos casos, acompanhamento psicológico e médico. Mas ignorar a nutrição é descartar uma peça fundamental desse conjunto.

Reconhecer a nutrição como parte do cuidado emocional amplia o sentido do Janeiro Branco: saúde mental não é abstrata, é prática diária. Quando oferecemos ao corpo os nutrientes certos, criamos condições para que a mente funcione com mais leveza, clareza e estabilidade, um passo essencial para viver com mais presença e bem-estar.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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