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Carreira

Crise pós-carnaval: ó abre alas que eu tenho que trabalhar

Mais difícil do que retornar ao trabalho após as férias coletivas de fim de ano é reiniciar as atividades depois do feriadão de carnaval. Tudo isso por uma simples razão: é definitivo, as próximas folgas estão distantes

Publicado em 25 de Fevereiro de 2020 às 18:58

Públicado em 

25 fev 2020 às 18:58

Colunista

Depois do carnaval, é hora de voltar ao trabalho Crédito: Pixabay

Terça-feira de carnaval, Quarta-feira de Cinzas... É nesse momento que, para muitos, 2020 começa oficialmente! Mais difícil do que retornar ao trabalho após as férias coletivas de fim de ano é reiniciar as atividades depois do feriadão de carnaval. Tudo isso por uma simples razão: é definitivo, as próximas folgas estão distantes. Tal percepção abre questionamentos delicados voltados à carreira profissional: será que estou feliz com a escolha que fiz?

Sabemos que viver de maneira a diminuir o sofrimento e aumentar o prazer é o objetivo de todos, porém, é preciso cuidado ao fazer isso. Não é recomendável acreditar que uma vida feliz se resume à satisfação das próprias vontades. A vida deveria ser muito mais do que somente fazer coisas por desejos.

Então, logo surge uma nova pergunta: como posso viver uma vida feliz em que o trabalho faça parte da construção dessa felicidade, mas sem atender apenas aos meus interesses?

Não tenho uma resposta definitiva e universal para isso, mas acredito que a razão da eterna insatisfação profissional está aliada à ausência de um propósito. Um ponto de partida é avaliar se o que você faz possui relação a quem você representa como indivíduo.

Sempre que escrevo sobre esse tema, como no meu livro "Ensaio Sobre a Crise da Felicidade", me vem à mente um exemplo que conheço bem: o voluntariado. Nele, indivíduos trabalham satisfeitos, em condições muitas vezes precárias, e sem remuneração.

Acredito que o propósito em ajudar é maior que qualquer salário ou tempo livre que se possa almejar. Quando o trabalho incorpora um sentido, acrescenta à vida um valor existencial, não haverá preocupação em contar as horas para ir embora, ou os dias para chegar a sexta-feira.

Nessa busca por autoconhecimento, não adianta copiar modelos que deram certo com outros. Cada pessoa deve encontrar seu propósito e, convenhamos, as possibilidades são infinitas. Talvez o primeiro passo seja tentar responder algumas perguntas: o que me faria acordar cedo e feliz para ir trabalhar sem horário para voltar? Se não precisasse de dinheiro, em que trabalharia?

As respostas são o caminho para despertar o que realmente importa e determinam, assim, a direção para viver uma vida mais feliz, seja antes ou depois do carnaval.

O autor é presidente fundador do Instituto Dignidade, filantrópico, empreendedor, estudante de Filosofia e autor da obra “Ensaio sobre a crise da felicidade”, publicada pela Editora Albatroz

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