Autor(a) Convidado(a)
É delegado de polícia, professor e pesquisador na área de segurança pública e atividade de inteligência

Como a inteligência policial pode reduzir a violência em escolas

Embora muitos reclamem a utilização de força policial armada nas escolas como resposta à violência, essa não parece ser a melhor e nem sequer possível opção

  • Eduardo Arcos É delegado de polícia, professor e pesquisador na área de segurança pública e atividade de inteligência
Publicado em 09/08/2024 às 12h34

Em tempos de discussão sobre crescente violência nas escolas, é essencial que apresentemos maneiras eficazes de garantir a segurança dos alunos. Uma ferramenta poderosa e muitas vezes subestimada nessa batalha é a inteligência policial. Mais do que simples investigação, ela envolve a coleta, análise e aplicação de informações estratégicas para prevenir e mitigar crimes.

A inteligência policial não é novidade, mas sua aplicação em ambientes escolares ainda é tímida. Com o aumento de casos de violência extrema em escolas, como tiroteios e agressões, é imperativo que autoridades e comunidades adotem abordagens mais proativas. Isso significa investir em tecnologia, capacitação e estratégias específicas para identificar e neutralizar ameaças antes que elas se concretizem.

Um exemplo prático é o uso de análise de dados e padrões para identificar comportamentos suspeitos. Redes sociais, por exemplo, podem ser monitoradas (com o devido respeito à privacidade) para detectar postagens que indiquem intenções violentas. Programas de inteligência artificial podem analisar essas informações e alertar as autoridades sobre potenciais riscos.

Embora muitos reclamem a utilização de força policial armada nas escolas como resposta à violência, essa não parece ser a melhor e nem sequer possível opção. Isso porque a manutenção de força policial armada no interior de cada unidade escolar se mostra pouco razoável, considerando a demanda de pessoal.

Além disso, não parece que essa seja a melhor opção para mitigar as ameaças. Há estudos que apontam que muitos dos atiradores ativos não se importam com sua neutralização, desde que sua pretensão inicial tenha sido satisfeita. Além disso, alguns já planejam a própria morte após a ação. A presença de policiais na unidade escolar não impediria a ação. Por outro lado, a detecção preditiva da atividade pode impedir por completo a execução do plano.

Além disso, a colaboração entre polícia, escolas e comunidades é vital. Programas de conscientização que incentivam alunos e professores a detectarem e reportarem comportamentos suspeitos podem salvar vidas. A inteligência policial, nesse contexto, funciona como um elo entre todos esses pontos, garantindo uma resposta rápida e eficaz.

No Espírito Santo, desde 2023, o Plano Estadual de Segurança Escolar inclui iniciativas que envolvem a inteligência policial e já mostram resultados promissores. A integração de dados entre diferentes órgãos de segurança e da sociedade civil e o uso de tecnologias avançadas permitiram uma melhor compreensão dos padrões de violência, resultando em ações mais assertivas.

Fotos de sala de aula vazia - banco de imagens
Sala de aula vazia. Crédito: Freepik

No entanto, não podemos ignorar os desafios. O uso de inteligência policial em escolas requer investimentos significativos e, sobretudo, a confiança da comunidade. Transparência e diálogo são essenciais para garantir que essas medidas sejam vistas como protetivas, e não invasivas.

A prevenção da violência nas escolas não pode depender apenas de medidas reativas. Precisamos de uma abordagem integrada, que envolva tecnologia, inteligência e, principalmente, a participação ativa da comunidade escolar. Com essas ações, estaremos um passo mais perto de garantir um ambiente seguro e propício para o aprendizado de nossos jovens.

Em resumo, a inteligência policial é uma ferramenta valiosa e por muito tempo foi subutilizada na prevenção da violência escolar. Investir em sua aplicação, com transparência e colaboração, é essencial para garantir a segurança e o bem-estar de nossos alunos. Precisamos enxergar a segurança nas escolas como uma responsabilidade compartilhada, onde cada um de nós desempenha um papel crucial.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espirito Santo.