O que há com a nossa Capital que ficou tão esquecida no panorama turístico nacional? Estaria ofuscada entre os dois principais polos turísticos do país – Rio de Janeiro e Salvador? Poderia isso influenciar negativamente? Penso que não. Vitória é uma belíssima cidade.
Carmélia M. de Souza, memorável cronista capixaba, num momento de feliz inspiração, produziu uma frase sobre Vitoria que se notabilizou: “Esta ilha é uma delícia”. E continua sendo.
Transcorridos tantos anos, como estudioso da dinâmica das cidades, da mobilidade e das mudanças na vida urbana, ao fazer uma comparação entre a bucólica Vitória daqueles tempos e a dinâmica Vitória de hoje, vejo que aquela frase continua atual. Vitória é uma cidade muito especial. Faço esta afirmação baseado em comparações com centenas de cidades que tive oportunidade de visitar mundo afora.
Mas então porque Vitória ainda não conseguiu decolar no turismo? Estamos próximo aos principais centros emissores, temos um moderno aeroporto (agora internacional), importantes monumentos históricos, serviços de city tour, praias maravilhosas e contamos, bem pertinho, com clima de montanha e atrações de primeira linha – inclusive com uma sofisticada culinária. Ou seja, temos quase tudo para darmos uma arrancada no turismo.
Todavia, para que possamos disputar espaço no negócio turismo com as capitais do Nordeste, falta-nos ainda um centro de convenções, equipamento essencial para o turismo de eventos.
Assim, permito-me sugerir, como solução para suprir a esta necessidade, a revisão do projeto da obra do Cais das Artes (paralisada) para conferir àquela edificação uma destinação multiuso. Ou seja, transformá-la no “Centro Cultural de Eventos e Exposições de Vitória”, de modo a atender tanto às atividades culturais, como também a congressos, convenções, seminários etc. (turismo de eventos). Com um auditório de 1.300 lugares, aquela edificação dispõe ainda de espaços suficientes para atender a todas estas atividades. E a ampliação do seu uso serviria, inclusive, para diluir os elevados custos de operação e manutenção. Mas é preciso concluí-la!
Diante da provável retomada da economia, penso que é chegada a hora de aproveitarmos todo este nosso potencial turístico – ainda adormecido. Um esforço conjunto da classe empresarial e governo do Estado parece ser o caminho adequado.
Poderemos, assim, recuperar o nosso atraso nesta indústria limpa, multiplicadora de atividades econômicas e de empregos.