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Cidade do Samba deve ser construída no Tancredão?

Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial pediu terreno do parque à prefeitura, mas comunidade do bairro Mário Cypreste acredita que outro local seria mais indicado

Publicado em 15/03/2020 às 06h00
Atualizado em 15/03/2020 às 06h00
Espaço do Tancredão, próximo ao Sambão do Povo. Crédito: Vitor Jubini
Espaço do Tancredão, próximo ao Sambão do Povo. Crédito: Vitor Jubini

Espaço seguro para todas as escolas

Edvaldo Teixeira
Presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial

A cada ano, o desfile das escolas de samba da Grande Vitória ganha mais notoriedade. Pessoas de diversos lugares do Espírito Santo, do Brasil e até de outros países lotam arquibancadas e camarotes para conferir de perto o espetáculo que as agremiações prepararam para a avenida. O evento já faz parte do calendário dos capixabas e, cada vez mais, reforça para todo o país que o “carnaval do Brasil começa aqui”.

Nesta semana, demos mais um importante passo que vai permitir evolução e profissionalização do nosso carnaval, com o pedido da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesge) para cessão de uma área do Tancredão, em Mario Cypreste, para a construção da tão sonhada Cidade do Samba, nos mesmos moldes da que já existe no Rio de Janeiro.

Atualmente, 19 escolas participam do Carnaval de Vitória nos três dias de evento, promovendo um verdadeiro espetáculo, levando alegria e contribuindo para o fortalecimento desse importante movimento da cultura popular. E tudo o que cada escola apresenta em pouco mais de 50 ou 60 minutos na avenida é fruto de um planejamento e trabalho que é realizado ao longo de todo ano nas comunidades.

Além de movimentar a economia local, a indústria do carnaval capixaba é responsável pela geração de cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos e envolve milhares de voluntários, sendo, portanto, um importante instrumento de transformação social. A administração municipal reconhece esse movimento.  

Hoje, apenas duas agremiações contam com barracões próprios, onde podem preparar seus carros alegóricos para o “grande dia” e depois guardá-los. As outras 17 escolas, lamentavelmente, amargam prejuízos. Isso porque, sem um local adequado para armazenar suas esculturas, as alegorias se perdem e se desfazem, não sendo possível o reaproveitamento de muitos materiais.

A Cidade do Samba no local proposto, ao lado do Sambão do Povo, representará um grande salto para o desenvolvimento do nosso carnaval e para a cidade de Vitória. Além de disponibilizar um espaço seguro para todas as escolas montarem e guardarem seus carros alegóricos, a iniciativa vai possibilitar melhor direcionamento dos recursos pelas agremiações, o que será refletido na avenida.

Outro terreno seria mais viável

Claudio Barcellos
Presidente da Associação de Moradores do Bairro Mário Cypreste

A construção da Cidade do Samba na região do bairro Mário Cypreste, em Vitória, é sim algo interessante, mas os dois locais pretendidos pela Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesge) são lugares que, na visão da comunidade, poderiam ser aproveitados para a finalidade que foram construídos.

Nossa região é de periferia, e temos muitos problemas com jovens que se envolvem no mundo do crime. Perder uma parte do Teatro Carmélia para a construção da Cidade do Samba seria continuar deixando nossa juventude à mercê da criminalidade.

Temos diversos projetos sociais no entorno e em comunidades vizinhas, que poderiam funcionar nas duas quadras que existem no local – fora os outros espaços do Carmélia que também poderiam ser aproveitados e, certamente, outros projetos seriam criados com a reabertura do local.

No caso do Tancredão, poderia se construir uma fração do antigo Parque Tancredão, que foi destruído para a criação do Centro Esportivo Tancredo de Almeida Neves. Para as comunidades que frequentavam o antigo Tancredão foi algo ruim, que faz muita falta. Sem contar que foram gastos cerca de R$ 50 milhões para a construção do Centro Esportivo, que na prática não atende às expectativas.

No espaço requerido pela Liga, também poderia ser construído um pequeno Centro de Atletismo, algo que certamente atrairia adolescentes e jovens para uma qualidade de vida maior.

Sobre a Cidade do Samba, dou uma terceira opção, que seria o terreno que fica próximo à Rodoviária de Vitória, onde o governo do Estado quer fazer o Portal do Príncipe, com uma área maior do que os requeridos pela Liga. A construção da Cidade nesse lugar traria uma grande revitalização do entorno da Rodoviária e até mesmo da Vila Rubim.

Como acontece no Rio de Janeiro, certamente muitos turistas iriam querer conhecer como funciona o mundo do carnaval. Além disso, o comércio local e os moradores ganhariam com a construção e a revitalização do local.

Penso que a Liga, a Prefeitura de Vitória e as associações de moradores dos bairros próximos deveriam sentar e conversar com o governo do Estado, para estudar a possibilidades da construção da Cidade do Samba nesse local.

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