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Keila Cristina Gonçalves Rezende, arquiteta e coordenadora de obras da construtora Morar
Keila Cristina Gonçalves Rezende, arquiteta e coordenadora de obras da construtora Morar. Crédito: Carlos Alberto Silva

Mulheres se qualificam para disputar emprego na construção civil

Profissionais rompem o preconceito nos canteiros de obras e mostram que podem disputar vagas em pé de igualdade com os homens

Publicado em 10/01/2021 às 15h01

A construção civil é um setor em alta em meio à crise econômica e tem atraído mais mulheres interessadas em conseguir um emprego de carteira assinada ou de trabalhar por conta própria na área. Para disputar o espaço nesse mercado, majoritariamente ocupado por homens, elas têm buscado qualificações capazes de garantir a disputa por vagas em pé de igualdade.

A fisioterapeuta Maryanna Tomas de Oliveira, de 32 anos, que perdeu o trabalho numa clínica de pilates durante a pandemia, fez um curso de pintura para ter uma outra chance de trabalho. Desempregada e vivendo com o dinheiro do auxílio emergencial, foi por acaso que ela se interessou pela área.

Diante das incertezas profissionais, ela pensou em investir em outras formas de ganhar dinheiro. A fisioterapeuta até tentou trabalhar com atendimento domiciliar, mas o projeto não foi para frente porque as pessoas têm evitado receber em casa quem não é da família. E foi por meio de uma pesquisa nas redes sociais que Maryanna ficou sabendo do curso curso de Pinturas Especial para Mulheres e Papel de Parede.

Maryanna Tomas de Oliveira

Fisioterapeuta

"O mercado está muito aberto para as mulheres na construção civil, principalmente na parte de acabamento. Há muitas pessoas procurando profissionais femininas para prestar algum tipo serviço. Estou gostando tanto da área que vou focar nisso como trabalho e renda. Acredito que a fisioterapia não vai mais fazer parte do meu futuro"

Uma das certezas que faz com que Maryanna aposte em uma nova carreira está no grande volume de obras que foram feitas no condomínio onde mora, mesmo em tempos de pandemia. Ela até já tem trabalhos em vista quando terminar o curso.

“O setor de acabamentos e pequenos reparos é feito por meio de indicação. Se o profissional faz uma trabalho bom, ele é bem indicado. Vou me dedicar bastante para que isso aconteça”, diz.

Maryanna Tomas de Oliveira, fisioterapeuta que investir em curso de pintura
Maryanna Tomas de Oliveira é fisioterapeuta e faz curso para ser pintora. Crédito: Acervo pessoal / Maryanna Tomas de Oliveira

Quem também apostou na carreira na área da construção civil foi a Keila Cristina Gonçalves Rezende, de 43 anos. Ela começou a trabalhar na construtora Morar como técnica em edificações há quase 20 anos. Depois de ver vários estagiários passando por ela, se formando e depois conseguindo cargos mais altos, a profissional decidiu fazer graduação em Arquitetura. A estratégia deu certo e há quatro meses ela foi promovida a coordenadora de obras.

Keila Cristina Gonçalves Rezende

Coordenadora de obra

"Trabalhei durante todo o tempo em obras e depois de um longo período decidi fazer faculdade. Tomei essa decisão porque percebi que estava ficando para trás. Além disso, descobri que com a graduação poderia ter voos mais altos dentro da construtora. Estou formada há quatro anos e as oportunidades foram surgindo. Sei que não poderia ter feito escolha melhor"

Keila avalia que depois de tantos anos de carreira, o número de mulheres nos canteiros de obra vem crescendo ao longo dos anos.

“Trabalhar em um escritório fechado não é para mim. Gosto de estar no meio da obra, no meio de pessoas simples e vendo os projetos saindo do papel. Gerencio cerca de 50 pessoas em um canteiro de obras, a maioria homens. Sempre procurei me sobressair para dar exemplo para a minha filha de 15 anos. Como mulher, cada dia é uma vitória, pois sei que fiz o meu melhor e mereci tudo que conquistei”, avalia

A especialista em gestão de pessoas da Morar Construtora, Lorena Pissinati, ressalta que a presença das mulheres na empresa tem um sentido importante de representatividade.

“Desconstrói a ideia velada de que o canteiro de obras não é um local onde as mulheres podem estar, assim como outras posições no mercado de trabalho que historicamente foram majoritariamente ocupadas por homens. A presença feminina em diversas posições da empresa é bonita de ver, pois dá voz, autonomia e lugar de fala a muitas profissionais que são imensamente capazes e somam dentro da organização", afirma.

Maryanna e Keila são exemplos de mulheres que buscaram a qualificação para trabalhar na construção civil. Profissionais femininas estão cada vez mais presentes nos canteiros de obras ou fazendo algum tipo de prestação de serviços. 

De acordo com o Senai, 64% dos alunos do curso de técnico em edificações, integrado com o nível médio, são mulheres. Entre os que frequentam somente nível técnico, nessa mesma qualificação, elas representam 48% dos frequentadores.

No Programa de Aprendizagem Industrial em Processos Construtivos da instituição, mais da metade (52%) são mulheres. As alunas no curso de desenho arquitetônico, dentro da área de iniciação profissional, também são maioria, 53%. Há ainda o aperfeiçoamento e especialização profissional, no curso desvendando o BIM (Buiding Information Modelin), onde 49% é composto pelo público feminino.

O Instituto da Construção de Vitória lançou recentemente o Projeto Mulheres do Brasil, voltado para qualificação feminina com cursos voltados para decoração e paisagismo, pinturas especiais e papel de parede, além de elétrica e iluminação de ambientes decorados.

“Elas procuram o curso como hobby, mas se envolvem tanto que decidem se tornar uma profissional. Cada vez mais as mulheres chamam a atenção de construtoras porque elas sabem ser mais detalhistas nos acabamentos, por exemplo. Além disso, profissionais também passaram a atuar com pequenos reparos”, destaca o diretor do Instituto, Junio Aparecido Batista Neves.

A fundadora da startup capixaba Elas Resolvem, Jessica Nascimento Galvani, destaca que as mulheres se sentem seguras em colocar a mão na massa e acabam querendo se qualificar para não dependerem dos homens para fazer pequenos reparos.

“As mulheres querem aprender para fazerem as coisas em casa, para se sentirem seguras na hora de comprar material e ainda para ganhar dinheiro. Percebo que aumentou a procura por indicação de profissionais femininas para a realização de alguns serviços, porque as clientes se sentem mais seguras em ter uma outra mulher em suas casas até por conta do medo do assédio”, avalia Jessica.

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