As mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço no campo e já são responsáveis pela gestão de cerca de 4.500 propriedades rurais no Espírito Santo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse cenário também se reflete em propriedades como a de Poliana Melotti, na zona rural de Colatina, no Noroeste do Estado.
A agricultora cria cerca de 500 galinhas que produzem, em média, 380 ovos por dia. As aves são criadas soltas, com cuidados que envolvem desde a alimentação até o bem-estar. "Elas podem sair para ciscar. Não usamos antibióticos porque prezamos pelo bem-estar dos animais e pelo nosso também, porque comemos o que é produzido por elas", contou.
Além da presença cada vez maior no campo, as mulheres vêm ampliando a participação em cursos voltados ao agronegócio. No campus Itapina do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), a maioria dos estudantes é formada por mulheres.
A pedagoga da instituição Elisângela Madeiraafirmou que a presença feminina em cursos como Agronomia e Zootecnia aumentou nos últimos anos.
"Bem no início, majoritariamente era o público masculino dominando esses cursos. Essa realidade vem mudando ao longo dos anos. Hoje, 58% dos estudantes do campus são mulheres", disse.
A estudante de Zootecnia Kailany Morosini será a primeira da família a concluir um curso superior e já faz planos para o futuro. "É como se eu estivesse vivendo um sonho. É muito legal aprender tudo que o produtor precisa fazer para o alimento chegar às nossas casas", contou.
Outra estudante do instituto, Andressa Sian, também sonha em crescer profissionalmente dentro agronegócio e destaca a importância de reconhecer o trabalho das mulheres no campo.
"As mulheres que moram na roça não somente cuidam da casa. Elas ajudavam a apanhar um pouco de café e muito mais. Mulheres que estavam participando deste processo mas que não eram muito reconhecidas", destacou.
*Com informações do repórter Enzo Teixeira, da TV Gazeta