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Morte de chefe da Guarda de Vitória une agentes do ES em apelo contra feminicídio

Morte de chefe da Guarda de Vitória une agentes do ES em apelo contra feminicídio

Agentes de diferentes corporações do Estado fazem campanhas nas redes sociais contra a violência após assassinato de comandante Dayse, vítima de feminicídio

Gabriela Maia

Estagiária / [email protected]

Publicado em 24 de março de 2026 às 19:41

Nas redes sociais, as mulheres da corporação exibiram cartazes com frases que mostram a violência de gênero

A morte da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, vítima de feminicídio em pleno mês das mulheres, mobilizou mulheres e homens das forças de segurança no Espírito Santo no combate à violência de gênero. Em meio às homenagens à agente que lutou pela segurança na Capital, integrantes das guardas de outros municípios capixabas usaram as redes sociais para conscientizar a população quanto à importância de unir forças contra atitudes machistas que podem levar ao feminicídio.

Por meio de vídeos, os agentes das guardas da Serra, de Linhares e Anchieta expuseram frases ditas por agressores dentro do ciclo da violência doméstica, como forma de encorajar vítimas e testemunhas a quebrarem o silêncio e denunciarem esses crime.

Nas redes sociais da Guarda Civil Municipal da Serra, um vídeo (veja acima) divulgado na segunda-feira (23), após o assassinato da comandante Dayse, morta pelo ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. A publicação mostra guardas enfileiradas exibindo cartazes com frases que indicam abuso, intimidação e controle na relação. Entre as mensagens exibidas que reforçam a violência de gênero estão:

  • “Apaga essa foto, eu não gostei”; 
  • “Você sabe que tenho ciúmes porque me importo”; 
  • “Mulher minha não precisa trabalhar”; 
  • “Se você me deixar eu não sei o que eu faço”; 
  • “Eu só quero te proteger”; 
  • “Eu só gritei porque você me tirou do sério”; 
  • “Se você me denunciar, o que vai ser dos nossos filhos?”; 
  • “Você apanhou porque me provocou”; 
  • “Se denunciar, vai acabar com a carreira dele”; 
  • “Olha a roupa que você vai usar”.

Ao fim da exibição, cada cartaz com as frases abusivas era rasgada pela agente que a segurava, para demonstrar que aquela mensagem não pode ser tolerada. "Diante da forma mais extrema da violência de gênero, não há espaço para omissão. A Guarda Civil Municipal da Serra reafirma seu compromisso com a proteção da vida e o enfrentamento ao feminicídio", diz o texto publicado junto ao vídeo no Instagram.

Linhares

Em Linhares, o vídeo (veja abaixo) foi produzido pela corporação também em homenagem à comandante Dayse. "Nossos sentimentos aos familiares e amigos da comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória Dayse Barbosa e de todas as mulheres capixabas e linharenses vítimas da violência", diz o texto da legenda.

Publicação busca encorajar vítimas e testemunhas a quebrarem o silêncio e denunciarem agressores

No vídeo, integrantes masculinos da guardas exibem e, a seguir, rasgam cartazes contendo frases ditas em ambiente de violência doméstica, como:

  • "Foi só um tapa";
  • "Quem manda aqui sou eu"
  • "Isso não é violência, foi só uma discussão de casal"; 
  • "Aqui não é lugar de mulher"; 
  • "Quem manda aqui sou eu"; 
  • "Se não fosse eu, você não seria ninguém"; 
  • "Se você denunciar, vai acabar com a carreira dele!"; 
  • "Ela apanha porque gosta".

Ao fim do vídeo, as mulheres da corporação exibem mensagens como "a culpa não é sua" e "você é capaz". Na publicação, a  legenda reforça: "Nenhuma mulher deve se calar diante do desrespeito. Você é capaz, merece ser ouvida e viver com dignidade".

"Mulher, não se cale. Você merece todo o nosso respeito. A Guarda Civil está a sua disposição. Ligue e denuncie: 153", encerra o vídeo, de forma a encorajar todos a denunciarem os casos de violência contra a mulher.

Anchieta

Em Anchieta, o vídeo (veja abaixo) foi protagonizado pelos homens da corporação, em alusão ao mês das mulheres. A gravação contou com a participação de agentes da Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal. Na legenda da postagem, as forças de segurança do município destacam que as frases mostradas no vídeo não podem ser interpretadas como brincadeira.

"A mensagem destaca que a violência não é opinião, nem piada, e que combatê-la começa com atitudes individuais, reforçando o papel das instituições na repressão, conscientização e prevenção', diz a publicação.

Oficiais das forças de segurança de Anchieta publicam vídeo em combate à violência contra a mulher

Entre as frases abusivas exibidas no vídeo, estão: "Só pode estar de TPM"; "Isso não é trabalho de mulher"; "Você precisa de um homem que te coloque no lugar"; "Se não for minha não será de mais ninguém"; "Se apanhou, é porque provocou". 

Denuncie

Em caso de emergência, acione o 190.  Para acionar a Guarda Civil Municipal, o número é o 153. Se precisar pedir medidas de proteção e denunciar os abusos e as violências, procure o Centro de Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cramsv) ou uma Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher. O canal 180 também está disponível 24 horas para registrar denúncias anônimas.

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