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Seminário internacional

Como mulheres indígenas, quilombolas e ciganas podem transformar as escolas

Com especialistas do Brasil e do exterior, debate na Ufes traz a sabedoria dos povos originários e tradicionais para o centro da educação infantil

Publicado em 27 de Julho de 2026 às 11:05

Larissa Cors

Publicado em 

27 jul 2026 às 11:05

Criar filhos, sustentar comunidades e resistir, ao mesmo tempo, à violência, ao apagamento cultural e ao esquecimento do Estado faz parte da rotina de muitas mulheres capixabas.


De 12 a 15 de agosto, a Ufes coloca este debate no centro do II Seminário Internacional "Tecendo Mundos e Esperanças: Infâncias e Mulheres de Muitos Territórios pelo Bem Viver".

Tecendo mundos e esperanças: infâncias, mulheres de muitos territórios pelo "Bem Viver" Divulgação

O tema nasceu de uma experiência concreta da coordenadora geral do evento, a professora doutora Rosali Siller, com crianças de imigração pomerana nas comunidades rurais de Santa Maria de Jetibá, no interior do Espírito Santo. "Encontrei crianças que chegavam à escola falando só pomerano, e isso mostrou o distanciamento entre o currículo escolar e os saberes dessas comunidades", disse a professora.

Foi para mudar essa realidade e levar a língua materna e os saberes ancestrais para dentro da sala de aula que nasceu uma grande rede de pesquisas. O foco em criar um currículo intercultural e bilíngue orientou estudos de mestrado e pós-doutorado de Rosali na Ufes, na Unicamp e na Università degli Studi di Firenze, na Itália, culminando na criação do Grupo de Estudos sobre Infâncias, Mulheres, Migração e Diversidade linguístico-cultural e Interculturalidade (GEPIMDI).

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Seminário internacional

A ideia do seminário é ouvir mulheres de povos do campo, das águas e das florestas, indígenas, quilombolas, ciganas, de terreiro, migrantes e refugiadas sobre como criam suas crianças e sustentam seus territórios, e fazer isso em pé de igualdade com pesquisadoras e pesquisadores de universidades brasileiras e de países como Argentina, Cabo Verde e Itália.


O evento acontece em conjunto com o II Seminário Regional do Curso de Especialização em Docência na Educação Infantil – Polo Sudeste II, parceria da Ufes com a Unifesp e a UFSCar, e deve resultar em anais digitais, com possibilidade de virar livro.

O nome vem do "Bem Viver", conceito de povos indígenas e tradicionais da América Latina que troca o acúmulo pelo equilíbrio entre pessoas, natureza e cultura.


Na educação infantil, isso significa questionar uma escola pensada para um só tipo de criança e abrir espaço para aquelas que crescem em áreas rurais, terreiros, acampamentos ciganos ou em deslocamento forçado.

O seminário traz esses questionamentos em mesas com diferentes focos: a educação escolar indígena e quilombola, a infância cigana, a migração e o refúgio, a agroecologia, a memória e o patrimônio cultural, tecnologias digitais na escola.

Como participar?

As inscrições seguem abertas até 12 de agosto, mesma data de abertura do seminário. Interessados em apresentar um trabalho tem até 2 de agosto (domingo) para submetê-lo.

Estarão presentes educadoras da rede pública, estudantes de pedagogia e representantes de movimentos sociais. As inscrições seguem abertas (acesse), com valores que variam de R$ 35 a 80.

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