Espaços culturais, mesmo os de pequeno porte, são uma demanda que nunca foi plenamente atendida no Estado. Enquanto classe artística e produtores culturais têm nessa pauta uma reivindicação histórica, paralelamente o desafio da formação de público também esteve intrinsecamente ligado a essa escassez.
Nesse contexto, a ausência de um aparelho cultural como o Teatro Carlos Gomes é dolorosamente sentida. Em dezembro, completaram-se dois anos desde o seu fechamento para reparos.
Em entrevista a este jornal, publicada na última edição impressa de fim de semana, o secretário Estadual de Cultura, Fabrício Noronha, afirmou que o teatro receberá uma ação de restauro estrutural que ainda depende da contratação de um projeto, mas já com a expectativa de reabertura até o fim do ano.
É um compromisso que exigirá esforço da pasta, visto que não há previsão orçamentária. À coluna de Rafael Braz, o secretário informou, em outubro, que assim que o projeto estiver em mãos será feita uma suplementação para a realização da obra.
O Carlos Gomes, inaugurado em 1927, completou 93 anos no último domingo (5). Com capacidade para mais de 450 pessoas, é uma estrutura adequada para espetáculos teatrais, musicais e audiovisuais de médio porte.
Nessa longa jornada, já passou por algumas reformas, uma das mais relevantes realizadas em 1969. E, como um patrimônio tombado pelo Conselho Estadual de Cultural, continuará exigindo um zelo do poder público por gerações.
A falta do teatro talvez seja mais sentida pela limitação de espaços culturais na Grande Vitória. O último grande investimento em cultura nesse sentido encontra-se encalhado na Enseada do Suá. O Cais das Artes surgiu com grandes expectativas de se tornar um ancoradouro para os grandes espetáculos. Doze anos depois, mais parece um navio-fantasma.
O governador Renato Casagrande informou que pendências judiciais devem se resolver em 2020, e a obra retomada. É esperar para ver. E cobrar.
São esses aparatos, associados a políticas públicas, que podem proporcionar o acesso à cultura a mais pessoas. Teatros e centros culturais não são itens supérfluos: lado a lado com a educação, desenvolvem a sensibilidade, solidificam uma formação mais humana e o espírito crítico. São uma fortaleza para a cidadania. Além, é claro, de serem ambientes de diversão e lazer.
Com o Teatro Carlos Gomes de portas fechadas, só resta a melancolia.