Um dos maiores movimentos dos últimos anos foi o de trabalhadores que passaram a fazer do transporte de passageiros por aplicativo uma fonte de renda. Agora, os motoristas de aplicativo estão indo além e já aproveitam para vender produtos durante as viagens, transformando os carros em lojas como forma de aumentar o faturamento.
É o caso de Célio Oliveira, cujo dia começa de madrugada, às 4h. Ele sai de casa e já dá início às viagens por aplicativo. Às 9h, volta para casa, mas o trabalho continua. A produção de doces junto com a esposa, confeiteira profissional, também é uma das principais fontes de renda da família. Com tudo pronto, Célio volta para as corridas, agora com o carro carregado de produtos para serem oferecidos aos passageiros.
“Só de doce aqui eu vendo R$ 1,5 mil. Em algumas corridas de R$ 10, consigo vender R$ 30 ou R$ 40 só de doce. Então, ajuda bastante”, diz Célio.
A rotina exige esforço, mas tem valido a pena. “O que eu tiro hoje é três a quatro vezes mais do que ganhava antes, mesmo trabalhando o mesmo tempo”, afirmou.
Célio saiu do regime CLT após problemas de saúde, dedicando-se a ajudar com o negócio da esposa. Após 5 anos, decidiu começar a trabalhar como motorista de aplicativo e viu a oportunidade de aumentar os lucros vendendo os doces da companheira durante as corridas.
“Com esse dinheiro das vendas, a gente não mexe o nosso salário mais. Conta de água, luz, prestações, plano de saúde, tudo isso nós pagamos com esses doces que eu vendo no carro”, reforça.
Corrida com um sabor de família
Quem entra no carro de Ewandro de Menezes, motorista de aplicativo há mais de quatro anos, surpreende-se com mais do que um bom atendimento: à disposição do passageiro estão biscoitos amanteigados feitos artesanalmente. A ideia nasceu de forma inesperada, a partir de um pedido da esposa para preparar os aperitivos usando uma receita de família. O resultado surpreendeu amigos e vizinhos, que o incentivaram a transformar o talento em fonte de renda. “Hoje eu não saio para dirigir se não tiver biscoito pronto”, conta.
O que era para ser apenas um gesto simbólico virou negócio e hoje já representa uma renda semanal de até R$ 2 mil.
Ainda na infância, Ewandro aprendeu a fazer biscoitos na fábrica da família, em Vitória, onde atuava como masseiro desde os 12 anos. A produção é toda feita de forma artesanal na cozinha de casa, com ajuda da esposa. Eles fabricam entre 200 e 220 pacotes por semana, vendidos dentro do carro e também por outros dois motoristas parceiros.
Para Ewandro, o mais gratificante tem sido ver o produto familiar ganhar novos espaços e garantir um faturamento que, sozinho, já supera a renda do aplicativo. “Eu passo de três a quatro dias na semana produzindo (os biscoitos), que ainda faço em casa. Depois de pronto, saio para vender e vou transportando e oferecendo aos meus passageiros. Boa parte deles compra dentro do carro. Assim a gente vai conquistando os clientes”, relata.