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Construção civil

Novos portos e fábrica da GWM vão aquecer mercado imobiliário do ES

Especialistas afirmam que projetos como a fábrica de veículos em Aracruz e o Porto Central, em Presidente Kennedy, devem criar novos polos de desenvolvimento e impulsionar a demanda por moradias, condomínios logísticos e empreendimentos comerciais

Publicado em 08 de Julho de 2026 às 20:37

Nicoly Reis

Publicado em 

08 jul 2026 às 20:37
Painel “Diálogos” debate efeitos da Reforma Tributária na economia capixaba
Painel “Diálogos” debate efeitos da Reforma Tributária na economia capixaba Ricardo Medeiros

Os investimentos bilionários previstos para o Espírito Santo, como a instalação da fábrica da montadora chinesa Great Wall Motor (GWM) em Aracruz e a implantação de novos complexos portuários no Norte e no Sul do Estado, devem abrir um novo ciclo de expansão do mercado imobiliário capixaba. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (8), durante o painel "Taxa de juros: para onde vai a economia?", evento do projeto Diálogos promovido por A Gazeta na Feira ES Construção.


Embora o debate tenha sido centrado nos impactos da taxa básica de juros, o consenso entre os participantes foi de que os grandes projetos industriais previstos para os próximos anos têm potencial para compensar parte dos efeitos negativos do crédito caro.


Para o presidente da Ademi-ES, Alexandre Schubert, Aracruz já aparece como o principal polo dessa transformação, mas o Sul do Estado deve seguir o mesmo caminho com o avanço do Porto Central.


"Aracruz deve ser a bola da vez nos próximos anos", afirmou. Segundo ele, a chegada da GWM exigirá não apenas novas moradias, mas também uma ampla estrutura de apoio para fornecedores e empresas que orbitam grandes plantas industriais.

Schubert ressaltou que experiências de outras montadoras mostram que o entorno das fábricas costuma concentrar muito mais atividade econômica do que a própria operação principal. "Esses negócios satélites normalmente significam 70% a mais de área do que a operação-mãe", explicou. 

Na avaliação dele, essa dinâmica deve impulsionar principalmente condomínios logísticos, galpões industriais e empreendimentos comerciais, além do mercado residencial.


Alexandre também alertou que os municípios precisam se preparar rapidamente para receber essa nova demanda. De acordo com ele, cidades como Aracruz e Presidente Kennedy terão de revisar planos diretores, agilizar licenciamentos e combater a especulação imobiliária para evitar que o aumento do preço dos terrenos inviabilize novos investimentos.

Portos devem atrair novas indústrias

Durante o painel, Schubert afirmou que os novos portos não devem funcionar apenas como estruturas de movimentação de cargas, mas também como polos industriais capazes de atrair fábricas e empresas fornecedoras.

Esses portos não vão ser operações só de transporte. Muito provavelmente vão significar a implantação de inúmeras unidades fabris dentro dessas áreas portuárias e no entorno

Alexandre Schubert Presidente da Ademi-ES

Na mediação do debate, o colunista de Economia e Negócios de A Gazeta, Abdo Filho, destacou que tanto o porto de Aracruz quanto o Porto Central nascerão com características voltadas para se tornarem hubs logísticos nacionais e até continentais, ampliando a capacidade de atração de empresas.

Juros altos ainda preocupam

Painel “Diálogos” debate efeitos da Reforma Tributária na economia capixaba
Alexandre Schubert durante o painel “Diálogos” debate efeitos da Reforma Tributária na economia capixaba Ricardo Medeiros

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Apesar do cenário positivo para o Estado, Schubert avalia que a taxa de juros continuará sendo um dos principais desafios para o setor imobiliário. Para ele, o financiamento é "a engrenagem" do mercado e, com o custo do capital elevado, muitos projetos deixam de ser viáveis economicamente.


Para o economista Felipe Storch, o cenário macroeconômico ainda deve permanecer desafiador. Ele afirmou que o país deve continuar convivendo com crescimento econômico modesto, inflação resistente e juros elevados por mais tempo do que o mercado esperava.


Na avaliação do economista, mesmo em um cenário bastante favorável, a Selic dificilmente retornaria ao patamar de um dígito antes do fim de 2027, sendo mais provável permanecer acima desse nível. Entre os fatores que dificultam a queda dos juros estão o desequilíbrio fiscal e a piora das expectativas de inflação.

Mercado resiste graças ao emprego e ao crédito subsidiado

Mesmo com a Selic elevada, Storch explicou que o mercado imobiliário continua aquecido porque diferentes segmentos reagem de maneiras distintas ao custo do crédito.

Painel “Diálogos” debate efeitos da Reforma Tributária na economia capixaba
Felipe Storch durante o painel “Diálogos” debate efeitos da Reforma Tributária na economia capixaba Ricardo Medeiros

Segundo ele, o programa Minha Casa, Minha Vida sustenta boa parte da demanda popular por meio de financiamentos subsidiados, enquanto compradores de imóveis de alto padrão dependem menos de crédito. Já a classe média, segundo o economista, é a faixa que mais sente os efeitos dos juros elevados.

Além disso, fatores como o baixo desemprego, o aumento da renda das famílias e mudanças demográficas, como o envelhecimento da população, continuam sustentando a procura por imóveis.


Para Storch, embora o ambiente econômico siga desafiador, o Espírito Santo reúne condições para aproveitar uma nova onda de investimentos produtivos. "Olhando para a economia, a gente precisa construir cenários e se preparar para esses futuros que podem acontecer", concluiu.

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