Editor do Se Cuida / [email protected]
Publicado em 29 de outubro de 2025 às 08:00
A psoríase é uma doença inflamatória que afeta a pele, causando lesões avermelhadas e descamativas. Embora não tenha cura, a condição pode ser controlada com tratamento adequado, o que melhora a qualidade de vida do paciente. No país, cerca de 5 milhões de brasileiros convivem com a condição, enquanto globalmente o número ultrapassa 125 milhões. O Dia Mundial da Psoríase, celebrado em 29 de outubro, é uma oportunidade para ampliar a conscientização e reforçar a importância do cuidado adequado.>
A dermatologista Pauline Lyrio diz que a condição não é contagiosa e de origem autoimune. "São as próprias células de defesa do corpo que 'atacam' a pele por engano. Isso faz com que a renovação da pele, um processo que normalmente leva cerca de 30 dias, aconteça de forma acelerada, em apenas três ou quatro dias. Esse acúmulo de células que não tiveram tempo de amadurecer e morrer forma as placas que a gente vê".>
O sintoma mais clássico são as placas avermelhadas, espessas, um pouco elevadas e cobertas por escamas brancas ou prateadas, que se soltam com facilidade. "Elas podem coçar intensamente, arder e até doer, dependendo da intensidade da inflamação". >
Pauline Lyrio
DermatologistaA médica diz que a doença tem seus "lugares preferidos". Os mais comuns são os cotovelos, joelhos, o couro cabeludo e a região lombar (bem no finalzinho das costas). "Mas, na prática, ela pode aparecer em qualquer parte do corpo: rosto, palmas das mãos, solas dos pés, dentro do umbigo, na região genital... até nas unhas, deixando-as mais grossas e com pequenas depressões". >
>
A dermatologista Renata Bortolini conta que é uma doença autoinflamatória da pele, na qual por predisposição genética, junto com fatores ambientais ou de comportamento, causam o aparecimento de lesões na pele mas que também podem afetar cabelos, unhas e articulações.>
É uma doença é cíclica, ou seja, apresenta sintomas que desaparecem e reaparecem periodicamente. Pode apresentar lesões de pele, alterações ungueais, capilares e articulares. "O local mais comum das placas de psoríase são cotovelos e joelhos", diz Renata.>
Renata Bortolini
DermatologistaPrincipais formas de manifestação:
Psoríase em placas: placas vermelhas cobertas por escamas prateadas (forma mais comum)
Psoríase gutata: pequenas lesões em forma de gota
Psoríase inversa: acomete dobras da pele, como axilas e virilha
Psoríase pustulosa: pústulas cheias de pus
Psoríase eritrodérmica: forma rara e grave, com grandes áreas de vermelhidão e descamação intensa.
Segundo a dermatologista Elisabeth Lima, o diagnóstico da psoríase é clínico, ou seja, feito com base na avaliação visual e na história do paciente. “Em algumas situações específicas, quando há necessidade de diferenciar a doença de outras condições dermatológicas, pode ser indicada a realização de uma biópsia de pele”, explica. >
O diagnóstico precoce é fundamental, pois a psoríase pode evoluir e estar associada a outras morbidades ao longo do tempo. “Quanto mais tempo o paciente permanece sem tratamento adequado, maiores são os riscos de desenvolver complicações e incapacidades — sejam elas psicológicas, vasculares, articulares, oculares ou intestinais. Identificar a doença precocemente permite controlar a inflamação e reduzir o risco de problemas mais graves, como doenças cardiovasculares e acidentes vasculares cerebrais, que são mais frequentes em pessoas com psoríase”, alerta.>
Por ser uma doença com lesões visíveis, ela pode comprometer o psicológico e a autoestima do paciente. Segundo a dermatologista, alguns pacientes lidam bem emocionalmente, mesmo com áreas extensas de lesões, enquanto outros, mesmo com pequenas áreas afetadas, como as unhas, podem se sentir profundamente impactados.>
Elisabeth Lima
DermatologistaA doença tem tratamento e pode ser controlada. A escolha depende do tipo e da gravidade, além das condições de saúde de cada paciente. “Nos casos leves, são utilizados medicamentos tópicos, como cremes ou pomadas que reduzem inflamação e descamação. Para formas moderada a grave, o tratamento é sistêmico, podendo envolver medicamentos convencionais ou terapias biológicas. Os biológicos são medicamentos mais modernos que atuam diretamente no sistema imunológico, bloqueando moléculas que causam a inflamação da psoríase, oferecendo maior controle das lesões e melhora na qualidade de vida”.>
Renata Bortolini conta que o tratamento depende na maior parte das vezes da extensão do quadro e pode variar entre medicações orais ou apenas cremes aplicados diretamente sobre as lesões. "Normalmente é aconselhado o uso de cremes hidratantes que costumam suavizar o aspecto descamativo das lesões".>
A médica explica ainda que alguns pacientes apresentam o fenômeno de Koebner e notam o surgimento de novas lesões em locais onde sofreram cortes ou feridas na pele, e uma minoria apresenta o fenômeno de Renbök onde feridas no local da psoríase levam a melhora clínica naquela região.>
Pauline Lyrio diz que a doença pode ser controlada, podendo o paciente viver com a pele limpa e sem lesões. "O tratamento é individualizado. Para casos leves, usamos cremes e pomadas específicas. Para casos mais extensos, podemos indicar a fototerapia (banhos de luz ultravioleta controlados em cabines especiais) ou medicamentos de tomar por via oral", diz. E para os casos mais graves, hoje já está disponível a maior revolução: os medicamentos imunobiológicos. "São injeções que agem de forma muito específica no ponto exato da inflamação, trazendo resultados fantásticos e com muita segurança".>
A hidratação constante é uma das principais aliadas no controle da psoríase. "O hidratante ajuda a 'cimentar' essas falhas. Ele melhora a barreira de proteção da pele, alivia a coceira, diminui a descamação e ajuda os medicamentos em creme a penetrarem melhor. É indispensável a hidratação cutânea diária", finaliza Pauline.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta