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Por que mulheres têm mais risco de osteoporose? Médico explica

Por que mulheres têm mais risco de osteoporose? Médico explica

A doença é caracterizada pela perda de massa e qualidade óssea, o que enfraquece a estrutura interna dos ossos e aumenta o risco de fraturas

Alice Trindade

Residente em Jornalismo / [email protected]

Mayhan Araujo

Residente em Jornalismo / [email protected]

Publicado em 21 de outubro de 2025 às 09:00

osteoporose
O alerta é para uma condição que costuma se desenvolver de forma silenciosa e que atinge, principalmente, as mulheres Crédito: Shutterstock/ PeopleImages

A osteoporose é uma doença que torna os ossos mais fracos e porosos devido à perda progressiva de massa óssea, o que aumenta significativamente o risco de fraturas. Muitas vezes, é uma condição silenciosa e só é descoberta após a ocorrência de uma fratura, geralmente no quadril, punho ou coluna. A doença afeta milhões de pessoas no mundo todo e o alerta é para uma condição que costuma se desenvolver de forma silenciosa e que atinge, principalmente, as mulheres.

Segundo a International Osteoporosis Foundation (IOF), uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos em todo o mundo pode ter uma fratura osteoporótica. A osteoporose é caracterizada pela perda de massa e qualidade óssea, o que enfraquece a estrutura interna dos ossos e aumenta o risco de fraturas.

“O osso tem uma espécie de colmeia de traves fibrosas. Com o tempo, essas traves vão se enfraquecendo e o osso perde arquitetura e resistência”, explica o endocrinologista Mario Sergio Zen, do Hospital das Clínicas da Ufes.

Segundo o médico, a doença é mais comum entre mulheres devido a fatores hormonais e biológicos. “Os homens formam mais massa óssea na adolescência, cerca de 25% a mais que as mulheres. Além disso, a mulher tem uma queda súbita do estrogênio na menopausa, o que reduz a proteção óssea. Já o homem mantém uma produção mais gradual de testosterona, que também é convertida em estrogênio e ajuda a proteger os ossos”, diz.

Fatores de risco

Para o público feminino, a menopausa é o principal fator de risco, mas há outros aspectos que podem contribuir para o desenvolvimento da osteoporose. Entre eles, cirurgia bariátrica, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, tabagismo, uso prolongado de corticoides e uma alimentação pobre em cálcio e vitamina D.

Mario Sergio Zen, Endocrinologista
O endocrinologista Mario Sergio Zen explica como cuidar da condição Crédito: Divulgação/Mario Sergio Zen

Se a mulher passou a vida sem se expor ao sol, sem fazer atividade física e sem consumir alimentos ricos em cálcio, ela chega à menopausa com uma massa óssea baixa e tende a perder ainda mais

Mario Sergio Zen

Endocrinologista

A faixa etária de maior incidência da doença costuma ser por volta dos 65 a 70 anos, mas isso não descarta a possibilidade de uma pessoa mais jovem ser acometida pela doença.

O médico ressalta que quem não tem pico de massa óssea, sofre de alguma doença reumatológica, doença hepática ou faz o uso contínuo de Glicocorticoide tem alta possibilidade de desenvolver osteoporose. Logo, é importante se cuidar desde cedo já que pode ser um fator de risco para qualquer idade. Ele também chama a atenção para mitos que correm no senso comum e podem prejudicar bons hábitos. “Tem circulado a ideia de que leite é inflamatório, mas não existe nenhuma evidência científica sobre isso. O leite e seus derivados são importantes fontes de cálcio para a saúde dos ossos”, afirma o médico.

Atenção ao diagnóstico

A osteoporose é uma doença assintomática, logo, na maioria dos casos, o diagnóstico só ocorre após uma fratura. “A pessoa vai perdendo estatura e acha que é parte do envelhecimento natural. Muitas vezes, essas pequenas fraturas nas vértebras passam despercebidas”, relata o endocrinologista.

É importante também ter atenção a episódios de quedas, que podem parecer insignificantes a princípio. O médico relata muitos casos de pacientes que só descobrem fraturas tardiamente: “Às vezes você faz uma radiografia na paciente porque ela está com pneumonia, com os resultados observa que ela tem uma vértebra fraturada. Então ela fala que só caiu e bateu a bunda no chão, sem sentir dores. Se ela não sentiu nada mas fraturou uma vértebra, isso pode ser um sinal de osteoporose”, ressalta Mario.

Por isso, ele reforça a importância dos exames preventivos. Dessa forma, é indicado que toda mulher acima de 65 anos e todo homem acima de 70 deve fazer uma densitometria óssea. Já quem tem fatores de risco, como tabagismo, uso de corticoides ou doenças crônicas, deve fazer o exame antes, a partir dos 50 anos.

Prevenção

Os cuidados para evitar a osteoporose devem começar cedo. Logo, é fundamental manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente, evitar o álcool e o cigarro e garantir uma boa exposição solar, que ajuda na produção de vitamina D. Além disso, é importante cuidar.

Nos casos em que a doença já está instalada, o tratamento envolve mudanças de estilo de vida, suplementação e medicamentos específicos. “Temos drogas que reduzem a reabsorção óssea e outras que estimulam a formação de novos ossos. A escolha depende do perfil de cada paciente”, esclarece o endocrinologista.

Também é importante pensar no planejamento do ambiente, uma forma de garantir uma melhor mobilidade e acessibilidade dentro da própria residência. Para isso, é preciso investir em barras de apoio no banheiro, além de evitar móveis com quinas pontiagudas e tapetes espalhados pela casa, por exemplo. 

Ele alerta ainda para as consequências graves das fraturas, especialmente aquelas localizadas na região do quadril. “Cerca de 20% das pessoas que sofrem fratura de fêmur morrem no primeiro ano após o acidente. Entre as que sobrevivem, boa parte perde a autonomia. A osteoporose, portanto, não é apenas uma questão estética ou de envelhecimento, mas de qualidade e expectativa de vida”, destaca.

Saiba o que fazer

Para o médico, o maior desafio é a falta de informação. “Enquanto doenças como o câncer de mama e a hipertensão têm campanhas bem estruturadas, a osteoporose ainda é pouco divulgada. É uma doença que mata, incapacita e gera custos enormes para o sistema de saúde, mas ainda não tem o mesmo espaço de debate”, critica.

Ele ressalta para as mulheres a importância de ter um estilo de vida saudável desde cedo, independentemente da idade. Estar atento aos sinais e se prevenir pode ser o melhor tipo de tratamento. "O cuidado com a saúde óssea deve começar cedo. Praticar atividades físicas regularmente, manter uma alimentação rica em cálcio e realizar exames preventivos podem reduzir os riscos da doença e garantir um envelhecimento com mais qualidade de vida", finaliza o médico. 

*Este conteúdo é uma produção do 28º Curso de Residência em Jornalismo. A reportagem teve orientação e edição do editor Guilherme Sillva.

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