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Publicado em 23 de julho de 2025 às 09:00
O Brasil registrou em 2024 mais de 701 mil internações por pneumonia, segundo dados do DataSUS. O número representa um aumento de 5% em relação ao ano anterior e acende um alerta importante para um tipo específico da doença: a chamada pneumonia silenciosa. Menos evidente, esse tipo atípico da infecção afeta principalmente crianças e idosos e pode evoluir rapidamente, já que os sintomas são discretos e muitas vezes confundidos com gripes ou resfriados. >
A pneumonia silenciosa é uma infecção pulmonar que se desenvolve de forma mais lenta e com sintomas leves ou pouco característicos. Ao contrário da pneumonia típica, que causa febre alta, tosse produtiva e dor no peito, a versão silenciosa pode ocorrer com febre baixa ou ausente, tosse seca persistente, cansaço, chiado no peito e dificuldade para se alimentar, especialmente em crianças. Em idosos, pode gerar apenas fraqueza ou confusão mental, o que dificulta ainda mais o reconhecimento da doença.>
Segundo a pneumologista Edina Fassarella, da Unimed Sul Capixaba, a forma silenciosa da pneumonia costuma ser causada pelos mesmos agentes infecciosos que provocam a doença mais conhecida, como as bactérias Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae, além de alguns vírus respiratórios, incluindo o influenza e o coronavírus. >
Edina Fassarella
PneumologistaO diagnóstico é feito a partir de avaliação clínica, exames de imagem como a radiografia de tórax e, em alguns casos, exames laboratoriais. Justamente por apresentar sintomas mais brandos, a pneumonia silenciosa pode ser identificada apenas quando o quadro já está avançado. "Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves, como insuficiência respiratória, necessidade de internação em UTI e até morte", diz a médica.>
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A médica reforça que a prevenção continua sendo a melhor estratégia. “Manter o esquema vacinal atualizado, higienizar as mãos com frequência, usar máscara em ambientes fechados e evitar o contato com pessoas gripadas são medidas simples e eficazes”, afirma. A vacina pneumocócica, disponível gratuitamente pelo SUS para grupos prioritários, protege contra os principais agentes causadores da pneumonia comum e continua sendo indicada.>
O tratamento da pneumonia silenciosa depende do agente causador, mas geralmente envolve o uso de antibióticos, repouso, hidratação e monitoramento médico. Em casos mais graves, pode ser necessário o uso de oxigênio suplementar e internação hospitalar. De acordo com Edina Fassarella, quanto mais cedo o tratamento for iniciado, maiores são as chances de recuperação sem complicações.>
A pneumologista Dyanne Moyses Dalcomune, do Hospital Santa Rita, diz que pacientes relatam inicialmente um quadro gripal comum. “No entanto, mesmo após cerca de dez dias, persistem sinais sutis como cansaço prolongado e tosse seca - sintomas muitas vezes atribuídos ao fim da gripe. O que muitos não percebem é que esses indícios já podem ser o desenvolvimento de uma pneumonia”, explica. >
Na maioria dos casos, segundo a pneumologista, os sintomas são leves, atípicos ou praticamente inexistentes nas fases iniciais da doença. “Essas características dificultam a identificação precoce do problema, atrasando o início do tratamento adequado, aumentando, significativamente, as possibilidades de complicações”, enfatiza.>
A especialista ressalta que em pessoas com imunidade comprometida e nos idosos a resposta inflamatória do organismo também irá influenciar na manifestação da doença. >
Dyanne Moyses Dalcomune
PneumologistaApesar de se confundirem com resfriado ou indisposição leve, há sintomas que são mais frequentes nesses casos. Dyanne Moyses Dalcomune cita o cansaço ou fraqueza persistentes, o desconforto torácico leve, falta de ar - que muitas vezes é ignorada -, tosse seca ou quase inexistente, além da queda na saturação de oxigênio - normalmente, detectável apenas pelo oxímetro. “No entanto, há casos mais avançados da doença em que o paciente pode apresentar confusão mental e dificuldades respiratórias graves”, observa.>
O cirurgião torácico Dieferson Gomes, do Hospital São José, relata que a pneumonia é uma infecção pulmonar que compromete os alvéolos, que são pequenas estruturas responsáveis por captar oxigênio que respiramos. Quando inflamados, esses alvéolos se enchem de secreções, dificultando a respiração e comprometendo a oxigenação do organismo. “O pulmão possui sua própria flora bacteriana, ou seja, microorganismos que convivem normalmente com o corpo. A pneumonia pode ocorrer quando há desequilíbrio dessa flora ou quando agentes externos, como bactérias ou vírus, invadem os pulmões”, explica. >
O diagnóstico é feito com base em uma avaliação clínica e, quando necessário, com exames complementares. A ausculta pulmonar para identificar ruídos respiratórios anormais é um importante exame físico a ser realizado. “O médico escuta o pulmão com o estetoscópio e pode identificar sons anormais, como chiados ou crepitações que sugerem presença de secreção ou inflamação. Além da ausculta, observamos frequência respiratória, coloração da pele - palidez ou cianose -, sinais de esforço respiratório, entre outros”, diz o médico. >
Ele acrescenta ainda que é possível se fazer radiografia de tórax para confirmar a presença de infiltrados, consolidações ou outras alterações nos pulmões. “Nem sempre é necessário realizar todos os exames, especialmente em quadros leves ou em crianças, em que a avaliação clínica costuma ser suficiente.” >
Identificar precocemente a doença evita a progressão para estágios mais graves, como insuficiência respiratória ou sepse - infecção generalizada que leva à morte. Assim como toda enfermidade, a prevenção é sempre o melhor a se fazer. “Manter o calendário vacinal em dia, fazer a higiene das mãos, usar máscaras em locais com risco de infecção respiratória são cuidados que minimizam as chances de contrair a doença, além de evitar o tabagismo - que compromete a defesa pulmonar”, conclui Dieferson Gomes.>
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