Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 14:30
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, no mês de setembro de 2025, os dados mais recentes sobre a hanseníase no mundo, referentes ao ano de 2024. O Brasil segue como um dos três países que mais concentram casos novos da doença. No total, foram 22.129 novos casos em 2024, uma queda de2,8% em relação a 2023(22.773 casos) em território nacional. Apesar da redução, o país permanece como o segundo com maior número absoluto de notificações, atrás apenas da Índia, que somou100.957 novos casos. >
Embora o avanço seja significativo, os números reforçam que a hanseníase ainda representa um desafio de saúde pública no Brasil. “Estamos falando de uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium Leprae, também conhecida como bacilo de Hansen. A doença acomete principalmente a pele e os nervos, geralmente deixando manchas aparentes”, explica José Ricardo Scalise, médico e professor do curso de Medicina da Uniderp. >
Graças ao avanço da ciência, atualmente a hanseníase tem cura. Desta forma, especialistas ressaltam como é importante conhecer a condição para identificar possíveis sintomas e formas de prevenção. “A doença já foi vista com olhares de repulsa. Antigamente, quando ainda não se tinha tratamento, nem informações, pessoas diagnosticadas com hanseníase eram obrigadas a ficar isoladas. Se não for tratada precocemente, de forma correta e eficaz, pode deixar sequelas”, pontua. >
A hanseníase é uma doença que acomete principalmente a pele e os nervos, geralmente deixando manchas aparentes — avermelhadas, marrons ou esbranquiçadas — e áreas que não apresentam sensibilidade ao toque. Caroços dolorosos e inflamados no corpo, dores articulares e inchaço nas mãos e nos pés também podem ser sinais da doença. >
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Nos olhos, queixas de ressecamento ocular são frequentes. Sintomas neurais, como sensação de “formigamento” em braços e pernas devem ser sempre investigados. Como a bactéria M. leprae se replica muito lentamente, levando até anos, as lesões na pele podem não surgir rapidamente e não serem um fator na identificação da doença. >
A transmissão ocorre quando uma pessoa doente que apresenta a forma infectante da doença (multibacilar – MB) e que, estando sem tratamento, elimina a bactéria por meio das vias respiratórias (secreções nasais, tosses, espirros), podendo assim infectar outras pessoas suscetíveis. >
Nem todos desenvolvem a hanseníase, já que grande parte das pessoas possui capacidade de defesa do organismo contra o bacilo. Quem tem a doença pode manter o convívio familiar e não precisa se afastar do trabalho se o tratamento estiver sendo seguido corretamente, pois, assim que o tratamento é iniciado, o paciente deixa de transmitir a doença. >
O último domingo de janeiro marca o “Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase” e um dos grandes desafios é informar sobre o tratamento, oferecido de forma simples e gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). >
Diante de qualquer dúvida mediante os sintomas mencionados, é preciso buscar atendimento médico para investigação que determinará se há ou não a presença da patologia. O tratamento é ambulatorial, com doses mensais supervisionadas administradas na unidade de saúde e doses autoadministradas no domicílio. >
Por Camila Souza Crepaldi >
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