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Publicado em 18 de julho de 2025 às 12:17
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi diagnosticado com uma insuficiência venosa crônica, informou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. >
Segundo a secretária de imprensa, a condição é benigna e não há evidência de trombose venosa profunda. "Além disso, fotos recentes do presidente mostraram pequenos hematomas no dorso da mão. Isso é consistente com uma leve irritação dos tecidos moles causada por apertos de mão frequentes e pelo uso de aspirina, que faz parte de um regime padrão de prevenção cardiovascular".
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A insuficiência venosa crônica é uma condição em que as veias das pernas não conseguem devolver o sangue ao coração de forma eficiente, causando acúmulo de sangue e pressão nas pernas. Ela ocorre devido a um mau funcionamento das válvulas venosas, que deveriam impedir o refluxo do sangue. Quando essas válvulas falham, o sangue acumula-se nas pernas, aumentando a pressão nas veias e causando diversos sintomas.>
Os sintomas variam de acordo com a gravidade do quadro, mas os mais comuns incluem sensação de peso nas pernas, inchaço ao final do dia, dor, câimbras noturnas, veias dilatadas visíveis (as famosas varizes), escurecimento da pele na região dos tornozelos (dermatite ocre) e, nos casos mais avançados, até feridas crônicas chamadas úlceras venosas. >
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A cirurgiã vascular Ariadne Bassetti explica que as principais manifestações clínicas da doença são sensação de formigamento, dor, queimação e câimbras, principalmente noturnas. "Também pode ocorrer edema ou inchaço, que piora ao longo do dia, sendo o edema vespertino o mais importante, que produz a sensação de peso ou latejamento nos membros inferiores. Além de pruridos e uma sensação de cansaço e fadiga".>
A médica conta que a doença é extremamente frequente na população. "Ela está ligada de alguma forma ao fato de sermos bípedes e termos poucas válvulas no sistema venoso dos membros inferiores para fazer o retorno venoso. Na sindrome pós trombotica, o paciente pode apresentar como sequela a obstrução de veias do sistema venoso profundo, e o retorno ficar prejudicado levando ao edema, pigmentação da perna e evoluir até para um caso de úlceras", diz Ariadne Bassetti.>
Os casos primários geralmente são hereditários, com uma frequência seis vezes mais nas mulheres do que nos homens, e está ligado aos hormônios femininos, principalmente o estrogênio, assim como as múltiplas gestações. Outros fatores importantes para o aparecimento são a obesidade com aumento da hipertensão. "E a causa secundária geralmente chama-se síndrome pós-trombótica, uma trombose do sistema venoso profundo, dificultando o retorno do sangue, levando a essa hipertensão vênulo capilar e formação de úlceras". >
A cirurgiã vascular Aline Lamaita explica que a doença acontece principalmente por falhas no sistema valvular das veias ou por obstruções que dificultam o retorno do sangue. "O mais comum é que as válvulas venosas percam sua função com o tempo, por questões genéticas ou por fatores externos como obesidade, sedentarismo, gestações múltiplas, longos períodos em pé ou sentado e devido ao próprio envelhecimento do sistema vascular, por isso a doença aumenta muito sua incidência com a idade".>
Outra possibilidade é o comprometimento das veias por tromboses anteriores, que deixam sequelas no sistema venoso, chamado de síndrome pós-trombótica. "O problema é que, com o tempo, essa falha no retorno venoso aumenta a pressão dentro das veias das pernas, levando a uma sobrecarga circulatória". >
A médica ressalta que muitas vezes, os sintomas pioram com o calor ou após longos períodos em pé, e melhoram ao elevar as pernas ou ao caminhar. "A gravidade do problema aparece de acordo com o grau de comprometimento do sistema venoso e de acordo com os hábitos de vida da pessoa. Por isso podemos ter pessoas com quadros graves e poucas queixas assim como pacientes com poucas alterações, mas muito sintomáticas", diz Aline Lamaita. >
O diagnóstico começa com uma boa avaliação clínica, onde o médico analisa os sintomas, o histórico familiar e o exame físico das pernas. Mas a confirmação é feita com o exame de ultrassonografia com Doppler venoso, que permite visualizar em tempo real o fluxo sanguíneo nas veias, avaliar se há refluxo, obstrução ou sinais de trombose anterior.>
Ariadne Bassetti explica que o tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. "No caso das varizes, o tratamento é cirúrgico. E no caso da síndrome pós-trombótica, são cuidados locais, hidratação da pele, uso de meias de compressão elástica, de alta compressão e exercício físico, além de emagrecer, evitar cigarro, evitar anticoncepcional". >
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