A menopausa é uma fase natural, porém desafiadora, na vida das mulheres. Marcada pelo fim dos ciclos menstruais e uma intensa mudança hormonal, ela traz uma série de sintomas físicos e emocionais, como ondas de calor, alterações no sono, variações de humor e ganho de peso. Entre as principais queixas está justamente a dificuldade em emagrecer.
A ginecologista Adriana Ribeiro explica que durante o período fértil, os altos níveis de estrogênio favorecem o acúmulo de gordura nos quadris e coxas ('formato de pera'). "Com a queda do estrogênio na menopausa, essa gordura migra para a região abdominal, resultando no 'formato de maça'".
Essa mudança, somada ao envelhecimento e à redução do metabolismo, favorece o ganho de peso e aumenta o risco de doenças como hipertensão, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares, devido ao acúmulo de gordura visceral
A nutricionista Dalyla Formagine explica que as alterações hormonais impactam diretamente na composição corporal. "Com a queda de estrogênio, há uma tendência maior de acúmulo de gordura abdominal, além de uma redução da massa muscular, o que diminui o gasto energético basal", afirma.
A alimentação pode ser uma aliada nessa fase da vida. A nutricionista recomenda priorizar alimentos naturais, ricos em nutrientes e com baixa carga glicêmica, como vegetais, frutas cítricas e grãos integrais. "Evitar açúcar e ultraprocessados é essencial. Além disso, cuidar da saúde intestinal melhora a absorção de nutrientes e favorece o emagrecimento", diz.
Na menopausa, proteínas de boa qualidade são fundamentais. "Inclua ovos, carnes magras, iogurte, whey protein. Eles ajudam na saciedade e na manutenção da massa muscular", diz a nutricionista. A hidratação adequada e ter um sono de qualidade são fundamentais para o bom funcionamento do organismo. "Eles regulam o metabolismo e ajudam o corpo a funcionar melhor", afirma Dalyla.
Dalyla diz que é importante identificar os gatilhos emocionais e buscar alternativas saudáveis, como atividades físicas ou técnicas de relaxamento, além de manter uma alimentação equilibrada no dia a dia.
Colocar alimentos que ajudam na liberação de dopamina, pode auxiliar nesse controle. Alguns exemplos são o iogurte, o farelo de aveia, a carne vermelha e vegetais verdes escuros
Vitaminas, fitoterápicos e outros aliados
Alguns nutrientes merecem atenção especial: cálcio, vitamina D, magnésio, vitaminas do complexo B e antioxidantes. “A suplementação com cúrcuma e ômega 3 também pode ser interessante, devido ao efeito anti-inflamatório, mas deve ser sempre orientada por um profissional”, reforça Dalyla.
Fitoterápicos podem ajudar, mas com cautela. "Podem complementar, mas não substituir uma alimentação equilibrada. Cada caso precisa ser avaliado individualmente", diz a nutricionista.
Reposição hormonal ajuda a emagrecer?
A ginecologista explica que a terapia de reposição hormonal (TRH) pode ajudar a reequilibrar o metabolismo, melhorar o sono e aumentar a disposição. "Não é uma solução para emagrecer, mas pode colaborar com o controle de peso. A indicação deve sempre ser feita após avaliação médica individualizada", destaca.
Dietas restritivas ou modismos podem ser especialmente perigosos durante a menopausa. "Podem levar à perda de massa magra, piora do sono e até efeitos cardiovasculares", alerta a médica.
Para quem já tem doenças como hipertensão ou diabetes, o cuidado deve ser ainda mais específico, com monitoramento frequente e ajustes no plano alimentar e medicamentoso.
Cuidar do peso não é só uma questão estética, é saúde. Alimentação equilibrada, atividade física, sono reparador, equilíbrio emocional e acompanhamento médico são os pilares para viver bem essa nova fase. "Hoje temos recursos como laser íntimo, reposição hormonal e nutrição personalizada. O mais importante é escutar seu corpo e buscar ajuda profissional", conclui a ginecologista.