Publicado em 1 de setembro de 2025 às 09:55
Em entrevista para o "Fantástico", o dançarino Carlinhos de Jesus, 72, contou quais foram os primeiros sintomas antes de receber o diagnóstico de bursite trocantérica bilateral.>
Ele disse que estava na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, quando começou a sentir uma dor intensa e não conseguia andar ou ao menos colocar o pé no chão.>
"Dava umas fisgadas, aí passava. Aí eu dava mais de três, quatro passos, doía novamente. Quando eu cheguei no Rio de Janeiro, eu já não aguentava mais de dor e cheguei a cair", contou Carlinhos.>
"Fomos ao médico de quadril, aí ele aconselhou a internação. Era tanta dor que a medicação para eu dormir era morfina", relatou o dançarino. "Na minha cabeça hoje é viver o hoje. Mas quando eu penso: 'E amanhã?', aí é que começo a me apavorar, porque eu penso: 'Como eu vou viver?'". Além disso, o dançarino contou que tem paciência, resiliência e calma para que possa voltar a caminhar.>
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O diagnóstico não é incomum em dançarinos, devido aos movimentos repetitivos realizados com o quadril. “Trata-se de um processo inflamatório devido a atritos, queda, traumas ou até mesmo a realização de movimentos repetitivos e o uso excessivo do quadril, como ocorre em trabalhos que envolvem escadas, atletas amadores e até mesmo atletas profissionais, principalmente quando não há um alongamento e um fortalecimento adequado dessa região”, explica o ortopedista Fernando Jorge. >
Segundo o especialista, a bursite, especificamente na região do quadril, é o processo inflamatório das bursas, pequenas bolsas que se localizam ali sobre o trocanter, precisamente o trocanter maior, uma proeminência encontrada na parte superior do fêmur e próxima ao quadril. >
“As bursas são ‘bolsinhas’ cheias de líquido sobre o trocanter maior que ficam entre os ossos, o tendão e os músculos. Elas têm a função de diminuir o atrito do osso sobre o tendão e os músculos. Precisamente no trocanter maior, nós temos essas bursas evitando que os tendões e músculos entrem em atrito, o que favorece uma mecânica melhor da região do quadril”, detalha o médico, que explica que, devido a traumas e movimentos repetitivos, ocorre um processo inflamatório que causa a bursite.>
Já a tendinite nessa região é, mais precisamente, a tendinite dos tendões do glúteo médio e do glúteo mínimo, que se inserem nessa mesma área do trocanter, próxima ao fêmur. “Quando esses tendões são usados excessivamente, ou por uma questão degenerativa, pode ocorrer uma inflamação, que é chamada de tendinite”, diz o ortopedista. >
“Se não forem tratados de maneira correta, esse processo inflamatório dos tendões pode progredir para uma tendinopatia, que é a degeneração, e para uma tendinose, que é o processo de necrose desses tendões que estavam previamente inflamados, podendo até romper”, alerta.>
O médico afirma que a bursite e tendinite podem causar dor e desconforto na região, além de limitação da movimentação e muitas vezes afastamento do trabalho e das atividades rotineiros. “É fundamental buscar um especialista para receber o tratamento adequado, que envolve a utilização de medicações anti-inflamatórias e analgésicas, mas a base é a fisioterapia. É importante ressaltar que não é um tratamento rápido. É de médio a longo prazo. Mas tem que ser realizado, pois a dor incomoda muito e limita a função do quadril”, finaliza Fernando Jorge. >
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