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Não tem cura

Rosácea ou acne? Entenda a vermelhidão no rosto do goleiro Alisson Becker

Essa confusão é normal porque ambas as inflamações deixam a pele avermelhada. Porém, no caso da acne, a alteração ocorre apenas na área da espinha. Já a rosácea atinge uma extensão maior

Publicado em 12 de Junho de 2026 às 15:18

Guilherme Sillva

Publicado em 

12 jun 2026 às 15:18
Alisson Becker
Alisson Becker está com a pele do rosto vermelha Reprodução @Alissonbecker

O goleiro Alisson Becker, titular da Seleção Brasileira no campeonato mundial, chamou a atenção nessa semana, durante a coletiva de imprensa, por estar com a pele do rosto muito vermelha e com erupções. 


O jogador, que afirmou estar totalmente recuperado fisicamente e disse que encara o torneio como uma oportunidade única na carreira, enfrenta o problema na pele há anos. 


A dermatologista Isabella Redigieri explica que o goleiro enfrenta as consequências da rosácea. "A rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta principalmente a região central do rosto, como bochechas, nariz, testa e queixo. Ela se manifesta com vermelhidão persistente, sensibilidade e, em alguns casos, lesões inflamatórias. É uma condição relativamente comum".


A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reconhece a rosácea como uma condição que pode afetar significativamente a qualidade de vida dos pacientes e, por isso, enfatiza a importância do diagnóstico e tratamento adequados. A rosácea ocorre em 1,5% a 10% das populações estudadas. Ocorre principalmente em adultos entre 30 e 50 anos.


A rosácea não é um tipo de acne, mas frequentemente é confundida. Essa confusão é normal porque ambas as inflamações deixam a pele avermelhada. Porém, no caso da acne, a alteração ocorre apenas na área da espinha. Já a rosácea atinge uma extensão maior. 


Isabella conta que a rosácea pode apresentar lesões semelhantes à acne, como pápulas e pústulas, mas são doenças diferentes. "A acne costuma estar relacionada ao aumento da oleosidade, presença de cravos e alterações hormonais. Já na rosácea, o principal componente é vascular e inflamatório, com vermelhidão, vasos aparentes e sensibilidade cutânea. Um ponto importante é que na rosácea não vemos cravos, o que ajuda bastante no diagnóstico".


Os sintomas mais comuns da condição são vermelhidão persistente, sensação de ardor ou queimação, pele sensível, vasos dilatados aparentes (telangiectasias), além de pápulas e pústulas em alguns casos. Alguns pacientes também podem apresentar ressecamento, inchaço e sintomas oculares, como irritação e olhos secos.
Isabella Redighieri, dermatologista
A dermatologista Isabella Redighieri explica os sinais e tratamentois da rosácea Divulgação

O rosto fica vermelho porque existe uma hiper-reatividade vascular. Os vasos sanguíneos da pele dilatam com mais facilidade diante de estímulos como calor, sol, bebidas quentes, álcool, estresse e mudanças bruscas de temperatura. Com o tempo, essa dilatação repetida pode se tornar persistente

Isabella Redighieri Dermatologista

A rosácea não tem cura definitiva, mas tem controle. A dermatologista explica que o tratamento começa com cuidados básicos, como o uso diário de protetor solar, limpeza suave e hidratação adequada para fortalecer a barreira cutânea. "Em quadros moderados ou mais intensos, podemos associar medicações tópicas e orais para controlar a inflamação e reduzir as crises", diz Isabella. 

Além do controle dos gatilhos e dos cuidados com a pele, são utilizadas medicações específicas, além de tecnologias como os lasers vasculares, que são importantes pois tratam os vasos e controlam as crises, além de melhorar a estética da pele. 

"Os lasers têm um papel essencial porque atuam diretamente no componente vascular da rosácea. Eles conseguem reduzir vasos dilatados, melhorar a vermelhidão persistente e diminuir episódios de flushing, algo que muitas vezes não é totalmente resolvido apenas com cremes ou medicamentos. Por isso, hoje são considerados uma ferramenta muito importante no manejo da doença", finaliza Isabella Redighieri.

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