O goleiro Alisson Becker, titular da Seleção Brasileira no campeonato mundial, chamou a atenção nessa semana, durante a coletiva de imprensa, por estar com a pele do rosto muito vermelha e com erupções.
O jogador, que afirmou estar totalmente recuperado fisicamente e disse que encara o torneio como uma oportunidade única na carreira, enfrenta o problema na pele há anos.
A dermatologista Isabella Redigieri explica que o goleiro enfrenta as consequências da rosácea. "A rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta principalmente a região central do rosto, como bochechas, nariz, testa e queixo. Ela se manifesta com vermelhidão persistente, sensibilidade e, em alguns casos, lesões inflamatórias. É uma condição relativamente comum".
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reconhece a rosácea como uma condição que pode afetar significativamente a qualidade de vida dos pacientes e, por isso, enfatiza a importância do diagnóstico e tratamento adequados. A rosácea ocorre em 1,5% a 10% das populações estudadas. Ocorre principalmente em adultos entre 30 e 50 anos.
A rosácea não é um tipo de acne, mas frequentemente é confundida. Essa confusão é normal porque ambas as inflamações deixam a pele avermelhada. Porém, no caso da acne, a alteração ocorre apenas na área da espinha. Já a rosácea atinge uma extensão maior.
Isabella conta que a rosácea pode apresentar lesões semelhantes à acne, como pápulas e pústulas, mas são doenças diferentes. "A acne costuma estar relacionada ao aumento da oleosidade, presença de cravos e alterações hormonais. Já na rosácea, o principal componente é vascular e inflamatório, com vermelhidão, vasos aparentes e sensibilidade cutânea. Um ponto importante é que na rosácea não vemos cravos, o que ajuda bastante no diagnóstico".
O rosto fica vermelho porque existe uma hiper-reatividade vascular. Os vasos sanguíneos da pele dilatam com mais facilidade diante de estímulos como calor, sol, bebidas quentes, álcool, estresse e mudanças bruscas de temperatura. Com o tempo, essa dilatação repetida pode se tornar persistente
Isabella Redighieri Dermatologista