No inverno, é comum aumentar os casos de gripe, tosse e dor de garganta. Com mais exemplos de baixa imunidade durante esse período, também volta uma dúvida recorrente: o frio realmente derruba a imunidade de uma pessoa?
Muitos não sabem que “imunidade baixa” é um termo de uso popular, mas que no meio médico não é utilizado. O geriatra Roni Mukamal, da MedSenior, conta que o quadro é definido como imunodeficiência ou comprometimento do sistema imunológico.
"Trata-se de uma condição em que as defesas do organismo não funcionam de forma adequada, tornando a pessoa mais suscetível a infecções ou dificultando a recuperação delas", diz o médico.
Já a médica nutróloga Danúbia Boy, do São Bernardo, complementa que “imunidade baixa” clinicamente significa que o sistema imunológico não está conseguindo responder adequadamente às infecções. Podendo acontecer por doenças específicas, uso de alguns medicamentos ou até por deficiências nutricionais importantes.
Os médicos destacam ainda que é importante saber que nem toda pessoa que pega uma gripe ou um resfriado está com a imunidade reduzida, pois infecções ocasionais fazem parte do funcionamento normal do sistema imunológico.
Logo, em meio a clima frio ou não, o objetivo é manter o sistema imunológico funcionando de maneira equilibrada, mais do que simplesmente fortalecer. Um sistema imune saudável protege contra vírus, bactérias, fungos e outros agentes infecciosos, além de participar da cicatrização, controle de inflamações e até da vigilância contra células tumorais. Quando ele funciona adequadamente, o organismo responde melhor às infecções.
Clima frio e imunidade
Em relação ao frio por si só, ele não tem a capacidade de reduzir a imunidade. São diversos os fatores que realmente podem comprometer o funcionamento do sistema imunológico, como: doenças crônicas (diabetes descontrolado e insuficiência renal), infecção pelo HIV, alguns cânceres, doenças autoimunes, uso prolongado de medicamentos imunossupressores, quimioterapia e transplantes.
Sobre o clima frio, o que acontece é uma combinação de fatores. "Durante o inverno, as pessoas ficam mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação, facilitando a transmissão de vírus. Além disso, costumamos tomar menos sol, praticar menos atividade física e, às vezes, dormir pior, fatores que também podem influenciar", diz Danúbia Boy.
Além disso, Roni complementa que também é comum haver redução da exposição solar, o que pode contribuir para níveis mais baixos de vitamina D em algumas pessoas, embora sua suplementação só seja indicada por médicos quando houver deficiência comprovada.
Outros fatores relacionados ao estilo de vida pessoal também podem reduzir a eficiência da resposta imune, como privação de sono, estresse crônico, alimentação inadequada (deficiências nutricionais, especialmente de proteínas, ferro, zinco e vitaminas), sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool.
Como identificar baixa imunidade?
Não existe um único sintoma. O principal ponto de atenção sobre a saúde é quando alguém apresenta infecções frequentes, repetidas, prolongadas ou de maior gravidade do que o esperado.
Roni alerta para infecções recorrentes dos seios da face, ouvido, pulmão, pele ou trato urinário, além de dificuldade para cicatrizar feridas ou necessidade frequente de antibióticos. "Se o paciente vive gripado, têm infecções recorrentes, feridas que demoram para cicatrizar ou está sempre adoecendo, é sinal de alerta. Muitas vezes, o problema não é exatamente ‘imunidade baixa’, mas alguma deficiência nutricional ou outra condição de saúde".
Comidas e imunidade no frio
As sopas são um clássico no período mais frio. Macarrão, batata, carne, cenoura e outros alimentos são usados na hora de montar uma panela nutritiva no clima que as temperaturas caem. Porém, a sopa pode ajudar a recuperar ou manter a imunidade? Roni reforça que elas podem ser uma excelente aliada da saúde de forma geral, desde que seja nutricionalmente equilibrada.
As preparações que incluem legumes variados, verduras, proteínas como frango, carne magra ou feijão, além de tubérculos, oferecem vitaminas, minerais, fibras e proteínas importantes para o funcionamento do organismo.
Ela não aumenta diretamente a imunidade, mas contribui para uma alimentação adequada, especialmente em dias frios, quando muitas pessoas reduzem a ingestão de alimentos ou líquidos
Roni Mukamal Médico
Outro clássico desses períodos é pensar que consumir um único alimento é capaz de aumentar a imunidade, como alho, gengibre e própolis. Danúbia reforça que essa ideia é um mito, que não significa que a ingestão de um único pode aumentar a melhorar o quadro clínico, mas sim, seu consumo adequado e variado durante todas as épocas do ano, não só no frio.
"Nesse período do ano, gosto de orientar meus pacientes a aumentarem o consumo de frutas cítricas, como laranja, limão, acerola e kiwi, que são boas fontes de vitamina C. Mas vale lembrar que elas fazem parte de uma alimentação saudável e não substituem os outros cuidados", diz a médica.