O câncer de próstata é o tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros, desconsiderados os tumores de pele não melanoma. E, infelizmente, ainda há tabu e desinformação quando o assunto é diagnóstico. “Muitos homens fazem o exame de PSA e acreditam que por meio dele já é possível identificar algo. A investigação não se resume a um exame de sangue ou a uma rotina igual para todos os homens. A idade, o histórico familiar, os fatores de risco e a avaliação clínica são elementos importantes para definir a necessidade de exames”, alerta o urologista Ruimário Coelho.
O tema ganha destaque durante o Novembro Azul, campanha de conscientização sobre a saúde masculina. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), as estimativas para o triênio 2026–2028 apontam o câncer de próstata como o tipo mais frequente entre os homens, excluídos os tumores de pele não melanoma.
“A doença exige atenção porque, nas fases iniciais, pode evoluir sem apresentar sintomas. Por isso, é fundamental que os homens - assim como as mulheres frequentam com regularidade um ou uma ginecologista - passem a frequentar mais o médico, de uma forma geral. O acompanhamento é essencial para um bom resultado no tratameto não só do câncer de próstata, mas de todas as doenças”, ressalta o urologista.
PSA é uma das etapas
“Muitos pacientes fazem o exame e já acham que estão com problema. O crescimento da próstata também pode ser outro indicativo. Por isso, a interpretação dos resultados deve sempre ser feita por um médico, considerando o conjunto de informações clínicas de cada paciente”, explica o médico.
O exame de toque retal, por sua vez, permite ao médico avaliar características da glândula que não são identificadas apenas pela dosagem do PSA. Dependendo dos resultados e da avaliação clínica, podem ser solicitados exames complementares, como a ressonância magnética, e, quando houver indicação, a biópsia, que permite confirmar o diagnóstico.
Para o urologista Ricardo Brandina, do Hospital Evangélico de Londrina e professor adjunto do Departamento de Urologia da PUCPR, um dos principais erros é transformar o resultado laboratorial em uma resposta definitiva. “O PSA é uma peça importante da investigação, mas não é um exame capaz de dizer sozinho se o paciente tem ou não câncer. A interpretação precisa considerar idade, histórico familiar, exame físico, comportamento do marcador ao longo do tempo e, quando indicado, exames de imagem”, explica.
O PSA é uma proteína produzida pela próstata. Isso significa que alterações na glândula podem modificar sua concentração no sangue sem que necessariamente exista um tumor. Hiperplasia prostática benigna, inflamações e outros fatores podem elevar o marcador. Da mesma forma, valores mais baixos não excluem completamente a possibilidade de doença.
“Quando o paciente olha apenas para a palavra ‘normal’ no resultado, pode interpretar aquilo como uma garantia para os próximos anos. Na prática, o médico precisa entender o contexto daquele número. Um PSA que sobe progressivamente, ainda que continue dentro de determinada faixa de referência, pode merecer uma avaliação diferente de um valor estável”, afirma Ricardo Brandina.