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Prática de intimidação

Cyberbullying: saiba como identificar os sinais e como buscar ajuda

Na novela 'Por Você', montagem depreciativa gerada por IA isola adolescente; especialistas explicam por que o ambiente virtual não é 'terra sem lei' e alertam sobre impactos psíquicos e consequências penais

Publicado em 29 de Outubro de 2026 às 15:00

Patrick Mizrahi

Publicado em 

29 out 2026 às 15:00
Glorinha é vítima de cyberbullying em ‘Por Você’
Glorinha é vítima de cyberbullying em ‘Por Você’ Divulgação TV Globo

Depois de ser excluída pelas amigas de escola, Glorinha (Laura Luz) enfrentará outro episódio doloroso entre os colegas de turma nos próximos capítulos de ‘Por Você’. A adolescente será vítima de cyberbullying quando as meninas criam, com inteligência artificial, uma montagem depreciativa de seu rosto em um corpo musculoso de lutador de judô e compartilharem a imagem com toda a classe. Humilhada diante de todos, Glorinha confrontará as responsáveis e, tomada pela raiva, quase partirá para a agressão. Embora Lucas intervenha e garanta que a escola tomará providências, a jovem não suportará permanecer no local e fugirá. Ao encontrar com Hanna (Pietra Quintela), ela revela não querer mais voltar ao colégio nem à academia de judô.

 

Em casa, sem conseguir se desvencilhar da imagem que circulou entre os colegas e das ofensas relacionadas ao esporte que pratica, Glorinha acabará destruindo o próprio quimono em um momento de revolta. Bela (Sheron Menezzes) encontrará a adolescente e a acolherá, incentivando-a a não permitir que as agressões definam a maneira como enxerga a si mesma. No dia seguinte, a obstetra irá à escola e defenderá a filha de Juli (Lucy Ramos) diante das famílias das meninas responsáveis pela montagem, que são punidas com advertências e suspensão.

 

Disposta a ajudá-la a recuperar a autoestima, Bela compartilhará as próprias inseguranças da adolescência e lembrará que Juli (Lucy Ramos) a defendia na escola naquela época. Na sequência, a obstetra levará Glorinha ao salão da trancista que fez parte da juventude das duas amigas, em um encontro que ajudará a jovem a redescobrir a própria beleza e confiança.


O enredo mostra como novas tecnologias transformaram o cyberbullying em uma ameaça sem limites físicos. Se antes o conflito ficava restrito à sala de aula, hoje a agressão invade a privacidade dos jovens a qualquer hora.

Sinais de alerta para a família

O cyberbullying é a prática de intimidação, humilhação, perseguição ou agressão sistemática contra alguém por meio de ferramentas e tecnologias digitais (como redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e fóruns). 


A psicanalista infantil Bianca Martins explica que a grande diferença da violência virtual é a ausência de trégua para a vítima. "Antes, a escola era o lugar do conflito e a casa, o abrigo; agora o agressor é onipresente e invisível, entra no quarto e na madrugada. A violência se torna corrosiva", afirma.


Ela diz que a manipulação de fotos por IA atinge diretamente a fase em que o adolescente constrói a própria identidade. "A montagem não distorce o que a vítima fez: ela fabrica o que a vítima é. A vergonha não depende da verdade, depende do alcance da exposição", alerta.


A especialista reforça ainda a responsabilidade dos colegas que apenas assistem ou repassam as imagens. "O cyberbullying não se sustenta sem plateia. A tecnologia dá ao agressor a sensação de que 'foi a ferramenta', terceirizando a crueldade para o aplicativo. Quem não compartilha faz a única intervenção com escala real".


Como os adolescentes raramente pedem ajuda de forma direta, a psicanalista indica ficar atento a mudanças bruscas de comportamento:


    • Alterações no sono, apetite ou queda no rendimento escolar.

    • Sintomas físicos sem causa médica, como dores de cabeça ou de barriga pela manhã.

    • Irritabilidade, impaciência, desinteresse e isolamento social.

    • Hábito de esconder a tela do celular, parar de usá-lo de repente ou navegar de madrugada.

  • Criar ou compartilhar montagens por IA é crime

    A advogada penal Camila Helal, Secretária Geral Adjunta da OAB/ES, lembra que o cyberbullying é enquadrado em lei com pena de dois a quatro anos de reclusão, além de multa. A Lei nº 14.811, de 2024, incluiu a intimidação sistemática virtual no Código Penal. A pena prevista é de dois a quatro anos de reclusão e multa, quando a conduta não constitui crime mais grave. O enquadramento depende da análise do caso pelas autoridades.


    "A Inteligência Artificial não afasta a responsabilidade. Quem cria e quem compartilha pode responder, conforme sua participação, tanto criminalmente quanto pela reparação dos danos", explica Camila.


    A advogada pontua que quando os envolvidos têm entre 12 e 17 anos, a conduta é tratada como ato infracional pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sujeita a medidas socioeducativas. Já os pais podem ser acionados judicialmente para indenizar os prejuízos e danos morais causados pelos filhos.

    Como agir em casos de agressão virtual

    Diante do problema, as especialistas recomendam um roteiro prático para proteger a vítima e responsabilizar os agressores.


    1. 1. Acolha sem punir: Escute o jovem sem dramatizar nem minimizar o fato. Retirar o celular como punição afasta a criança e ensina a esconder o problema.

    2. 2. Preserve as provas: Tire prints completos, guarde links, perfis, datas e horários, evitando encaminhar a imagem para não ampliar a exposição.

    3. 3. Acione a escola e a polícia: Procure a instituição de ensino como parceira. Em casos graves, registre o Boletim de Ocorrência na Polícia Civil e denuncie o conteúdo na própria plataforma digital.

    4. 4. Busque apoio psicológico: O acompanhamento é fundamental para ajudar a reconstruir a confiança e a autoestima abaladas pela exposição.


    5. Este conteúdo foi produzido por Patrick Mizrahi, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação do editor Guilherme Sillva.

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