Uma das principais recomendações dos especialistas é evitar soluções padronizadas. A escolha da estratégia para controlar os sintomas depende do tipo e do subtipo do tumor, dos tratamentos realizados, da idade da paciente, de outros fatores de risco e dos medicamentos que ela ainda utiliza.
A terapia hormonal da menopausa, por exemplo, não deve ser indicada automaticamente para uma mulher que teve câncer de mama. Nos tumores com receptores hormonais positivos, em especial, ela costuma ser contraindicada, e qualquer exceção exige avaliação individualizada e diálogo direto com a equipe de oncologia.
"Quando pensamos no controle dos sintomas, precisamos colocar na balança tanto a qualidade de vida quanto a segurança oncológica. Existem situações em que tratamentos hormonais não são recomendados, e outras em que determinadas alternativas podem ser consideradas. Por isso, não existe uma única receita para todas as pacientes", afirma Luciana Landeiro.
Para sintomas
geniturinários, como secura e dor durante a relação sexual, alternativas não hormonais, como lubrificantes e hidratantes vaginais, costumam ser a primeira opção. Em situações específicas, o estrogênio vaginal em baixa dose pode ser discutido com a equipe médica.
Também há alternativas não hormonais mais recentes. Em junho de 2026, a Anvisa aprovou o fezolinetanto para tratar ondas de calor e sudorese moderadas a intensas da menopausa. Para mulheres que tiveram câncer de mama, porém, os estudos ainda estão em andamento: uma pesquisa de fase 3 avalia o medicamento em pacientes que usam hormonioterapia após o tratamento do tumor.
Um remédio da mesma família, o elinzanetanto, já mostrou resultados nesse grupo. No estudo OASIS-4, ele reduziu as ondas de calor e melhorou o sono e a qualidade de vida de mulheres em hormonioterapia para câncer de mama. O medicamento, no entanto, ainda não está disponível no Brasil.
"É importante que a paciente saiba que não precisa simplesmente conviver com os sintomas sem apoio. Hoje temos diferentes possibilidades de abordagem, e o tratamento pode envolver medidas medicamentosas, estratégias não hormonais, atividade física, cuidados com a saúde óssea e também suporte psicológico", reforça a oncologista.
Para Cristiane Bergerot, reconhecer e abordar esses efeitos também pode ajudar a mulher a recuperar a sensação de autonomia depois de uma experiência em que muitas decisões foram determinadas pela própria doença e pelo tratamento.
"Depois do câncer, algumas mulheres podem sentir que o próprio corpo deixou de ser tão familiar. Compreender o que está acontecendo, falar abertamente sobre esses sintomas e participar das decisões sobre como manejá-los são passos importantes para recuperar a sensação de autonomia e construir uma vida com qualidade depois do câncer", complementa a psico-oncologista.