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Após Covid

Câncer de intestino: os sinais de alerta da doença que afetou Lúcio Mauro Filho

Os primeiros sintomas frequentemente passam despercebidos ou são atribuídos a condições benignas, como hemorroidas ou problemas intestinais comuns

Publicado em 14 de Agosto de 2026 às 12:09

Guilherme Sillva

Publicado em 

14 ago 2026 às 12:09
Lucio Mauro Filho
Lucio Mauro Filho contou pela primeira vez que foi diagnosticado com câncer Reprodução @Luciomaurofilhooficial

O ator Lucio Mauro Filho revelou que foi diagnosticado com câncer de intestino após passar por exames de rotina. Em conversa com Antonio Tabet, no podcast 'Alt Tabet', o artista afirmou que optou por preservar o assunto ao longo de mais de cinco anos.


Lúcio Mauro Filho contou que também foi diagnosticado com Covid-19 na época e teve uma crise de pânico ao retornar ao trabalho. Depois de enfrentar os problemas, ele descobriu um câncer durante um check-up.


O ator detalhou como descobriu o diagnóstico de câncer. "Eu com medo das pessoas, da câmera, da luz. Eu já fui me tratar e comecei a me cuidar", prosseguiu. "Veio uma possibilidade de trombose, de AVC. Tive que fazer um longo tratamento pós-Covid. Quando terminou o tratamento, fiz um check-up. Aí, descobri um câncer no intestino. Eu nunca contei isso para ninguém“, afirmou.


Em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (13), o ator reforçou que foi curado da doença e deixou um alerta aos seguidores. "'Encho o saco' de todo mundo próximo a mim, para não 'dar mole', se cuidar e sempre fazer exames. (...) A mensagem que eu desejo que fique disso tudo é: Não dê bobeira. Faça exames periódicos, pois não existe maneira melhor de cuidar da saúde do que a prevenção. E ao primeiro sintoma, seja qual for, sempre procure orientação médica".                       

Entenda a doença
O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, se desenvolve no intestino grosso, também chamado de cólon, ou no reto. O principal tipo é o adenocarcinoma e, em cerca de 90% dos casos, ele se origina a partir de pólipos na região que, se não identificados e tratados, podem sofrer alterações ao longo dos anos, tornando-se malignos. 

Os primeiros sintomas frequentemente passam despercebidos ou são atribuídos a condições benignas, como hemorroidas ou problemas intestinais comuns.

Entre os sinais de alerta mais frequentes estão: sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal (diarreia e/ou prisão de ventre), dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, fezes mais finas e compridas, presença de massa abdominal.

Embora esses sintomas nem sempre indiquem câncer, especialistas reforçam que é fundamental investigar casos que persistem por alguns dias, garantindo diagnóstico correto e tratamento adequado. “A detecção precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de cura. Isso pode ser feito a partir da avaliação de sintomas por meio de exames clínicos, laboratoriais e de imagem”, explica o coloproctologista Henrique Perobelli Schleinstein, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde recomenda o rastreamento em pessoas sem sintomas por meio do exame de sangue oculto nas fezes. Em caso positivo, exames como colonoscopia permitem identificar lesões ou pólipos.

Entre os principais fatores de risco para a doença estão: idade a partir de 50 anos, sedentarismo, excesso de peso e alimentação inadequada (especialmente com baixo consumo de fibras e alto consumo de carnes processadas e carne vermelha em excesso),  histórico familiar de câncer, tabagismo, consumo de álcool e doenças inflamatórias intestinais.
A importância da colonoscopia
oncologista Alexandre Jácome, da Oncoclínicas, diz que câncer colorretal pode ser uma doença silenciosa e não causar sintomas imediatos. "Mas, quando presentes, incluem alteração nos hábitos intestinais, sangramento retal, presença de sangue nas fezes, cólica abdominal, fadiga e perda de peso sem motivo aparente. O problema é que muitas pessoas ignoram esses sinais ou os confundem com outras condições, como hemorroidas ou síndrome do intestino irritável”. 

Esse atraso no diagnóstico reduz drasticamente as chances de cura. Quando detectado precocemente, o câncer colorretal tem taxas de sobrevivência que podem superar 90%. Em estágios avançados, esse percentual cai para menos de 15%.

“É importante ressaltar que muitos desses sintomas podem ser causados por outras condições que não sejam câncer colorretal, como infecção, hemorroida ou síndrome do intestino irritável. Por isso a importância de, ao primeiro sinal de anormalidade, buscar por uma avaliação médica”, aconselha o médico.

A colonoscopia, exame que permite visualizar diretamente o interior do intestino grosso e do reto, é considerada o padrão-ouro para detecção precoce do câncer colorretal. O procedimento não apenas identifica tumores em fase inicial, como também permite a remoção de pólipos (lesões benignas que podem se transformar em câncer ao longo dos anos) durante o próprio exame.

A recomendação médica é que pessoas a partir dos 45-50 anos realizem colonoscopia de rastreamento — ou antes, em casos de histórico familiar da doença. Testes de sangue oculto nas fezes também são ferramentas importantes e menos invasivas para rastreamento inicial.

O problema é que a cobertura populacional de rastreamento no Brasil é baixíssima. Há grande demora na realização de exames, falta de centros especializados — especialmente fora dos grandes centros urbanos — e desconhecimento da população sobre a importância da prevenção.

“Após os 50 anos de idade, a chance de apresentar pólipos aumenta, o que consequentemente representa um aumento no risco de tumores malignos. Como resultado, mais de 80% dos casos de câncer colorretal acontecem a partir dos 50 anos, o que explica este limite de idade como critério para início do rastreio ativo”, explica Jácome.

O oncologista destaca que pessoas com histórico pessoal de pólipos ou de doença inflamatória intestinal, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn, bem como registros familiares de câncer colorretal em um ou mais parentes de primeiro grau — principalmente se diagnosticado antes de 45 anos — devem ter atenção redobrada e realizar controles periódicos antes da idade base indicada para a população em geral.     

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