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Rastreamento

Colonoscopia: saiba quem deve fazer o exame que detecta câncer de intestino

Exame que permite visualizar diretamente o interior do intestino grosso e do reto é considerado o padrão-ouro para detecção precoce do câncer colorretal

Publicado em 11 de Maio de 2026 às 15:19

Guilherme Sillva

Publicado em 

11 mai 2026 às 15:19
Chico Pinheiro
Chico Pinheiro foi diagnosticado com um câncer de intestino Reprodução @Chicopinheiro

Chico Pinheiro, ex-âncora do Bom Dia Brasil, contou que foi diagnosticado com um câncer de intestino. O jornalista, de 72 anos, revelou que passou por uma cirurgia e ficou mais de um mês internado. 


"A princípio a cirurgia, era relativamente fácil, porque estava bem no começo, e uma cirurgia que era para ser feita em um dia e três dias depois eu ia para casa. Só que teve uma complicação posterior. (...) E eu passei uns belos dias na UTI. E a coisa mais presente na minha cabeça era você cantando. Ouvi você cantar uma música todo o tempo. Ouvia e chorava.", disse enquanto entrevistava Zeca Baleiro. 


Ele completou: "Não era chorar de medo nem de nada, não. Era de perceber as pessoas que, na correria, você não vê, né? E pessoas sofrendo com a doença. E eu dizia assim: 'calma aí, você vai passar.' Às vezes não vai, mas a gente fala: 'você vai passar.' Você entra no hospital como doente. Agora, para virar paciente, você tem que exercitar a paciência para os médicos poderem trabalhar. Então, eu ouvia essa música e chorava muitas vezes".


O tumor colorretal se desenvolve no intestino grosso, também chamado de cólon, ou no reto. O principal tipo é o adenocarcinoma e, em cerca de 90% dos casos, ele se origina a partir de pólipos na região que, se não identificados e tratados, podem sofrer alterações ao longo dos anos, tornando-se malignos.

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Diagnóstico

Um dos maiores obstáculos no enfrentamento do câncer colorretal no Brasil é o diagnóstico tardio. Mais de 80% dos pacientes são diagnosticados em estágios avançados (3 e 4), muitas vezes em situações de emergência — quando o tumor já causou obstrução intestinal ou perfuração.


“O câncer colorretal pode ser uma doença silenciosa e não causar sintomas imediatos. Mas, quando presentes, incluem alteração nos hábitos intestinais, sangramento retal, presença de sangue nas fezes, cólica abdominal, fadiga e perda de peso sem motivo aparente. O problema é que muitas pessoas ignoram esses sinais ou os confundem com outras condições, como hemorroidas ou síndrome do intestino irritável”, explica Alexandre Jácome, oncologista da Oncoclínicas.


Esse atraso no diagnóstico reduz drasticamente as chances de cura. Quando detectado precocemente, o câncer colorretal tem taxas de sobrevivência que podem superar 90%. Em estágios avançados, esse percentual cai para menos de 15%.


“É importante ressaltar que muitos desses sintomas podem ser causados por outras condições que não sejam câncer colorretal, como infecção, hemorroida ou síndrome do intestino irritável. Por isso a importância de, ao primeiro sinal de anormalidade, buscar por uma avaliação médica”, aconselha o médico.

Quando fazer a colonoscopia

A colonoscopia, exame que permite visualizar diretamente o interior do intestino grosso e do reto, é considerada o padrão-ouro para detecção precoce do câncer colorretal. O procedimento não apenas identifica tumores em fase inicial, como também permite a remoção de pólipos (lesões benignas que podem se transformar em câncer ao longo dos anos) durante o próprio exame.


A recomendação médica é que pessoas a partir dos 45-50 anos realizem colonoscopia de rastreamento — ou antes, em casos de histórico familiar da doença. Testes de sangue oculto nas fezes também são ferramentas importantes e menos invasivas para rastreamento inicial.

O problema é que a cobertura populacional de rastreamento no Brasil é baixíssima. Há grande demora na realização de exames, falta de centros especializados — especialmente fora dos grandes centros urbanos — e desconhecimento da população sobre a importância da prevenção.


“Após os 50 anos de idade, a chance de apresentar pólipos aumenta, o que consequentemente representa um aumento no risco de tumores malignos. Como resultado, mais de 80% dos casos de câncer colorretal acontecem a partir dos 50 anos, o que explica este limite de idade como critério para início do rastreio ativo”, explica Jácome.


O oncologista destaca que pessoas com histórico pessoal de pólipos ou de doença inflamatória intestinal, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn, bem como registros familiares de câncer colorretal em um ou mais parentes de primeiro grau — principalmente se diagnosticado antes de 45 anos — devem ter atenção redobrada e realizar controles periódicos antes da idade base indicada para a população em geral.

Tratamento

O arsenal terapêutico para o câncer colorretal evoluiu significativamente nas últimas décadas. Além de cirurgia, quimioterapia e radioterapia, os pacientes agora têm acesso a imunoterapia e terapias-alvo — tratamentos que atuam de forma mais precisa nas células cancerígenas, com menos efeitos colaterais.


“O câncer colorretal conta com um arsenal importante de alternativas terapêuticas e possui altas chances de cura na grande maioria dos casos. No entanto, é muito importante que a doença seja diagnosticada o quanto antes através dos exames de rotina, o que se reflete diretamente nas taxas de sucesso do tratamento”, enfatiza Jácome.


A análise genômica do tumor também permite identificar mutações específicas que orientam a escolha do melhor tratamento, aumentando as chances de resposta e reduzindo a toxicidade. Entre as alternativas de conduta para tratar o câncer colorretal estão cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, indicadas de acordo com o estágio da doença e as características moleculares do tumor.

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