A síndrome de burnout, associada ao estresse crônico no trabalho, tem ganhado novos contornos nos últimos anos e passa a demandar um olhar mais estruturado dentro das organizações. Caracterizada pelo esgotamento físico e mental ligado diretamente à atividade profissional, a condição impacta a saúde dos trabalhadores e também a produtividade, tornando-se um tema cada vez mais presente nas discussões sobre saúde ocupacional.
Segundo o médico Watson Bizarro, da Unimed Sul Capixaba, a síndrome de burnout é uma condição relacionada especificamente ao estresse crônico no ambiente de trabalho. "Trata-se de um esgotamento físico e mental associado à atividade profissional, com impacto na saúde e na capacidade laboral”.
Ele explica que os principais sinais incluem exaustão constante, sensação de sobrecarga, irritabilidade, desmotivação, dificuldade de concentração e queda no desempenho, além de sintomas físicos, como dores de cabeça, alterações no sono e cansaço persistente.
Em quadros mais avançados, o problema pode evoluir para uma crise, quando o trabalhador passa a apresentar esgotamento extremo, crises de ansiedade, sensação de incapacidade e até necessidade de afastamento das atividades. “A pessoa pode apresentar esgotamento extremo, crises de ansiedade, sensação de incapacidade e até necessidade de afastamento do trabalho. É um indicativo de que o quadro evoluiu e exige avaliação médica imediata”, afirma. O diagnóstico, segundo ele, envolve avaliação médica criteriosa, com análise das queixas e da relação direta entre os sintomas e o ambiente profissional, o que permite estabelecer o chamado nexo causal.
Segundo o psiquiatra Henrique Muritiba, desde 2022 a síndrome de burnout passou a ser reconhecida como uma condição ocupacional, diretamente relacionada ao ambiente profissional. Com isso, a identificação do nexo causal entre o adoecimento mental e o trabalho tornou-se uma atribuição da medicina do trabalho. “Cabe ao médico do trabalho estabelecer essa relação de causa e consequência entre o sofrimento do paciente e o contexto laboral”, explica.
Ele destaca que, embora o diagnóstico ocupacional seja dessa área, o acompanhamento e o tratamento do paciente podem envolver outros especialistas, como o psiquiatra. Muritiba também chama atenção para o uso ampliado do termo no dia a dia, muitas vezes associado a situações de sobrecarga fora do ambiente profissional. “Quando falamos em síndrome de burnout, estamos nos referindo a um quadro específico, com origem no trabalho. O uso do termo em outros contextos pode gerar confusão sobre o que, de fato, caracteriza a condição”, afirma o psiquiatra.
De acordo com Watson Bizarro, o tratamento envolve acompanhamento multiprofissional, com apoio psicológico e, quando necessário, psiquiátrico, além da revisão das condições de trabalho que contribuíram para o adoecimento. Em alguns casos, pode ser indicado o afastamento temporário. A recuperação é possível, mas depende tanto do cuidado com o indivíduo quanto de mudanças no ambiente laboral, para evitar novos episódios.
Desde o dia 26 de maio de 2026, a entrada em vigor da nova NR-1 amplia ainda mais a responsabilidade das empresas em relação à saúde mental dos trabalhadores. A norma estabelece diretrizes que incluem o bem-estar psicológico como parte da gestão de riscos ocupacionais, envolvendo diretamente os setores de recursos humanos e saúde ocupacional. A atualização busca fortalecer a prevenção e criar ambientes de trabalho mais saudáveis, alinhados às demandas atuais de cuidado integral com o trabalhador.