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AVC: saiba identificar os primeiros sinais e quando chamar o Samu

O Acidente Vascular Cerebral é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo

Publicado em 20 de Outubro de 2026 às 19:21

Redação de A Gazeta

Publicado em 

20 out 2026 às 19:21
Formigamento de face é um dos sinais do AVC
Formigamento de face é um dos sinais do AVC shutterstock
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, já matou 50.424 pessoas e provocou 182.253 internações no Brasil nos primeiros sete meses de 2026, segundo dados do Datasus. O volume representa uma média de 860 internações e 238 mortes por dia no período — um óbito a cada 6 minutos.

O cenário ocorre após as internações por AVC crescerem 23,6% entre 2020 e 2025, passando de 236.930 para 292.930 registros.

O AVC pode acontecer de duas maneiras. Uma delas é o tipo hemorrágico, quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia, que pode ocorrer dentro do tecido cerebral ou na superfície do cérebro. É responsável por cerca de 15% dos casos de AVC, mas apresenta maior risco de morte.

Já o AVC isquêmico ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de sangue e oxigênio para as células cerebrais. Essa obstrução pode ocorrer devido a uma placa de gordura ou a um coágulo proveniente do coração. O AVC isquêmico é o mais comum e representa cerca de 85% dos casos.

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Em um episódio de AVC, cada minuto conta, como enfatiza a campanha mundial deste ano. Por isso, é fundamental saber identificar os sintomas e Samu (192) deve ser acionado imediatamente ao menor sinal ou suspeita. 

“A cada minuto em que o AVC isquêmico não é tratado, a pessoa perde 1,9 milhão de neurônios. Sinais como fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo; confusão, alteração da fala ou compreensão; alteração na visão (em um ou ambos os olhos); alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar; e dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente, são alertas”, explica a neurologista Sheila Martins, da Rede Brasil AVC.

Para ajudar a identificar o AVC, foi criado o protocolo Samu, uma referência ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, que define as ações Sorriso, Abraço, Música e Urgência como auxiliares nas medidas a serem adotadas no momento de crise.

O “s”, de sorriso, refere-se à ação de pedir à vítima para sorrir. Nesse momento, é possível verificar se o sorriso está torto ou assimétrico e se um lado do rosto se mostra caído ou dormente.

O “a”, de abraço, indica pedir à vítima para levantar os dois braços, o que permite verificar se um deles cai ou se inclina para baixo, e se há fraqueza ou formigamento em um lado do corpo.

O “m”, de música, refere-se a pedir que a vítima repita uma frase simples ou cante um trecho de uma música. A partir disso, é possível observar se a fala está enrolada, arrastada ou a pessoa não consegue se fazer entender.

Já o “u”, de urgência, indica a necessidade de acionar o SAMU 192, a partir da identificação de sinais nas ações anteriores. 
Tratamento de AVC no SUS
O Brasil vive também um momento importante de avanço na organização do cuidado ao AVC. Em setembro, o tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) foi reforçado com a sanção de projeto de lei que prevê a ampliação da oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência.

Os medicamentos trombolíticos podem ser utilizados no tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e do AVC isquêmico. No AVC, atuam na dissolução do trombo que obstrui o vaso sanguíneo, permitindo restabelecer a circulação cerebral. Quando administrados rapidamente e nos pacientes adequadamente selecionados, aumentam a chance de uma boa recuperação e reduzem o risco de sequelas.
 
“Essa lei representa um avanço histórico para ampliar o acesso ao tratamento do AVC no Brasil. No AVC, cada minuto conta: levar o tratamento adequado para mais perto do paciente significa aumentar a chance de sobrevivência e, principalmente, reduzir as sequelas”, afirma Sheila Martins.
 
Também em setembro, o Ministério da Saúde instituiu o Comitê de Acompanhamento da Implementação das Linhas de Cuidado dos Agravos Cerebrovasculares e Cardiovasculares Tempo-Dependentes: AVC e IAM. O grupo tem entre seus objetivos definir estratégias, critérios e parâmetros para qualificar a assistência aos pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral.
 
No hospital, a avaliação neurológica e exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, permitem identificar o tipo de AVC e definir o tratamento. Nos casos isquêmicos, pacientes elegíveis podem receber medicamentos trombolíticos, que dissolvem o coágulo, geralmente até 4,5 horas após o início dos sintomas. Em situações selecionadas, a trombectomia mecânica permite retirar o coágulo por meio de cateter, inclusive em janelas mais prolongadas, conforme critérios clínicos e de imagem.

“Hoje dispomos de tratamentos capazes de modificar significativamente o prognóstico do AVC. Mas essas terapias dependem de uma estrutura hospitalar preparada, protocolos bem definidos e atendimento rápido. O tempo perdido antes da chegada ao hospital pode comprometer oportunidades de recuperação”, ressalta o neurologista Jamary Oliveira Filho, do Hospital Mater Dei Salvador.
Prevenção começa antes dos sintomas
A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco modificáveis para o AVC. Diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e algumas arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, também aumentam o risco. O controle dessas condições, associado à alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico, ajuda a prevenir tanto o primeiro episódio quanto a recorrência.

“Prevenir o AVC significa cuidar da saúde cardiovascular continuamente. Muitas pessoas convivem com pressão alta sem apresentar sintomas. Diagnosticar e tratar esses fatores de risco é uma das medidas mais importantes para evitar uma doença que pode deixar consequências permanentes”, destaca Jamary.

A campanha de 2026 também chama atenção para a vida após o AVC. Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e apoio psicológico podem integrar a reabilitação, que deve ser individualizada e iniciada conforme as condições clínicas do paciente. A mensagem é que, além de salvar vidas, é necessário oferecer condições para que os sobreviventes recuperem autonomia e qualidade de vida.

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