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Privação de sono nas mães pode acelerar envelhecimento

Noites mal dormidas após parto podem somar em 3 a 7 anos na idade biológica de mulheres

Publicado em 22/10/2021 às 10h41
Privação de sono na maternidade, cansaço na maternidade
Privação de sono na maternidade pode gerar problemas cardíacos, cerebrais e metabólicos. Crédito: Shutterstock

O sono das mulheres costuma ser afetado com a chegada da maternidade, e qual a consequência disto a longo prazo? Uma recente pesquisa divulgada pela Universidade da Califórnia (UCLA) e publicada na revista científica Sleep Health mostrou que a falta de sono de mães nos primeiros seis meses costuma ser afetado, e pode acelerar o envelhecimento celular.

A pesquisa acompanhou mulheres de 23 a 45 anos durante a gravidez e o primeiro ano de vida dos filhos. Para a pesquisa, as mulheres responderam questionários sobre o sono e também tiveram amostras de sangue avaliadas —elas participaram de seis encontros, três durante a gravidez e o restante durante o primeiro ano de seus filhos. O resultado foi um aumento da idade biológica de três a sete anos nas mulheres que dormiam menos de sete horas por dia.

Especialista em Medicina do Sono e presidente da Associação Brasileira do Sono – regional ES, Jéssica Polese afirma que a maioria das mamães de primeira viagem com filhos recém nascidos até os seis meses quase não dormem, por conta da atenção dispensada ao bebê e ao aleitamento materno, que neste período é muito importante. “A amamentação acaba se tornando o único alimento no início da vida, e as mães ficam por conta e por madrugadas a fio cuidando dos pequenos”, afirma a médica.

Com esta pesquisa tivemos a prova de que as mães realmente sofrem com a privação do sono e ainda, correm risco de danos à saúde. “Várias noites sem dormir, no acumulado dos meses, podem causar diversas doenças como obesidade, diabetes, hipertensão e até depressão”, alerta Jéssica.

De acordo com o Andrea Bacelar, neurologista e presidente da Associação Brasileira do Sono, a privação do sono, em geral, já é um grande fator de risco. "Aumentam exponencialmente as chances de problemas cerebrais, cardíacos e metabólicos", disse à Folha de S. Paulo.

Outro fator que chamou atenção na pesquisa é que estas mulheres também tinham telômeros mais curtos nas células brancas.  “O telômero é um pedaço do cromossomo e, quando há o encurtamento, isso indica um sinal de envelhecimento celular”, explica Helena Hachul, ginecologista e pesquisadora do Instituto do Sono, em entrevista à Folha de São Paulo.

Jéssica conta que esse desgaste gera problemas cardiovasculares. "Telômeros são estruturas de proteínas do DNA que impedem o desgaste do material genético. Com este dado, o risco de doenças cardiovasculares também é maior", destaca.

Com este cenário, nossa dica é sempre deixar a mãe descansar quando possível nestes primeiros seis meses que são mais cruciais em relação ao sono. “Qualquer cochilo auxilia neste caso para elas descansarem e a ajuda do cônjuge, familiar é muito válida. É preciso compreender este momento e principalmente para as mulheres que trabalham fora de casa, entenderem quanto à licença maternidade tem que ser aproveitada para total dedicação ao bebê e a saúde dele e dela”, finaliza a médica.

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