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Outubro rosa

Prática de exercícios reduz em 30% as chances de câncer de mama

Presidente regional da Sociedade Brasileira de Mastologia tira dúvidas sobre doença que mais mata mulheres no Brasil

Publicado em 08 de Outubro de 2018 às 10:43

Redação de A Gazeta

Publicado em 

08 out 2018 às 10:43
Se um nódulo maligno ultrapassa os cinco centímetros, a chance de quimioterapia é de 100%. Se ele for identificado com um centímetro, a escala encolhe para menos de 1% Crédito: Pixabay
Outubro é o mês de vestir rosa. Não somente pela quarta-feira do dia três comemorada pelos fãs de "Meninas Malvadas", filme de 2004 estrelado pela atriz norte-americana Lindsay Lohan, mas pela campanha de conscientização sobre o câncer de mama — a doença que mais mata mulheres no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa de diagnósticos da doença entre 2018 e 2019 será de 59.700 novos casos da doença no país.
Para o presidente regional do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Mastologia, Eduardo Millen, a ineficácia da mobilização para reduzir os números de mortalidade está na quantidade de pacientes que realizam o exame de mamografia anualmente:
— A Organização Mundial de Saúde (OMS) estipulou que uma campanha de combate ao câncer de mama só faz efeito quando 70% das mulheres com mais de 50 anos realiza o exame de mamografia. No Brasil, apenas 23% delas tem essa cobertura pelo SUS.
O exame — que deve ser feito uma vez por ano a partir dos 40 anos — não é o único que faz diagnóstico da doença. Também podem ser acrescentadas à lista ultrassonografias, ressonâncias e, para de fato classificar um tumor como benigno ou maligno, a biópsia. A mamografia, no entanto, é a única que pode identificar microcalcificações na mama que podem vir a se tornar em um tumor.
— A ressonância e a ultrassonografia são indicadas para a população de alto risco, o que é apenas 10% das mulheres — diz o médico com doutorado pela Unifesp.
A IMPORTÂNCIA DA MAMOGRAFIA
Embora o autoexame tenha sua importância, Millen afirma que ele apenas identifica nódulos quando já estão em estágio avançado. Uma mulher leiga, por exemplo, costuma percebê-los somente quando possuem mais de dois centímetros — o que significa que ele está em formação há pelo menos 20 anos:
— O nódulo é uma manifestação tardia do câncer. Um médico, por exemplo, não vai perceber um nódulo menor que um centímetro. Por isso que não podemos delegar à mulher a função de se diagnosticar e por isso que é tão importante fazer mamografia. Com ela é possível identificar nódulos de dois milímetros, ou seja, formado há pouco mais de cinco anos.
A maioria dos caroços nas mamas não são câncer. Mas apesar de todas estarem propícias a desenvolvê-lo, as mulheres com maior fator de risco são as com histórico na família — principalmente se tratando de casos manifestados antes dos 50 anos. É o caso da atriz Angelina Jolie, que realizou uma mastectomia preventiva em 2013.
— A mãe da Angelina morreu de câncer de mama e sua tia desenvolveu câncer de mama e ovário. Após ela fazer testes genéticos, os médicos detectaram uma alta chance de ter a doença. Antes que o problema acontecesse, ela optou pela cirurgia preventiva da retirada das mamas. Este procedimento, que retira apenas as glândulas mamárias e preserva a capa do seio, reduz o risco do câncer em 90% e a mortalidade em 100% — explica o mastologista.
Outras prevenções, entretanto, não precisam ser tão radicais. Mudanças de hábitos simples, como consumir menos álcool diariamente, diminuem expressivamente a chance de ter a doença. Eduardo ainda dá mais recomendações:
— As mulheres precisam se mover, portanto, praticar exercícios, nem que seja uma caminhadinha rápida uma vez ao dia, reduz em 30% o risco de câncer de mama. Essa prática ajuda no segundo ponto ao qual as mulheres devem dar atenção, que é o controle do peso. Para fechar, quem faz terapia para a menopausa com hormônios deve evitar estender esse tratamento por mais de cinco anos. Se não puder, o ideal é aumentar a vigília, realizando exames laboratoriais a cada seis meses.
Um diagnóstico precoce representa a diferença entre a vida com qualidade e a morte. Se um nódulo maligno ultrapassa os cinco centímetros, a chance de quimioterapia é de 100%. Se ele for identificado com um centímetro, a escala encolhe para menos de 1%.
Considerando a qualidade da vida das pacientes é que o Dr. Eduardo apela para a realização da mamografia na frequência recomendada. Afinal, usar rosa para simbolizar a batalha contra um mal que tirou a vida de 14 mil brasileiras em 2013 deve ir além de outubro e das quartas-feiras, durando o ano inteiro.
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