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Meningite: uma doença silenciosa que pode matar

Arthur, neto do ex-presidente Lula, morreu em cinco horas

Publicado em 02 de Março de 2019 às 00:20

Publicado em 

02 mar 2019 às 00:20
Criança com dor de cabeça: um dos sintomas da meningite Crédito: shutterstock
Uma doença que pode matar em poucas horas. Assim é a meningite meningocócica, que causou a morte do neto de 7 anos do ex-presidente Lula. Uma infecção bacteriana que ataca as meninges, três membranas que envolvem e protegem o encéfalo, a medula espinhal e outras partes do sistema nervoso central. A transmissão se dá por via respiratória.
No caso de Arthur Lula da Silva, a progressão da doença foi feroz: o menino deu entrada no Hospital Bartira, em Santo André, no Interior de São Paulo, às 7h11 e faleceu cinco horas depois.
Entre os sintomas da doença estão febre, mal-estar, dor de cabeça e rigidez no pescoço.
A meningocócica que atingiu Arthur, é uma meningite bacteriana – há tipos virais e causadas por fungo – e, junto com a pneumocócica, é considerada uma das formas mais graves e preocupantes da doença.
“Essa provavelmente é a doença infecciosa mais devastadora que existe. A evolução para a morte pode acontecer em poucas horas”, destaca o infectologista e professor da Ufes Crispim Cerutti Júnior.
Ele explica que quanto mais cedo a doença for diagnosticada maior é a chance de salvar a criança. “No entanto a substância que a bactéria produz e que é nociva ao cérebro é muito eficaz do ponto de vista negativo”.
VACINA
A vacina é a forma mais eficaz de evitar a doença, segundo os especialistas. O imunizante contra o tipo C, que é o mais frequente no Brasil, está disponível na rede pública gratuitamente. Na rede privada, existe a vacina contra os tipos A, B, C, W e Y. Por isso é importante que os pais vacinem seus filhos, o que aumenta a proteção.
“Vacinada, a probabilidade de a pessoa contrair a doença é muito pequena. Porém, não é totalmente descartada. Isso porque a bactéria tem vários grupos e a transmissão pode ocorrer por algum que é menos coberto pela vacina”, esclarece Crispim.
O médico alerta que os pais devem ficar atentos a doenças febris em que a febre dura mais de dois dias. “Se isso ocorrer é importante buscar um médico”, orienta.
E pondera que a evolução da meningite meningocócica às vezes ocorre até mais rápido do que isso. “Por isso é bom ficar atento, além da febre, a manchas cor de vinho na pele na forma de pequenos pontinhos. Ou ainda se a criança tiver febre e sangramentos”, alerta.
MORTALIDADE
Segundo Marco Aurélio Sáfadi, professor de infectologia da faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, a letalidade da doença é de 20%. “Entre as bactérias, o meningococo é a causa número um de meningite bacteriana no País. É a que tem com maior frequência”, destaca. Nos casos em que não leva à morte, a meningite pode deixar sequelas.
Segundo Sáfadi, que também é presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, no caso de meningite bacteriana, o tratamento é feito com antibióticos e pacientes que sobrevivem podem ter sequelas.
“Normalmente, eles têm sequelas neurológicas, cegueira, surdez e perda de membros por necrose. As complicações atingem de 10% a 20% dos pacientes que sobrevivem”, ressalta.
Os pacientes também podem ter um quadro de meningococemia, quando há uma infecção na corrente sanguínea, como aconteceu com o neto do ex-presidente. "Ocorre uma proliferação da bactéria, que chega no sangue e promove uma resposta inflamatória muito forte. A resposta é tão intensa que pode promover um choque com queda significativa da pressão. O paciente acaba sucumbindo”, explica Jean Gorinchteyn, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. (Com informações do Estadão)

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