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Pop It: especialistas alertam para o uso consciente do brinquedo

Com promessa de desestressar, aliviar a ansiedade e melhorar a concentração e o raciocínio lógico, brinquedo se tornou desejo; especialistas alertam para a necessidade do uso consciente

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 30/08/2021 às 18h09
Brinquedo Pop It
O brinquedo de silicone com bolinhas é semelhante ao plástico bolha, que emite um som ao ser apertado. Crédito: Freepik

Ele é macio, colorido e tem tamanhos e formatos diferentes. O Pop It (também conhecido como fidget toys) virou o brinquedo sensação no Brasil, principalmente entre as crianças. O produto alcançou o auge da venda na pandemia após viralizar no aplicativo TikTok. O brinquedo de silicone com bolinhas é semelhante ao plástico bolha, que emite um som ao ser apertado.

E a fama não veio por acaso, já que ele promete fazer o usuário desestressar, aliviar a ansiedade e melhorar a concentração e o raciocínio lógico, além de auxiliar no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Mas será que um simples brinquedo de plástico pode influenciar na inquietação e na saúde mental das pessoas?

A psicanalista Renata Tavares Imperial explica que a ansiedade é um dos grandes problemas da atualidade e que tem afetado muito as crianças. Por isso, no dia a dia é preciso achar estratégias para lidar com ela, já que ninguém aguenta estar exposto a um nível elevado de ansiedade.

"Não é por acaso que a indústria lança produtos que oferecem alívio a ansiedade e ao estresse, como o brinquedo Pop It. Percebemos, no cotidiano, como as crianças gostam desse brinquedo e que ele corresponde a ser um meio de descarga da ansiedade, mas é importante considerar que não funcionará para todos. Em alguns casos, a ansiedade toma uma proporção de um quadro psicopatológico, que necessita de outros recursos externos como o tratamento com profissionais do campo psi (psicanalista, psiquiatra e psicólogo)".

Renata explica que o Pop It é um brinquedo, e deve ser utilizado com esse propósito, ou seja, de proporcionar prazer, de estimular a socialização e o lazer. "Considero fundamental que os pais não percam de vista a importância da criança ter momentos de puro lúdico, sem ficarem, a todo momento, preocupados em estimular alguma função cerebral, ou alguma competência social, pois isso ocorrerá como consequência, caso seja proporcionado a criança a chance dela ser criança, isto é, de brincar por brincar".

Ela ressalta que o uso excessivo de qualquer brinquedo é danoso. "O excesso é algo que traz prejuízos em vários campos da vida humana como no próprio corpo, no processo de aprendizagem, nas relações sociais e nas amorosas. É importante considerar que a criança ainda não possui um nível de discernimento do que lhe traz prejuízo, é o adulto que vai trazer essas referências para ela", diz Renata Tavares Imperial. 

ALÍVIO PONTUAL

A psicanalista infantil Bianca Martins vê o produto como limitado, tendo a função apenas de ação motora. Para ela, é importante pensar o que levaria uma criança a usar excessivamente esse brinquedo. "Tudo em excesso causa mais prejuízo do que benefício. Como é um brinquedo bastante limitado, não proporciona a criança a expansão de outras habilidades como a invenção, o compartilhamento, é um objeto que num primeiro momento até pode cumprir o que promete, que é um pouco de concentração, mas logo, como é típico da infância a criança irá se desinteressar".

É preciso entender que o brinquedo funciona apenas como uma ferramenta de alívio, não podendo ser considerado como a solução para qualquer possível problema de saúde mental. "Ele gera um alívio pontual. É função da família ensinar as crianças a lidarem com as situações de estresse e ansiedade, para além do uso de um objeto. Infelizmente somos bombardeados por inúmeros objetos que prometem bem-estar. É necessário alfabetizar emocionalmente as crianças, ensinando-as a reconhecer suas emoções, as emoções das demais pessoas da família e construir com estratégias de lidar com as frustrações, que são as principais emoções que causam ansiedade de desorganização emocional na infância", ressalta Bianca Martins.

Bianca Martins, psicanalista
A psicanalista infantil Bianca Martins fala sobre o uso excessivo de briqnuedos. Crédito: Carlos Alberto Silva

Bianca Martins

Psicanalista infantil

"Se uma criança está obsessivamente utilizando um brinquedo ou um objeto precisamos nos perguntar o que está havendo com ela, pois é típico de uma criança saudável que se interesse por muitos objetos ao mesmo tempo"

Bianca diz que o que promove efetivamente a redução de níveis de estresse e ansiedade na infância é o brincar livre, na natureza, e de preferência de maneira coletiva, com outras crianças. "O que promove a prevenção de degeneração cerebral é a criança estar inserida em um ambiente seguro e que proporcione experiências diferentes. A rotina exagerada e a ausência de novas experiências são engessadores do desenvolvimento cerebral infantil. As crianças precisam, diariamente, ter experiências que promovam a ampliação das sinapses cerebrais".

Por isso, os pais devem incentivar as brincadeiras livres, aquelas que utilizam a imaginação, a fantasia, que possam ser feitas coletivamente. "Os brinquedos ricos são aqueles que podem ser utilizado de muitas formas, esses sim são os bons objetos para se ter na infância. É importante ressaltar que brinquedos com pouca função são aqueles que estimulam pouco as habilidades essenciais importantes na infância como a invenção, a fantasia, a apreensão das regras, o manejo das frustrações e o reconhecimento dos limites nas ações consigo mesmo e com os demais", finaliza Bianca Martins.

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