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Pandemia impacta mais a vida das mulheres

Entre os trabalhos administrados por elas estão as atividades domésticas, a educação escolar em casa e a assistência a idosos da família

Publicado em 28/04/2020 às 09h02
Atualizado em 28/04/2020 às 12h24
 Endie Ferrari com a filha, Antônia
Endie Ferrari com a filha, Antônia. Crédito: Divulgação

O relatório "Mulheres no centro da luta contra a crise Covid-19", divulgado no final de março pela ONU Mulheres, entidade da Organização das Nações Unidas para igualdade de gênero e empoderamento, chegou a conclusão que a pandemia afeta mais as mulheres. Elas têm de se dividir entre diversas atividades, como emprego fora de casa, trabalhos domésticos, assistência à infância (cuidado com filhos), educação escolar em casa (já que as escolas estão fechadas) e assistência a idosos da família. De acordo com o estudo antes da Covid-19, mulheres desempenhavam três vezes mais trabalhos não remunerados do que os homens; com o isolamento, a estimativa é que este número triplique. 

É o caso da empresário Endie Ferrari, que durante esse período tem se dedicado tanto ao trabalho fora de casa quanto aos cuidados do lar. "Esses dias têm sido mais dinâmicos. As atividades domésticas tiveram que ser incorporadas ao dia a dia, então estabeleci horários para cada atividade. Eu mesma faço e conto com a ajuda e colaboração dos demais membros da família. Todos ajudam, o que faz com que a atividade seja divertida com a minha filha de 4 anos que ajuda a recolher o lixo, fica atenta aos sapatos na porta de casa, a higienização da mãos. Meu marido tem ajudado a cozinhar", conta. 

Ela conta que tem assumido muitos papéis novos, como o de professora, ajudando a filha nas atividades escolares. "Tenho uma filha de 4 anos. As atividades da escola são realizadas de acordo com as instruções da creche e também tenho promovido atividades para estimular o raciocínio imprimindo materiais para colorir e busco fazer atividades como dança e alongamentos dentro de casa", diz ela, que para relaxar assiste a filmes e séries. "Também estou aprendendo inglês em um curso on-line de língua estrangeira".

Assistência ao idoso 

Trabalhando na área de intercâmbios, Jackeline Teubner Guasti, 58 anos, também viu a rotina mudar. E as funções acumularem. Ela, que está trabalhando em home office, conta que as demandas aumentaram muito. "Tive que criar uma rotina para associar o trabalho de casa com a demanda profissional. Não estava acostumada com rotina doméstica e a manutenção da casa (limpeza, lavar , passar), a nossa sorte é que a lavanderia está pegando as roupas mais pesadas", conta.

Jackeline Teubner Guasti e a mãe Lesy Gama Teubner
Jackeline Teubner Guasti e a mãe Lesy Gama Teubner. Crédito: Divulgação

A diretora de agência de viagens precisou levar a mãe de 82 anos para sua casa durante a pandemia. "A minha mãe é muito ativa, mesmo com 84 anos.  Desde que ela teve que ser internada em novembro, para uma cirurgia, os filhos passaram a fazer rodízio com objetivo de dormir com ela. Desde essa época, nós nunca mais a deixamos sozinha, especialmente, à noite. E agora ela veio morar na minha casa", conta.  Para ela, que demanda uma atenção, Jackeline criou uma rotina que inclui diversas atividades. "Trouxe para ela bordados, compramos pinturas , telas para pintar".

Acompanhamento escolar

A corretora de seguros Karolynne Cavedo também tem se dividido entre o trabalho, as atividades domésticas e a atenção aos filhos. "Trabalhei em home office por um período. Mas, por algumas questões inerente ao meu negócio, tive que retornar para a empresa com trabalho 'in loco'. O que vem apresentando um volume maior com as demandas e, mais do que nunca, a rapidez nas repostas tem sido primordial. O volume de trabalho aumentou", relata. 

 Karolynne Cavêdo com os filhos
Karolynne Cavêdo com os filhos. Crédito: Divulgação

Em alguns dias da semana ela passa as manhãs em casa para participar das aulas on-line dos filhos, um menino de 6 anos e uma menina de 12, além de acompanhar os deveres no final do dia. "Costumo brincar que nesta hora, assumo minha terceira jornada de trabalho. E , quando não estou em casa, tenho minha mãe que me auxilia. Mas, a tarefa que mais me demanda tempo, que eu não fazia antes, é passar roupa", confessa. 

Ela relata que de fato é uma sobrecarga que está vivendo, e que acredita que muitas mães e profissionais também estão com a mesma sensação. "Mas não podemos permitir que isto aposse-se da paz do nosso lar. E no dia em que não dou conta e vejo que meus filhos estão exaustos e ansiosos com tudo, mudamos o foco e fazemos interações diferentes, pois precisamos ter muita atenção com o que esses excessos de cobrança pode causar em nossas famílias", diz Karolynne.

Casa, trabalho e exercícios físicos

Fernanda Pignaton com o marido e a filha
Fernanda Pignaton com o marido e a filha. Crédito: Divulgação

A nutricionista Fernanda Pignaton, 38 anos,  conta que após 30 dias parada voltou a trabalhar. E junto com o consultório também estão as tarefas domésticas, que ela divide com o marido e a filha. "Confesso que sempre pesa mais pra mim, mas meu marido está  ajudando muito. E a filha não fazia nada antes, agora está arrumando quarto diariamente e ajudando nas pequenas coisas como louça e roupas. Ela comprometida com coisas que antes não era cobrada", conta. 

Para entreter a criança ela costumam ir para piscina da casa e até pintaram o quarto dela. "Tem sido bom esse tempo juntas pois normalmente não fico quase em casa", confessa a mãe que ainda arruma tempo para malhar diariamente. 

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