Em 1994, a Secretaria Municipal de Cultura lançou os "Escritos de Vitória", uma série de livros arengando sobre a capital dos capixabas. O prefeito era Paulo Hartung. A mim me convidaram para escrever sobre o porto e suas referências. Foi assim que Alvarito Mendes, Ângela Xavier, Antônio Aristides, Toninho Neves, Attilio Colnago, Bernadette Lyra, Francisco Aurélio Ribeiro, Luiz Carlos Lima, Marcos Igreja, Marien Calixte, Pedro Teixeira e eu compusemos a edição sobre “O Porto”. Resolvi que o Penedo, tal qual o via, fazia – como faz – parte do porto.
No lançamento - Amylton de Almeida havia confessado que não lançava livro para não rasgar – estávamos todos embuídos de um amor à pátria e nem todos eram nascidos na ilha “Delícia”, sem as aspas da Carmélia de Souza, por favor.
No dia D, íamos apresentando os livros uns aos outros para os oferecimentos, no volume sobre o tema. Outro dia, levantando a poeira das deliciosas recordações, dou de cara com a edição número cinco. Procurei minha crônica “O Penedo,” estava lá.
Quem escreve livro sabe que não é fácil a tarefa de elaborar a dedicatória. Os leitores são muito grandes no coração e o espaço miudinho. Escrever um tema ao lado de gigantes da literatura vitoriana é difícil, mas é possível, principalmente se comparada com a dedicatória.
(Quando lancei as crônicas “Guerra é Guerra”, no Britz, confundi um oferecimento, e não quero nem lembrar da confusão).
Fui cuidadosa e pacientemente ler as dedicatórias feitas a mim pelos cúmplices do livro número cinco. Torno público, amado público.
Alvarito: “Para o colega Bonates, com todo carinho do aprendiz”. Eu – imagina - professor de Alvarito? Antonio Carlos Neves mandou “toda a antiga e renovada admiração”.
De Bernadette Lyra: “Para Paulo Bonates, com o abraço e a admiração mesmo (grifado). Sorry periferia, esse grifo entrou sonoro no inconsciente na ala da minha autoestima.
Meu mentor, o colega de “Vitor Hugo, de A Gazeta, Marien Calixte, mandou sua verve: “Viva a noite. Vitória e a sua (minha) mágica (mágica?) presença. Não vou cansá-los mais".
Olhei para meu cachorro, Dorian Gray, e notei que se apiedara da minha saudade. Afinal, Dorian é um legítimo Mendigus Brasiliensis, e cheio de sensibilidade, e o rabo a abanar.
No texto que cometi, estava lá: "Ao ver o Penedo pela primeira vez, confessei para dona Mariucha, minha mãe, o Pão de Açúcar daqui é mais bonito e mais perto".
Por morar no Rio de Janeiro, em uma certa época, fui várias vezes ao Pão de Açúcar brincar com minha amada filha Paula. Nunca fui ao Penedo, tão perto e tão longe... Mas não perde por me esperar.