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Desenvolvimento

Por que o debate sobre o futuro da Enseada do Suá é necessário?

A região é parte fundamental de uma área que precisa ser repensada em termos de sua importância para o desenvolvimento da Grande Vitória, de forma geral, e da capital Vitória, de maneira específica

Publicado em 27 de Fevereiro de 2020 às 05:00

Públicado em 

27 fev 2020 às 05:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Área que pertencia ao Banco do Brasil na Praia do Suá pode ganhar condomínio de grande porte Crédito: Vitor Jubini
O período pré-carnavalesco foi fértil em intenções imobiliárias na região da Enseada do Suá. Por um lado, foi convocada "...audiência pública com o objetivo de informar e obter subsídios para respaldar decisões a serem tomadas..." pela Secretaria de Desenvolvimento da Cidade, a respeito de projeto de construção em terreno em frente ao Hortomercado. Resumindo, a previsão é de duas torres com 43 andares cada, onde serão abrigadas 500 apartamentos e lojas.
Por outro lado, foi noticiado pela colunista Beatriz Seixas, neste jornal, que "Grupo Buaiz investe em área verde de olho no futuro". O objetivo do grupo é construir empreendimentos voltados para o alto padrão, sendo uma das possibilidades o mercado residencial.
Dois projetos com forte impacto em uma área da cidade onde há muito é difícil a mobilidade urbana. Dificuldade provocada tanto pela ocupação do aterro construído na década de 1970, quanto pelo sistema viário que já existia e os fluxos adicionais que a ela foram atribuídos com a operação da Terceira Ponte.
Para além dos já existentes gargalos nos fluxos de veículos e nos descasos para com pedestres, a Enseada do Suá é parte fundamental de uma área que precisa ser repensada em termos de sua importância para o desenvolvimento da Grande Vitória, de forma geral, e da capital Vitória, de maneira específica.
A parte da cidade que vai do Iate Clube ao Álvares Cabral abriga um conjunto de edificações de importância político-administrativa – Assembleia Legislativa, Tribunais de Justiça e de Contas, prefeitura e Câmara de Vitória, dentre outras; ligadas ao esporte e lazer – além dos dois clubes que a delimitam, tem uso intenso de equipamentos em torno da Praça dos Desejos / Curva da Jurema / Praça do Papa.
São limítrofes a essas área bairros que vêm se adensando de forma acelerada nos últimos anos – incluindo Praia do Canto, Ilhas do Frade e Boi, Praias de Santa Helena e do Suá e Bento Ferreira – e que por si só demandam ampliação de áreas para convívio, esporte e lazer. Nesse perímetro, encontra-se o importante Cais das Artes, que precisa ser terminado, assim como deve ser pensada a construção de um Oceanário para servir de porta ao mar para a cadeia de montanhas submersas entre as ilhas de Vitória e Trindade.
Cais das Artes e Oceanário que poderão fomentar projetos culturais e científicos de interesse internacional. Ancoragem que servirá para tornar Vitória contemporânea dos ricos tempos de economia criativa, da aprendizagem e do conhecimento.
Pensar a Enseada do Suá para além de projetos imobiliários é ousadia necessária para que a cidade se desenvolva para muito além do crescimento provocado pelo acréscimo de imóveis residenciais, comerciais e de serviços. Desenvolvimento para além do crescimento vem sendo experimentado em inúmeras cidades. Muitas delas perderam importância do ponto de vista da produção industrial ou de atividades portuária, por exemplo, e buscaram na qualidade de vida para quem nela habita um importante fator de competitividade, tão cara a discursos de governantes.
Busca de qualidade de vida que passa por privilegiar o uso de espaços para o convívio social, através de cultura, lazer ou o simples interagir com pessoas e outros seres viventes. Qualidade de vida que exige menos automóveis circulando e mais espaço para pedestres, ciclistas e transporte público.
Qualidade de vida que precisa que terrenos hoje desocupados sejam pensados para muito além do direito de propriedade. Pensados a partir de sua função social. Direito de propriedade a ser preservado, mas subordinado ao interesse público. Este representado pela autoridade municipal em negociações transparentes com donos de terrenos vagos e de imóveis construídos. Proprietários e profissionais por eles contratados que se encantam quando visitam cidades onde o humano e a natureza recuperam a centralidade.
Vitória, sua gente, seu patrimônio natural e cultural merecem essa centralidade no humano e na natureza tão admirada por quem tem o privilégio de viajar mundo afora.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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