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Alguns dos discos capixabas que são retratados pelo jornalista José Roberto Santos Neves em seu novo livro, “Os Sons da Memória - Uma Leitura Crítica de 40 Discos que marcaram época na Música do Espírito Santo”
Alguns dos discos capixabas que são retratados pelo jornalista José Roberto Santos Neves em seu novo livro, “Os Sons da Memória - Uma Leitura Crítica de 40 Discos que marcaram época na Música do Espírito Santo”. Crédito: Reprodução

Resgate de 40 discos capixabas por um jornalista dedicado à musica

E não se engane quem imagina que só se interessará pelo livro "Os Sons da Memória" aquele que admira ou consome música. Os estudiosos de História - sim, com agá maiúsculo - devem transformá-lo em leitura obrigatória

Publicado em 02/10/2021 às 02h00
  • Francisco Grijó

    É escritor

Na orelha do livro "Os Sons da Memória", de José Roberto Santos Neves, mencionei uma fala anônima: escrever sobre música é como dançar sobre arquitetura. Evidentemente, escrever sobre música - e o autor comprova isso - é possível. Aliás, muito se escreveu sobre música: gêneros, instrumentos, atuações, compositores, influências, história, curiosidades e, claro, muita fofoca e especulação.

E tudo isso, também evidentemente, alicerçado pelos pilares da subjetividade. Em outras palavras: o que vale é a opinião, muitas vezes canhestra e sem fundamento histórico e técnico. José Roberto vai pelo caminho subjetivo, porém tem conhecimento de causa. É músico, é estudioso, um pesquisador de primeiríssima - este último predicativo provavelmente tenha sido herdado do avô, o justificadamente celebrado Guilherme Santos Neves.

José Roberto é leitor do new journalism (aqui chamamos de jornalismo literário), disso eu sei. Aprecia, por exemplo, a narrativa um tanto romanceada de um Ruy Castro, embora se distancie do jornalista mineiro em estilo. A solidez da escrita, porém, é a mesma, assim como é a mesma a veia criativa ao expor os elementos - influências, temáticas, técnicas - que cercam determinado disco que você, leitor, terá o prazer e a oportunidade de ler.

Li dois de seus livros anteriores: "Rockrise" e "Maysa", duas obras distintas. Uma delas, a história do rock no ES; a outra, sobre um dos expoentes do samba-canção. Eis aonde quero chegar. José Roberto mostrou, anteriormente, que é capaz de escrever sobre música, e não somente sobre um gênero do qual fez parte, como integrante. Aos desavisados, o autor é baterista - e de rock pesado.

Ao ler "Os Sons da Memória", tive a impressão de estar diante de um livro que, tendo 400 páginas (no original), não teria fim. Ou, por outra: um livro cuja leitura se eternizasse porque a necessidade de lê-lo e relê-lo tornava-se essencial.

E não se engane quem imagina que só se interessará pela obra aquele que admira ou consome música. Os estudiosos de História - sim, com agá maiúsculo - devem transformá-lo em leitura obrigatória.

Afirmei, na orelha do livro, que dois de meus ídolos jaziam no texto: Hélio Mendes e Gilberto Garcia. Cheguei a ambos por uma terceira personagem, que também ilustra as páginas: meu querido amigo Afonso Abreu, a quem biografei em meu livro "Os Mamíferos - crônica biográfica de uma banda insular". Citei-me com um propósito.

Música
A orquestra do compositor e trombonista Clovis Cruz foi fundamental para o desenvolvimento da música popular no ES nos anos 1930 e 1940. Crédito: Acervo Roberto Burura/Divulgação

Afirmei, no meu livro, que, não sendo jornalista, poderia cometer alguns deslizes que seriam perdoados. José Roberto é jornalista, e maturado. Foi muito além do que pode (e consegue) ir alguém que não conheça os caminhos, as vielas, as ruas escuras, os becos tenebrosos da narrativa jornalística. E, vencendo esse itinerário, chega-se a Raul Sampaio, a Pedro Caetano, Maurício de Oliveira, a Carlos Poyares, a João Pimenta, a Mário Ruy. Chega-se até a Oscar Gama, estudioso da literatura e do teatro que, em companhia da sua All-Stars Band, legou-nos Samblues. Apreciei sobremaneira a inclusão do grupo América 4, cujo big boss, o boliviano Tobi Gil, fez e aconteceu em terras capixabas. Aliás, só fiquei sabendo que o América 4 nasceu capixaba lendo o livro.

O que me chama a atenção - e creio estar-me repetindo - é a versatilidade de José Roberto. Imaginei que ele se sentiria mais à vontade falando sobre o Urublues e o Lordose pra Leão. Enganei-me: é capaz, com a mesma contundência, dedicação e perícia, de escrever sobre o rapper Renegrado Jorge e sobre a cantora Waleska, tão aparentemente díspares. Só me resta parabenizar. E agradecer.

Não sei se o leitor percebeu, mas citei os santos e deixei os milagres para quem quiser conferir. Os milagres são, justamente, o fundamento do livro: os discos, aqueles artefatos que, capazes de perpetuar a música, servem à escrita de quem se dedica a eles. José Roberto celebrou os dois: artista e obra. Eu, de minha parte, celebro "Os Sons da Memória".

LANÇAMENTO:

“Os Sons da Memória - Uma Leitura Crítica de 40 Discos que marcaram época na Música do Espírito Santo” 

  • Quando: 5 de outubro, às 19h
  • Onde: Auditório do Titanic (Centro de Capacitação e Complementação), na Praça Duque de Caxias, s/n, centro de Vila Velha
  • Entrada franca (público limitado, em consonância com os protocolos de prevenção à Covid-19)
  • Transmissão online pelo YouTube da Editora Cândida
  • O evento terá palestra do autor e participação musical de Carlos Bona e Elaine Vieira
  • Valor do exemplar no lançamento: R$ 45

Onde comprar o livro: vendas on-line pelo site https://loja.editoracandida.com.br

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