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Oposição não declarada

Pazolini: a pedra no sapato de Casagrande na Assembleia em 2019

Ao longo do ano, deputado votou sistematicamente contra os projetos mais importantes do Executivo, fez amplo uso da tribuna para criticar matérias do governo e protagonizou os mais marcantes bate-bocas com parlamentares governistas

Publicado em 26 de Dezembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

26 dez 2019 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Pazolini tem sido a maior pedra no sapato de Renato Casagrande na Assembleia Crédito: Amarildo
Ele não o admite. Nem sequer se declara assim. Prefere se denominar “independente”. Mas seu comportamento em plenário não permite a menor dúvida: ao longo de 2019, o deputado Lorenzo Pazolini (sem partido) se estabeleceu como o principal deputado de oposição ao governo Casagrande na Assembleia Legislativa, votando sistematicamente contra os projetos mais importantes enviados pelo Executivo, propondo regularmente uma série de emendas (nunca aprovadas) aos referidos projetos, fazendo amplo uso da tribuna para criticar as medidas e proposições do governo (ora com argumentos técnicos, ora indo para o embate político) e, acima de tudo, protagonizando bate-bocas bem intensos com os representantes do governo no plenário.
Pelo conjunto da obra construída em seu ano inaugural na Assembleia (e na atividade política), Pazolini entra em 2020 como a verdadeira pedra no sapato do governador. E, em pleno ano eleitoral, o delegado – visto como pré-candidato a prefeito de Vitória – pode dar ainda mais trabalho ao Palácio Anchieta. Afinal, marcando posição na oposição, ainda que não declaradamente, o deputado tem conseguido se destacar naquele microcosmo de 30 parlamentares.
Exemplos da postura antigovernista incorporada por Pazolini não faltam se fizermos uma “retrospectiva 2019” das votações mais importantes na Assembleia. E nem é preciso ir longe no tempo. Vamos começar por aquelas que marcaram os últimos três dias de trabalhos parlamentares na Casa.
No dia 16 de dezembro, o deputado conseguiu uma “façanha”: foi o único parlamentar a votar contra o Plano Plurianual (PPA) do governo Casagrande. O único. Não foi acompanhado nem por outros deputados que também têm votado regularmente contra as matérias do governo, como Capitão Assumção (PSL), Torino Marques (PSL), Vandinho Leite (PSDB) e Carlos Von (Avante). Na verdade, o PPA foi aprovado com 28 votos “sim”, ou seja, com o apoio de todos os deputados estaduais, exceto Pazolini, uma vez que Erick Musso (Republicanos) se absteve, valendo-se de sua prerrogativa de presidente da Mesa Diretora. Antes da votação do projeto, Pazolini chegou a apresentar um destaque para que o plenário votasse as emendas de sua autoria rejeitadas na Comissão de Finanças, mas teve o pedido negado pelo plenário.
No mesmo dia, a Assembleia também votou o projeto de lei orçamentária anual de Casagrande para 2020. O orçamento foi aprovado em votação simbólica, mas contra o voto de Pazolini. Dessa vez, seu “não” foi acompanhado por outros três deputados: Carlos Von, Vandinho e Sergio Majeski (PSB). À coluna, Pazolini confirmou que votou contra tanto o PPA quanto o orçamento porque teve rejeitadas emendas que previam, em suma, mais investimentos em políticas públicas de combate à violência contra crianças, adolescentes e mulheres.
No dia seguinte (17), Pazolini posicionou-se novamente em polo oposto ao do Palácio Anchieta, em votação igualmente crucial para o governo Casagrande – e, particularmente, para os atuais servidores públicos estaduais: a do projeto de lei complementar que estabeleceu as regras de transição para o novo sistema previdenciário estadual. O projeto foi aprovado por 21 votos a 8 e Pazolini, obviamente, deu um dos 8 votos contrários. Mas o voto "não" foi só o último ato de sua intensa militância no plenário contra a aprovação do texto.
Para que o projeto pudesse ser votado naquele mesmo dia, o líder do governo, Eustáquio de Freitas (PSB), pediu à Mesa regime de urgência, lido no expediente da sessão ordinária daquela tarde. O pedido de urgência foi aprovado durante a discussão do expediente, mas Pazolini manifestou-se contra o requerimento. Na sequência, o deputado Euclério Sampaio (sem partido), da situação, pediu ao presidente da Mesa o encerramento da sessão ordinária para a realização de uma extraordinária às 15h10. O pedido de Euclério foi aprovado pelo plenário, mas, novamente, contra o voto de Pazolini.
Em seguida, durante a discussão do projeto propriamente dito, Pazolini envolveu-se em uma discussão áspera com Freitas – a exemplo das muitas que já protagonizara, ao longo do ano, com o então líder do governo, Enivaldo dos Anjos (PSD). Tudo porque o governo realmente cometeu um vacilo inacreditável, a base governista comeu mosca e, aparentemente, só Pazolini percebeu que a redação do projeto continha um erro crasso: o projeto, em determinado artigo, fazia referência a “agentes federais”, categoria que, logicamente, não está vinculada ao governo estadual nem, por conseguinte, ao regime estadual de Previdência.
A referência correta seria aos “agentes penitenciários”. Ficou parecendo que o governo Casagrande não fez nada além de um “copia e cola” do projeto aprovado no Congresso para as carreiras federais e que mandou o próprio projeto para a Assembleia sem nem sequer o revisar. Como o delegado expôs com estardalhaço, da tribuna, os deputados da base do governo, incluído aí o seu líder, nem haviam lido direito o projeto que estavam votando. E foi isso, basicamente, o que Pazolini esfregou na cara deles. O clima esquentou.
A base, então, ficou em polvorosa, tentando compreender o que tinha havido. Só após alguns minutos de “barata-voa”, Euclério, como relator da matéria na comissão conjunta de Justiça, Cidadania e Finanças, assumiu a culpa integral pelo erro e propôs uma emenda, aprovada, trocando o termo “agentes federais” por “agentes penitenciários". Mas aí já era tarde. O estrago já estava feito. E Pazolini sapateou em cima. Como aliás deve continuar fazendo a partir de fevereiro, com o retorno dos trabalhos legislativos.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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