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Geração de valor

Inteligência emocional vai ganhar mais espaço nas escolas

Autonomia, curiosidade para aprender e tolerância ao estresse devem ser características desenvolvidas no perfil do 'novo aluno'

Publicado em 21 de Outubro de 2020 às 08:00

Redação de A Gazeta

Publicado em 

21 out 2020 às 08:00
Criança; frustração; dever de casa; escola
As crianças precisam desenvolver habilidades socioemocionais para lidar com frustrações e outras dificuldades Crédito: Eli Ramos/Freepik
Empatia, autoconfiança, tolerância ao estresse, respeito, autonomia, organização e a curiosidade para aprender são apenas algumas das competências citadas por especialistas em educação para compor o currículo do “novo aluno”. Após o período de isolamento social, com escolas fechadas e ensino remoto, tudo indica que a inteligência emocional vai ganhar mais espaço do que nunca dentro e fora das salas de aula.
“A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já sinalizou a importância dos currículos de todas as escolas do país incluírem o desenvolvimento socioemocional. Com a pandemia, extrapolou-se a importância do desenvolvimento socioemocional para a vida, para o aqui e agora”, frisa  a especialista em Educação Integral do Instituto Ayrton Senna, Cynthia Sanches. Segundo os profissionais da área, cabe à escola preparar o aluno para o mundo real dando mecanismos para criar maturidade emocional, tornando mais suave, por exemplo, a transição para o mercado de trabalho.
Maria Júlia Azevedo, mestre em Educação e Psicologia pela Universidade de São Paulo e Gerente de Implementação de Projetos no Instituto Unibanco.
Maria Júlia Azevedo destaca que, desde cedo, as crianças devem ser estimuladas a ter autonomia Crédito: Acervo Pessoal
Um dos principais quesitos a ser valorizado no futuro é a autonomia, ou seja, a capacidade que o estudante deve ter de chegar sozinho às conclusões, utilizando o professor como um mediador entre o conteúdo e a vida real, enfatizando os aspectos práticos do ensino. Para a mestre em Educação e Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e gerente de Implementação de Projetos no Instituto Unibanco, Maria Júlia Azevedo, desde as séries iniciais fica evidente a importância de tornar o aluno pensante, sendo, também, o maior desafio a ser enfrentado no cenário pós-pandemia.
"O grande desafio para a educação agora, pensando em curto e longo prazo, é gerar autonomia e estimular as competências e habilidades socioemocionais de todos os estudantes, dos menores até os que estão prestes a ingressar no ensino médio. O Brasil, os educadores e os centros de ensino precisam investir em pesquisas, ensinar mais ciência; o pensamento científico é primordial para gerar autonomia. É esse exercício de fazer hipóteses e validá-las ou refutá-las que ensina o aluno a pensar"
Maria Júlia Azevedo - Mestre em Educação e Psicologia e gerente de Implantação de Projetos do Instituto Unibanco
O professor de inteligência emocional e habilidades para a vida, Gustavo Boaventura, reforça a ideia de que a forma brusca como as aulas foram interrompidas pode ter sido responsável por acelerar a valorização das competências socioemocionais, entre os educadores e as famílias, evidenciando a necessidade de investir mais em aspectos emocionais do que no próprio conteúdo programático.
Gustavo Boaventura, professor de inteligência emocional e habilidades para vida
Gustavo Boaventura observa que a ruptura provocada pela pandemia evidenciou a necessidade de as escolas trabalharem competências socioemocionais Crédito: Acervo Pessoal
“A escola precisa ensinar a estudar, a aprender e, principalmente, a conviver em grupo, lidar com as emoções negativas e não só a reproduzir um conteúdo escolhido pelo professor, de forma verticalizada, sem questionamento. O estudo é um vetor muito importante na aprendizagem, e a tendência é que as escolas, cada vez mais, ensinem o aluno a aprender. Estávamos muito dependentes das tarefas de casa, provas, como única forma de reproduzir e fixar um conteúdo disponibilizado no espaço escolar. Na verdade, quando o aluno apenas decora, acaba esquecendo e, no ano seguinte, é necessário regredir para lembrar aspectos que poderiam ter sido bem aprendidos”, pondera o professor.

DIFICULDADES

Embora o ensino a distância não seja novidade no nível superior, é importante ressaltar que a adaptação não tem sido fácil também para os universitários. Segundo professores, a falta de autonomia, organização, pouca tolerância ao estresse e dificuldade de trabalhar em grupo são competências deficientes e que poderiam ter sido trabalhadas desde o ensino básico.
“O professor é um facilitador de aprendizado. No ensino remoto, isso fica bem evidente. O professor seleciona textos, vídeos, exercícios e outros materiais para guiar e facilitar o estudo. Mas os alunos não estão acostumados com a responsabilidade sobre o próprio aprendizado. Eles querem ver o professor explicando a matéria, querem poder tirar dúvidas ao vivo”, esclarece a professora de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora, Nayara Peneda Tozei.

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