Publicado em 4 de outubro de 2025 às 14:32
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (4/10) que "não tolerará demora" nas negociações da proposta para um cessar-fogo em Gaza apresentada pelo seu governo no início da semana.>
"O Hamas precisa agir rápido, ou então todas as apostas serão canceladas", afirmou o líder americana em sua rede social Truth Social. >
"Não tolerarei demora, que muitos acreditam que acontecerá, nem qualquer resultado em que Gaza represente uma ameaça novamente. Vamos fazer isso, RÁPIDO. Todos serão tratados com justiça!", escreveu. >
Trump ainda agradeceu Israel por interromper "temporariamente os bombardeios para dar uma chance de conclusão à libertação dos reféns e ao acordo de paz".>
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Os comentários do americano ocorrem após três ataques aéreos separados na manhã deste sábado na Cidade de Gaza.>
Segundo o Ministério da Saúde em Gaza, administrado pelo Hamas, 66 pessoas foram mortas no território palestino nas últimas 24 horas, elevando o total desde o início da guerra para 67.074. Outras 265 pessoas foram internadas no hospital com ferimentos, de acordo com um comunicado publicado no Telegram.>
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Trump anunciou seu plano de paz na segunda-feira (29/09) ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O líder israelense concordou com a proposta, que tem 20 pontos.>
Nesta sexta-feira (03/10), Trump deu ao Hamas um prazo até o próximo domingo (05) para o grupo aceitar o plano de paz dos EUA para Gaza ou enfrentar "o inferno".>
Algumas horas depois, o Hamas respondeu à proposta, aceitando o plano em parte, mas buscando novas negociações sobre uma série de pontos-chave.>
Em um comunicado, o movimento afirmou concordar em "libertar todos os prisioneiros israelenses, vivos e mortos, de acordo com a fórmula de troca contida na proposta do presidente Trump" — se condições para as trocas forem atendidas.>
Mas, no documento, o grupo parece sugerir que busca novas negociações sobre questões relacionadas ao futuro da Faixa de Gaza e aos direitos do povo palestino, afirmando que elas ainda estão sendo discutidas.>
A declaração do Hamas não menciona nem aceita especificamente o plano de 20 pontos de Trump, mas afirma que "renova seu acordo para entregar a administração da Faixa de Gaza a um corpo palestino de independentes (tecnocratas), com base no consenso nacional palestino e no apoio árabe e islâmico".>
No entanto, a declaração não menciona uma das principais exigências do plano: que o Hamas concorde com seu desarmamento e não desempenhe mais nenhum papel na governança de Gaza.>
A questão fundamental é se o acordo para libertar os reféns e, eventualmente, entregar Gaza será suficiente para que Donald Trump acredite que há uma perspectiva de fim da guerra.>
As negociações para um acordo entre Israel e o Hamas devem ser retomadas no Egito nos próximos dias, segundo reporta Hugo Bachega, correspondente da BBC News no Oriente Médio. >
O Hamas estava sob crescente pressão para aceitar pelo menos alguns pontos do plano de Trump para Gaza — e fez exatamente isso, avalia o jornalista. >
Mas pontos-chave de impasse permanecem, incluindo o desarmamento do grupo, um cronograma para a retirada israelense e garantias de que Israel não retomará a guerra após a libertação dos reféns.>
O plano de paz americano propõe o fim imediato dos combates e a libertação, em até 72 horas, de 20 reféns israelenses mantidos vivos pelo Hamas — bem como dos restos mortais de reféns supostamente mortos — em troca da soltura de centenas de moradores de Gaza detidos por Israel.>
O plano estipula que, assim que ambos os lados concordarem com a proposta, "ajuda total será enviada imediatamente para a Faixa de Gaza".>
Também prevê que o Hamas não terá nenhum papel na governança de Gaza e deixa a porta aberta para um eventual Estado palestino.>
No entanto, após o anúncio do plano, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reafirmou sua oposição de longa data a um Estado palestino.>
Na noite de sexta, após a divulgação do comunicado do Hamas, Trump publicou em suas redes sociais que Israel deveria parar de bombardear Gaza.>
"Com base na declaração recém-emitida pelo Hamas, acredito que eles estão prontos para uma PAZ duradoura. Israel deve interromper imediatamente o bombardeio de Gaza, para que possamos retirar os reféns com segurança e rapidez!", escreveu o presidente americano na Truth Social.>
Na manhã deste sábado, no entanto, o Exército israelense afirmou que área ao norte de Wadi Gaza (uma reserva natural que divide a Faixa de Gaza) "continua sendo uma zona de combate perigosa".>
Em um alerta aos palestinos, o porta-voz árabe das Forças de Defesa de Israel (IDF), Avichay Adraee, afirmou que as forças israelenses "ainda cercam a Cidade de Gaza" e tentar retornar para lá "representa um perigo extremo.>
As IDF estão se aproximando da Cidade de Gaza, que consideram o "último reduto" do Hamas. O Exército ordenou que os palestinos evacuem para o sul da Faixa de Gaza, mas grupos de ajuda humanitária afirmam que a "área humanitária" no sul está tão superlotada que as pessoas não conseguem encontrar espaço para armar barracas.>
Também neste sábado, as Forças Armadas de Israel afirmaram que foram instruídas a se preparar para a primeira fase do plano de paz de Donald Trump: o retorno dos reféns.>
Em uma publicação no X, as IDF afirmam que a segurança de suas tropas na Faixa de Gaza é uma "prioridade máxima" e que "todas as capacidades das IDF" serão enviadas ao Comando Sul para sua proteção.>
"Dada a sensibilidade operacional, todas as tropas devem manter alto estado de alerta e vigilância", diz a publicação, acrescentando que ainda pode haver necessidade de "uma resposta rápida para neutralizar qualquer ameaça".>
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