Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 23:09
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite desta terça-feira (06/01) que a Venezuela "entregará" até 50 milhões de barris de petróleo ao seu país.>
"Tenho o prazer de anunciar que as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade" aos EUA, escreveu Trump em suas redes sociais.>
O petróleo será vendido a preço de mercado, disse o republicano, acrescentando que o dinheiro será controlado por ele e usado para beneficiar as populações da Venezuela e dos EUA.>
Trump já havia declarado que a indústria petrolífera dos EUA estaria "em pleno funcionamento" na Venezuela dentro de 18 meses.>
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Ele disse esperar que enormes investimentos chegassem ao país sul-americano.>
Segundo analistas entrevistados anteriormente pela BBC, seriam necessárias dezenas de bilhões de dólares e até uma década para que o nível de produção que a Venezuela já teve seja restaurado.>
O comentário de Trump veio um dia depois de Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela enquanto Nicolás Maduro era presidente, ter tomado posse como presidente interina. >
Maduro foi detido no sábado (03/01) e levado aos EUA para responder por acusações de tráfico de drogas e porte de armas.>
Na segunda-feira (05/01), o presidente dos EUA disse à NBC News: "Ter uma Venezuela produtora de petróleo é bom para os Estados Unidos porque mantém o preço do petróleo baixo.">
Representantes das principais empresas petrolíferas americanas planejam se reunir com o governo Trump esta semana, informou a CBS (parceira da BBC nos EUA).>
Analistas que falaram à BBC se mostraram céticos quanto aos impactos dos planos de Trump na oferta global e no preço do petróleo.>
Para os entrevistados, as empresas do setor buscariam garantias de que um governo estável esteja no poder da Venezuela e, mesmo se investirem lá, seus projetos demorariam anos para dar resultados.>
Trump argumentou nos últimos dias que as empresas petrolíferas americanas podem consertar a infraestrutura petrolífera da Venezuela.>
O país sul-americano tem reservas estimadas em 303 bilhões de barris — a maior reserva comprovada do mundo —, mas sua produção de petróleo está em declínio desde o início dos anos 2000.>
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O governo Trump vê nas reservas da Venezuela um potencial significativo para seu próprio futuro energético.>
Mas aumentar a produção de petróleo lá seria caro para as empresas americanas.>
O petróleo venezuelano é pesado e mais difícil de refinar. Há apenas uma empresa americana, a Chevron, operando atualmente no país.>
Questionado sobre os planos de Trump para a produção na Venezuela, o porta-voz da Chevron, Bill Turenne, disse que a empresa "continua focada na segurança e no bem-estar de nossos funcionários, bem como na integridade de nossos ativos".>
"Continuamos a operar em total conformidade com todas as leis e regulamentações relevantes", assegurou Turenne.>
A ConocoPhillips, petrolífera americana que não opera mais no país sul-americano, "está monitorando os desdobramentos na Venezuela e suas potenciais implicações para o fornecimento e a estabilidade energética global", disse o porta-voz Dennis Nuss.>
"Seria prematuro especular sobre quaisquer atividades comerciais ou investimentos futuros", acrescentou Nuss.>
Uma terceira empresa, a Exxon, não respondeu imediatamente aos pedidos de posicionamento.>
Ao justificar a detenção de Maduro em Caracas, Trump argumentou que a Venezuela "se apropriou e roubou unilateralmente o petróleo americano".>
O vice-presidente americano JD Vance ecoou essas alegações após a detenção de Maduro, escrevendo no Twitter que "a Venezuela expropriou propriedades petrolíferas americanas e, até recentemente, usou essas propriedades roubadas para enriquecer e financiar suas atividades narcoterroristas".>
A realidade, no entanto, é mais complexa.>
As empresas petrolíferas americanas têm uma longa história na Venezuela, extraindo petróleo sob contratos de licença.>
A Venezuela nacionalizou sua indústria petrolífera em 1976. >
Em 2007, o então presidente Hugo Chávez impôs maior controle estatal sobre o restante de ativos em propriedade estrangeira, afetando diretamente empresas petrolíferas americanas que operavam no país sul-americano.>
Em 2019, um tribunal do Banco Mundial ordenou que a Venezuela pagasse US$ 8,7 bilhões em indenização à ConocoPhillips por essa decisão de 2007.>
A quantia não foi paga pela Venezuela — portanto, ao menos uma empresa petrolífera americana tem uma indenização pendente a receber.>
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