Publicado em 25 de setembro de 2025 às 20:32
O presidente americano Donald Trump afirmou que o acordo para encontrar um novo proprietário para o aplicativo de mídia social TikTok nos Estados Unidos foi fechado e que a empresa recebeu a aprovação do presidente chinês, Xi Jinping.>
Nesta quinta-feira (25/9), Trump assinou uma ordem executiva declarando que o acordo planejado atendia aos requisitos de uma lei que previa a proibição do aplicativo nos EUA, a menos que fosse vendido por sua controladora chinesa, ByteDance.>
Em comentários no Salão Oval, ele e o vice-presidente J.D. Vance disseram que um grupo de investidores compraria as operações americanas do TikTok para criar uma nova empresa avaliada em 14 bilhões de dólares (R$ 74,7 bilhões).>
O acordo ainda não foi confirmado pela ByteDance ou pelas autoridades chinesas.>
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Durante anos, autoridades e legisladores dos EUA argumentaram que os vínculos da ByteDance com o governo chinês ameaçam a segurança nacional.>
Muitos temiam que Pequim pudesse forçar a ByteDance a entregar dados sobre seus usuários nos EUA – estimados em 170 milhões.>
O TikTok e a ByteDance rejeitam essas críticas, mas preocupações semelhantes levaram a proibições e restrições em outros países ao redor do mundo.>
Em abril de 2024, o Congresso dos EUA aprovou um projeto de lei – sancionado pelo ex-presidente Joe Biden – dando à ByteDance nove meses para encontrar um comprador aprovado pelos EUA ou o TikTok seria fechado.>
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O TikTok chamou a lei de "inconstitucional" e alegou que censurar seus usuários nos EUA teria um impacto "assombroso" na liberdade de expressão. A empresa lançou vários processos judiciais sem sucesso.>
A ByteDance insistiu que não tinha planos de vender.>
Após a posse de Trump em janeiro de 2025, ele estendeu o prazo inicial para permitir que a busca por novos proprietários do aplicativo continuasse. O presidente adiou o prazo várias vezes para permitir que um acordo fosse fechado.>
O acordo de Trump com o TikTok fará com que investidores americanos assumam as operações do aplicativo no país.>
Trump afirmou, nesta quinta, que uma lista dos investidores "sofisticados" seria divulgada em breve, embora tenha mencionado algumas pessoas que estarão envolvidas: a gigante da tecnologia Oracle e o presidente do conselho, Larry Ellison, que é um aliado próximo de Trump; Rupert Murdoch, da Fox Corporation; e Michael Dell, chefe da Dell Technologies.>
Os investidores controlarão o algoritmo que alimenta a versão americana do TikTok, e os americanos ocuparão seis dos sete assentos no conselho de administração que o supervisionará. De acordo com a ordem executiva assinada por Trump, a China deterá menos de 20% da nova joint venture.>
O algoritmo é a tecnologia que determina o que os usuários veem em seu feed e é visto como a parte mais valiosa - e controversa - do aplicativo.>
Segundo o acordo, o TikTok americano usará um novo algoritmo que será baseado na versão existente, mas retreinado com base em dados de usuários americanos, de acordo com autoridades da Casa Branca.>
"Parceiros de segurança confiáveis" monitorarão atualizações de software, algoritmos e fluxos de dados, de acordo com a ordem executiva.>
A Oracle já armazena os dados de usuários americanos do TikTok em seus servidores nos EUA como parte de um acordo existente, e isso continuará.>
Trump e Vance disseram que esse acordo atende aos requisitos para a venda do TikTok estabelecidos na lei de 2024 e, portanto, garante que o aplicativo de mídia social possa continuar operando nos EUA.>
A Casa Branca também identificou a empresa de capital privado Silver Lake como outro investidor. Ela possui participação no City Football Group, dono do clube de futebol Manchester City.>
Acredita-se que autoridades tenham afirmado que o novo consórcio que controla o aplicativo busca investidores "patriotas".>
Uma ampla gama de figuras públicas, desde o fundador do OnlyFans, Tim Stokely, até o famoso YouTuber Jimmy Donaldson - também conhecido como MrBeast - foram anteriormente apontadas como potenciais parceiros.>
A ByteDance e o TikTok não comentaram publicamente sobre o acordo.>
Mas, em uma declaração no início de setembro, a ByteDance agradeceu a Xi e Trump "por seus esforços para preservar o TikTok nos Estados Unidos".>
O presidente Trump afirmou que o acordo foi aprovado por seu homólogo chinês, Xi Jinping, em uma ligação telefônica em 19 de setembro.>
Trump afirmou que o orientou a prosseguir com o acordo e que "a China está no jogo".>
Mas Pequim tem sido muito mais cautelosa do que Washington.>
"O governo chinês respeita os desejos da empresa e a incentiva a conduzir negociações comerciais de acordo com as regras de mercado para chegar a uma solução compatível com as leis e regulamentações chinesas e a encontrar um equilíbrio de interesses", afirmou após o anúncio de Trump.>
Analistas acreditam ser extremamente improvável que a empresa controladora do TikTok venda seu aplicativo sem a aprovação de Pequim.>
O governo chinês deve emitir uma licença de exportação para o algoritmo do TikTok em breve.>
Trump também disse que discutiria o acordo com Xi Jinping na cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, na Coreia do Sul, no final de outubro.>
De acordo com o TikTok, seus usuários nos EUA gastaram, em média, 51 minutos por dia no aplicativo em 2024.>
Quando o projeto de lei foi anunciado, muitos criadores americanos que ganham a vida com o aplicativo disseram à BBC que sua perda seria devastadora.>
Em março de 2024, o TikTok instou seus usuários a entrarem em contato com seus representantes políticos para reclamar. Alguns legisladores disseram que a campanha de lobby, na verdade, reforçou suas preocupações com o aplicativo.>
Especialistas previram que rivais de compartilhamento de vídeos, como Instagram Reels, YouTube Shorts e outro aplicativo chinês, o RedNote, se beneficiariam se o TikTok fosse banido.>
Mas mesmo que seu futuro nos EUA esteja garantido, não há garantia de que os usuários decidirão continuar com a nova versão do aplicativo.>
"Ainda não se sabe se este novo aplicativo, exclusivo para os EUA, será uma réplica fiel do antigo, com um algoritmo e uma experiência igualmente poderosos", disse Kelsey Chickering, da empresa de pesquisa de mercado Forrester.>
Com reportagem de Lily Jamali>
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