Publicado em 28 de novembro de 2025 às 17:24
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intensificar seu combate aos imigrantes, prometendo "interromper permanentemente a imigração" para os Estados Unidos de pessoas de todos os "países do Terceiro Mundo", ao se manifestar contra o "ônus dos refugiados" do seu país.>
Trump postou nas redes sociais depois de anunciar a morte de um membro da Guarda Nacional americana após um tiroteio na capital do país, Washington DC. Um cidadão do Afeganistão foi acusado como responsável.>
O presidente não forneceu mais detalhes, nem indicou quais países poderão ser afetados. O plano poderá ser questionado na Justiça e já gerou reações contrárias das agências das Nações Unidas.>
O anúncio de Trump, após o ataque mortal de quarta-feira, representa um endurecimento ainda maior da sua posição em relação aos migrantes, durante seu segundo mandato.>
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Entre outras medidas, Trump procurou realizar deportações em massa de migrantes que entraram no país ilegalmente, reduzir drasticamente o número de refugiados e eliminar os direitos à cidadania automática que se aplicam atualmente a quase todos os nascidos em território americano.>
Após o ataque de quarta-feira (26/11), Trump prometeu retirar dos Estados Unidos qualquer estrangeiro "de qualquer país que não pertença aqui".>
No mesmo dia, os Estados Unidos suspenderam o processamento de todos os pedidos de imigração de cidadãos afegãos, afirmando que a decisão foi tomada aguardando uma análise de "protocolos de segurança e vetos".>
Na quinta-feira, o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS, na sigla em inglês) declarou que iria reexaminar os green cards emitidos para indivíduos que migraram de 19 países para os Estados Unidos. A agência não mencionou explicitamente o ataque de quarta-feira.>
Questionado pela BBC sobre quais países estariam na lista, o USCIS indicou uma proclamação emitida em junho pela Casa Branca, que incluiu o Afeganistão, Cuba, Haiti, Irã, Somália e Venezuela. Mas não houve mais detalhes sobre como ocorreria a reavaliação.>
Trump usou linguagem forte em uma postagem em duas partes na noite de quinta-feira, prometendo "eliminar todos os subsídios e benefícios federais aos não cidadãos".>
O presidente americano escreveu, na rede Truth Social, que isso "permitiria a total recuperação do sistema americano" de políticas que haviam reduzido os "ganhos e as condições de vida" de muitos cidadãos dos Estados Unidos. >
Na postagem, o presidente também culpou os refugiados por causarem "distúrbios sociais na América" e se comprometeu a retirar "todos os que não sejam patrimônio líquido" para os Estados Unidos.>
Trump iniciou o texto, repleto de expressões anti-imigrantes, como uma "saudação pelo Dia de Ação de Graças".>
Ele afirmou que "centenas de milhares de refugiados da Somália tomaram totalmente conta do até então grande Estado de Minnesota" e se dirigiu especificamente aos legisladores democratas daquele Estado.>
"Interromperei permanentemente a migração de todos os Países do Terceiro Mundo para permitir a total recuperação do sistema dos Estados Unidos", escreveu o presidente.>
A expressão "terceiro mundo" era usada no passado para descrever nações mais pobres e em desenvolvimento.>
A Casa Branca e o USCIS ainda não forneceram mais detalhes sobre os planos do presidente Trump, que não os relacionou diretamente, na sua postagem, ao ataque de quarta-feira.>
O presidente já havia imposto proibições de viagens aos cidadãos do Afeganistão e de mais 11 países, principalmente na África e na Ásia, no primeiro semestre do ano.>
Outra proibição de viagem, dirigida a uma série de países de maioria muçulmana, foi estabelecida durante seu primeiro mandato.>
A ONU respondeu às palavras de Trump pedindo ao seu governo que observe os acordos internacionais referentes aos solicitantes de asilo.>
"Esperamos que todos os países, incluindo os Estados Unidos, respeitem seus compromissos com base na Convenção dos Refugiados de 1953", declarou à agência de notícias Reuters o vice-porta-voz do Secretário-Geral das Nações Unidas.>
A reação de Trump representa a transformação dos migrantes nos Estados Unidos em "bodes expiatórios", segundo o presidente da Associação Americana de Advogados de Imigração, Jeremy McKinney.>
Ele declarou ao programa de rádio Newsday, do Serviço Mundial da BBC, antes dos recentes comentários de Trump, que o motivo do responsável pelo ataque era desconhecido.>
"Este tipo de questão não conhece a cor da pele, nem a nacionalidade", declarou ele.>
"Quando uma pessoa se radicaliza ou sofre de algum tipo de doença mental, ela pode vir de qualquer origem.">
A onda de anúncios surgiu depois que autoridades declararam que o suspeito do tiroteio em Washington DC, Rahmanullah Lakanwal, chegou aos Estados Unidos em 2021.>
Ele viajou com base em um programa que oferecia proteção especial à imigração aos afegãos que tivessem trabalhado com as forças americanas, após a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão naquele ano.>
Continuam a surgir informações sobre o trabalho de Lakanwal ao lado dos americanos. Ele trabalhou anteriormente ao lado da CIA, segundo o diretor atual da agência.>
Lakanwal ajudou a proteger as forças americanas no aeroporto da capital afegã, Cabul, quando milhares de pessoas lutavam para fugir do país antes que o Talebã tomasse o poder, segundo contou à BBC um ex-comandante militar que serviu ao lado dele.>
Pai de cinco filhos, Lakanwal havia sido recrutado para a Unidade 3 da Força de Ataque de Kandahar, nove anos antes.>
Sua unidade era conhecida localmente como Forças Escorpião. Ela operava inicialmente subordinada à CIA, mas também, eventualmente, para o departamento de inteligência afegão conhecido como Diretoria Nacional de Segurança.>
Lakanwal era especialista em rastreadores de GPS, segundo o ex-comandante. Ele o descreveu como um "personagem alegre e esportivo".>
Lakanwal teria sido vetado pelos Estados Unidos duas vezes, na época em que começou ao trabalhar ao lado da CIA e quando viajou para os Estados Unidos, segundo uma alta autoridade americana, em entrevista à rede de TV CNN.>
Um de seus amigos de infância também declarou ao jornal The New York Times que Lakanwal havia sofrido problemas de saúde mental, depois de trabalhar na sua unidade.>
Lakanwal pediu asilo em 2024. Seu pedido foi concedido no início deste ano, supostamente depois da posse de Trump para seu segundo mandato.>
Mas seu pedido de green card, relacionado à concessão de asilo, segue pendente, segundo declarou uma autoridade de Segurança Doméstica à rede de TV CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos.>
O suspeito foi preso após o ataque. Afirma-se que ele não estaria cooperando com as autoridades.>
Trump descreveu o incidente como "ato de terror". Ele anunciou no dia seguinte a morte de um dos dois membros da Guarda Nacional atingidos pelos tiros.>
Sarah Beckstrom era da Virgínia Ocidental e tinha 20 anos de idade. Ela trabalhava na capital como parte do deslocamento de membros da Guarda Nacional ordenado por Trump, para combater a criminalidade.>
Ela havia se voluntariado para trabalhar em Washington durante o feriado de Ação de Graças, segundo a procuradora-geral americana Pam Bondi.>
Trump informou que o segundo membro da Guarda Nacional, Andrew Wolfe, de 24 anos, segue "lutando pela vida".>
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