Publicado em 11 de dezembro de 2024 às 11:44
Durante os quase 25 anos de presidência de Bashar al-Assad na Síria, uma constante em sua vida foi a presença de sua esposa, Asma.>
Asma, agora com 49 anos, foi inicialmente considerada o rosto de uma Síria moderna, mas manteve um perfil discreto desde o início da guerra civil, que começou em março de 2011.>
Nascida no bairro de Acton, no oeste de Londres, filha de pais sírios — um cardiologista e uma diplomata —, Asma Akhras estudou em uma escola particular, onde era chamada de "Emma" pelos amigos. >
Ela se formou em Ciência da Computação na prestigiada universidade King's College London e, posteriormente, trabalhou em um grande banco de investimentos. Foi em Londres que ela conheceu Bashar al-Assad, um oftalmologista que estava estudando na capital britânica na época.>
>
Asma se mudou para a Síria em 2000 e casou-se com Assad naquele ano, pouco depois de ele suceder seu pai, Hafez al-Assad (1930-2000), como presidente. Juntos, tiveram três filhos — dois meninos e uma menina, todos agora adultos.>
Por anos, havia esperança no Ocidente de que a criação britânica de Asma pudesse incentivar reformas políticas na Síria — uma empresa de relações públicas chegou a ser contratada para ajudá-la a se tornar a imagem moderna do país no exterior.>
Uma fonte disse à BBC em 2012 que Assad sabia que casar-se com Asma seria estratégico, pois ela ajudaria a apresentar uma imagem renovada e moderna da Síria. >
Muitos também viam o casamento como uma tentativa de unir os interesses da maioria sunita do país, da qual Asma fazia parte, com a seita alauíta, à qual Assad pertence. >
No entanto, a fonte também sugeriu que a forma de Asma exercer seu papel como primeira-dama gerava tensões dentro da família Assad, especialmente com a irmã e a mãe do presidente, Boushra e Anisseh, que não se importavam com as questões de imagem pública.>
A estratégia de relações públicas teve algum sucesso. Em fevereiro de 2011, a edição americana da revista Vogue publicou um perfil altamente elogioso de Asma, intitulado "Uma Rosa no Deserto". >
O artigo a descrevia como "uma beleza magra, de corpo longilíneo, com uma mente analítica treinada, que se veste com astuta modéstia", além de ser "glamorosa, jovem e muito chique". >
Posteriormente, a jornalista que escreveu a reportagem, Juliet Joan Buck, se arrependeu publicamente de tê-la escrito, dizendo que esta "contaminou" sua carreira e encerrou sua associação com a Vogue.>
Pouco mais de um mês após a publicação do perfil, Assad reprimia violentamente um levante pacífico pró-democracia, desencadeando a guerra civil síria, que resultou na morte de mais de 500 mil pessoas e na fuga de milhões de refugiados.>
Foi só em fevereiro de 2012 que Asma falou publicamente sobre a guerra em seu país, dizendo que ela "confortava" as "vítimas da violência". >
Em uma declaração ao jornal britânico The Times, reafirmou seu apoio ao marido: "O presidente é o presidente da Síria, não uma facção de sírios, e a primeira-dama o apoia nesse papel.">
No mesmo ano, vazaram e-mails privados dos Assads, mostrando o gosto de Asma por produtos de luxo. >
Os e-mails, revelados pelo jornal britânico The Guardian, sugeriam que Asma estava comprando sapatos caros enquanto o país mergulhava em uma guerra civil. >
Em 2022, uma estimativa do Departamento de Estado dos Estados Unidos avaliou a fortuna da família Assad em algo em torno de US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões (R$ 6,1 bilhões e 12,1 bilhões, em valores atuais). >
Em março de 2012, assim como seu marido, Asma foi alvo de sanções pela União Europeia.>
Ela só voltou a falar com a imprensa estrangeira em 2016, quando disse à TV estatal russa Rossiya 24 que recebeu ofertas para deixar a Síria, mas rejeitou essas propostas, dizendo que "sempre estive aqui desde o começo e nunca pensei em estar em outro lugar.">
Com o avanço da guerra, Asma também se envolveu em iniciativas de caridade, se encontrou com famílias de soldados mortos e presidiu a Syria Trust for Development, uma grande ONG que coordenava ações de ajuda. >
Em 2018, foi diagnosticada com câncer de mama e tratou um tumor maligno em estágio inicial. Um ano depois, anunciou sua recuperação total.>
Em maio de 2024, a presidência síria revelou, por meio de um comunicado, que Asma havia sido diagnosticada com leucemia. Também informou que ela começaria um tratamento especial, precisando se isolar e se afastar de compromissos públicos.>
A presidência de Bashar al-Assad terminou abruptamente no domingo (8/12), quando forças rebeldes tomaram Damasco, a capital da Síria.>
A família fugiu para a Rússia, um dos aliados chave do antigo regime, onde recebeu asilo político, conforme informou a mídia estatal russa.>
>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta