Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 07:10
O segundo mandato do presidente americano Donald Trump está sendo marcado pelas suas ambições na política externa.>
Ele cumpriu suas ameaças contra a Venezuela, capturando seu presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores, em um contundente ataque noturno ao seu complexo fortemente protegido em Caracas.>
Ao descrever a operação, o presidente americano invocou a Doutrina Monroe de 1823 e sua promessa de supremacia dos Estados Unidos no hemisfério ocidental. Agora, ela é chamada de "Doutrina Donroe".>
E Donald Trump também fez alertas contra outras nações na órbita de Washington nos últimos dias. Aqui estão alguns deles.>
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Os Estados Unidos já têm uma base militar na Groenlândia, a Base Espacial de Pituffik. Mas Trump quer a ilha inteira.>
"Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional", declarou ele a jornalistas. Trump afirma que a região estava "coberta de navios russos e chineses em toda parte".>
A vasta ilha no Ártico faz parte do Reino da Dinamarca. Ela fica a cerca de 3,2 mil quilômetros a nordeste dos Estados Unidos.>
A Groenlândia é rica em terras raras, fundamentais para a produção de smartphones, veículos elétricos e equipamentos militares. E, atualmente, a produção chinesa de terras raras é muito maior que a dos Estados Unidos.>
A ilha também ocupa importante localização estratégica no Atlântico Norte. Ela oferece acesso ao Círculo Polar Ártico, que é cada vez mais importante mundialmente. Afinal, novas rotas marítimas devem ser abertas à medida que o gelo polar for derretendo nos próximos anos.>
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, respondeu a Trump, descrevendo a ideia de controle americano sobre a ilha como "fantasia".>
"Chega de pressões. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação", declarou Nielsen.>
"Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos às discussões. Mas isso deve acontecer pelos canais adequados e com respeito à legislação internacional.">
Poucas horas depois da operação na Venezuela, Trump alertou o presidente colombiano, Gustavo Petro, a "cuidar do próprio traseiro".>
Vizinha da Venezuela a oeste, a Colômbia abriga consideráveis reservas petrolíferas e é um importante produtor de ouro, prata, esmeraldas, platina e carvão.>
O país também é um centro importante do comércio de drogas da região, principalmente cocaína.>
Em setembro, os Estados Unidos começaram a atacar navios no mar do Caribe e no leste do Pacífico, afirmando, sem mostrar evidências, que eles transportavam drogas. Desde então, Trump se mantém em uma disputa cada vez maior com o presidente de esquerda do país.>
Os Estados Unidos impuseram sanções a Gustavo Petro em outubro, alegando que ele teria permitido que os cartéis de drogas "prosperassem".>
A bordo do avião presidencial Air Force One no domingo (4/1), Trump afirmou que a Colômbia é "dirigida por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos".>
"Ele não irá fazer isso por muito tempo", prosseguiu Trump.>
Questionado se os Estados Unidos realizariam uma operação dirigida à Colômbia, o presidente americano respondeu: "Para mim, parece bom.">
Historicamente, a Colômbia é um forte aliado na guerra de Washington contra as drogas. O país recebe anualmente centenas de milhões de dólares em assistência militar para combater os cartéis.>
O Irã enfrenta atualmente protestos em massa contra o governo. Trump alertou que as autoridades do país sofreriam um "golpe muito forte" se mais manifestantes fossem mortos pelas forças de segurança do governo.>
"Estamos observando com muita atenção", declarou ele a repórteres, no Air Force One, o avião presidencial americano. "Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que receberão um golpe muito forte dos Estados Unidos.">
Teoricamente, o Irã está fora dos domínios definidos pela "Doutrina Donroe". Mas Trump já ameaçou anteriormente o regime iraniano com novas ações, depois de atacar suas instalações nucleares no ano passado.>
Os ataques ocorreram depois que Israel lançou uma operação em larga escala destinada a destruir a capacidade iraniana de desenvolver armas nucleares, o que culminou no conflito de 12 dias entre os dois países. >
O Irã teria estado no topo da agenda em uma reunião entre o presidente americano e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na semana passada, na residência de Trump em Mar-a-Lago (Flórida, EUA). A imprensa americana também noticiou que Netanyahu mencionou possíveis novos ataques contra o Irã em 2026.>
A chegada de Trump ao poder em 2016, para seu primeiro mandato, foi definida pelos seus anúncios da construção de um muro ao longo da fronteira sul dos Estados Unidos com o México.>
No primeiro dia do seu segundo mandato, em 2025, o presidente assinou uma ordem executiva, alterando o nome do Golfo do México para "Golfo da América".>
Trump vem afirmando frequentemente que as autoridades mexicanas não estão fazendo o suficiente para impedir o fluxo de imigrantes ilegais para os Estados Unidos.>
Falando no domingo, ele declarou que as drogas estão "jorrando" através do México e que "precisaremos fazer alguma coisa". Trump acrescentou que os cartéis no país são "muito fortes".>
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, rejeitou publicamente qualquer ação militar dos Estados Unidos em solo mexicano.>
Cuba fica a apenas 145 km do sul da Flórida. A ilha sofre sanções dos Estados Unidos desde o início dos anos 1960 e mantinha relações estreitas com a Venezuela de Nicolás Maduro.>
Trump sugeriu no domingo (4/1) que a intervenção militar norte-americana no país não é necessária porque Cuba estaria "pronta para cair".>
"Não acho que precisamos de nenhuma ação", disse ele. "Parece que está caindo.">
"Não sei se eles irão se manter, mas Cuba, agora, não tem renda", acrescentou Trump. "Eles ganhavam sua renda da Venezuela, do petróleo venezuelano.">
A Venezuela supostamente fornece cerca de 30% do petróleo consumido em Cuba, o que deixa Havana exposta em caso de colapso do fornecimento, na ausência de Maduro.>
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, é filho de imigrantes cubanos e defende há muito tempo a mudança de regime na ilha.>
No sábado (3/1), ele declarou aos jornalistas que "se eu morasse em Havana e estivesse no governo, estaria preocupado, pelo menos um pouquinho".>
"Quando o presidente fala, é preciso levá-lo a sério.">
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