Publicado em 7 de outubro de 2025 às 11:32
O Prêmio Nobel de Física de 2025 foi concedido ao britânico John Clarke, ao francês Michel H. Devoret e ao americano John M. Martinis por seu trabalho em mecânica quântica que está abrindo caminho para uma nova geração de computadores muito poderosos.>
O anúncio foi feito pela Academia Real de Ciências da Suécia nesta terça-feira (7/10) em uma entrevista coletiva em Estocolmo, Suécia.>
"Não há tecnologia avançada usada hoje que não dependa da mecânica quântica, incluindo telefones celulares, câmeras... e cabos de fibra óptica", disse o comitê do Nobel.>
"Para dizer o mínimo, foi uma surpresa na minha vida", disse o professor John Clarke, que nasceu em Cambridge, no Reino Unido, e agora trabalha na Universidade da Califórnia em Berkeley.>
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Michel H. Devoret nasceu em Paris, na França, e é professor na Universidade de Yale, enquanto John M. Martinis é professor na Universidade da Califórnia, na Santa Bárbara.>
Os três vencedores dividirão um prêmio em dinheiro de 11 milhões de coroas suecas (R$ 6,2 milhões).>
O comitê do Nobel reconheceu o trabalho inovador realizado pelos três homens em uma série de experimentos na década de 1980 com circuitos elétricos.>
Nas palavras do comitê, o prêmio foi pela "descoberta do tunelamento macroscópico da mecânica quântica e da quantização de energia em um circuito elétrico".>
Mesmo para um campo frequentemente considerado denso, essa descoberta é desconcertante.>
Mas suas implicações foram profundas e abrangentes. Os dispositivos eletrônicos que a maioria de nós usa dependem dela, e as pesquisas estão sendo usadas para construir computadores extremamente poderosos.>
"Isso é algo que leva ao desenvolvimento do computador quântico. Muitas pessoas estão trabalhando na computação quântica, nossa descoberta é, em muitos aspectos, a base disso", disse Clarke em entrevista coletiva, momentos depois de saber que havia vencido.>
Ele pareceu perplexo com o fato de seu trabalho, concluído há 40 anos, ser digno do prêmio mais prestigioso da ciência.>
"Estou completamente surpreso. Na época, não percebemos de forma alguma que essa poderia ser a base para um prêmio Nobel", disse ele.>
A mecânica quântica se relaciona com o comportamento de pequenas coisas em um mundo minúsculo. Refere-se ao que partículas como o elétron fazem no mundo subatômico.>
O professor Clarke e sua equipe analisaram como essas partículas pareciam quebrar regras como viajar por barreiras de energia que a física convencional dizia serem impossíveis — algo chamado "tunelamento".>
Usando o "tunelamento" quântico, o elétron consegue atravessar a barreira de energia.>
Seu trabalho demonstrou que o tunelamento pode ser reproduzido não apenas no mundo quântico, mas também em circuitos elétricos no "mundo real".>
Esse conhecimento foi aproveitado por cientistas na fabricação de chips quânticos modernos.>
"É uma notícia maravilhosa, de fato, e muito merecida", disse a professora Lesley Cohen, reitora associada do Departamento de Física do Imperial College London.>
"Seu trabalho estabeleceu as bases para os Qubits supercondutores — uma das principais tecnologias de hardware para tecnologias quânticas.">
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